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13 de abril de 2019

Documentário Randez Vous Chez Lacan (Um encontro com Lacan)

Hoje seria o 118º aniversário de Jaques Lacan. 
A dica para celebrar o dia é o documentário Rendez Vous Chez Lacan, "Um encontro com Lacan", de 2011, dirigido por Gérard Miller.

O filme conta com a participação dos psicanalistas que conviveram com Lacan, como Eric Laurent, Jacques-Alain Miller e sua filha Judith Miller, entre outros amigos e colegas. Também apresenta o testemunho de antigos analisandos, o que nos permite ver a forma como ele conduzia sua prática clínica.
Sinopse: "Nascido com o século XX, em uma família católica e de classe média, Jacques Lacan se formou como Psiquiatra. Teve a amizade de Picasso, Levi-Strauss e Sartre. Destacou-se no exercício prático e teórico da psicanálise e gerou polêmica entre os colegas de profissão.
Com a ajuda de seu irmão Jacques-Alain, um dos maiores pupilos de Lacan, Gérard Miller tenta destrinchar a personalidade deste que até hoje é considerado um dos mais instigantes e controversos pensadores da história da psicanálise."





Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.


18 de dezembro de 2015

Ameaça a Reforma Psiquiátrica no Brasil

  Todo o avanço possibilitado pela reforma psiquiátrica fica ameaçado com a recente nomeação Valencius Wurch, ex diretor da Casa de Saúde Dr. Eiras, o maior hospício da América Latina, como coordenador nacional de saúde mental, álcool e outras drogas.
"A reforma psiquiátrica brasileira é referência mundial na atenção as pessoas com transtornos mentais e/ou decorrente do uso de álcool e outras drogas. Porém, ontem foi anunciado pelo Ministério da Saúde que o até então coordenador nacional de saúde mental, álcool e outras drogas Roberto Tykanori – conhecido por sua militância na luta antimanicomial – foi substituído pelo psiquiatra Valencius Wurch, ex diretor da Casa de Saúde Dr. Eiras, o maior hospício da América Latina.
O manicômio Dr. Eiras, localizado no Rio de Janeiro, foi fechado em 2012, dois anos depois de ordem da justiça para que as atividades no local fossem encerradas devido a uma série de denúncias das condições sub humanadas em que os internos viviam. Valencius Wurch dirigiu o local por dez anos, denunciado inúmeras vezes por abandono e maus tratos.
Em maio e agosto de 2000, o Ministério da Saúde produziu auditorias que descreveram um quadro de ‘casa dos horrores’, negado pela Casa de Saúde Dr. Eiras. Uma caravana da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados igualmente criticou o manicômio. Em 2001, a Secretaria de Estado de Saúde proibiu novas internações – havia pouco mais de 1.500 pacientes -, assumiu a gestão das verbas do SUS (Sistema Único de Saúde) destinadas à Casa de Saúde Dr. Eiras (R$ 13 milhões em 2000) e promoveu um censo com uma série de denúncias ao local.
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Como se não bastasse seu histórico profissional, o psiquiatra Wurch, também declarou em entrevista ao Jornal do Brasil, em 1995, que era contra a Lei Paulo Delgado  – Lei que garante os direitos aos portadores de transtorno psíquico no Brasil –  e que tirar as pessoas dos manicômios era algo meramente “ideológico”.         
Diante dessa nomeação extremamente nociva para a luta antimanicomial, os militantes tem se reunido em todo o Brasil para combater os retrocessos na saúde mental e nos direitos humanos."

Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.
http://fernandapimentel.com.br

11 de julho de 2013

Mostra Quentin Tarantino no CCBB


Na semana que vem, vai chegar ao Rio a Mostra Quentin Tarantino, no CCBB. Serão exibidos todos os filmes do cineasta, incluindo suas participações como ator e produtor, totalizando 19 títulos. 
E outra boa notícia é que o Cinepasse sai por R$6 ou 3 (meia) e vale pra TODOS os filmes da mostra! 

De 17 a 29 de Julho
*O CCBB agora não abre às TERÇAS
R$ 6 e R$ 3 (meia) – Você só paga uma vez para ir a todas as sessões!*
*CINEPASSE : Válido por 30 dias, para acesso às mostras de cinema, por meio de senhas. As senhas deverão ser retiradas 1 hora antes decada sessão (eu nunca tive problemas pra retirar mais perto da sessão começar, desde que hajam lugares livres, claro).

Programação Completa

17 de julho – quarta-feira
14h30 – Amor à Queima-Roupa (1993), 120 min, DVD, 16 anos
17h – Cães de Aluguel (1992), 99 min, 35mm, 18 anos
19h - Tarantino’s Mind (2006), 15 min, DVD, 14 anos + Pulp Fiction – Tempo de Violência (1994), 154 min, 35mm, 18 anos

18 de julho – quinta-feira
15h30 – Assassinos por Natureza (1994), 118 min, 35mm, 18 anos
18h – O Albergue (2005), 100 min, DVD, 18 anos
20h – O Albergue 2 (2007), 93 min, DVD, 18 anos

19 de julho – sexta-feira
14h – Dance me to the End of Love (1995), 6 min, DVD, 14 anos + Grande Hotel (1995), 98 min, 35mm, 16 anos
16h – Jackie Brown (1997), 154 min, 35mm, 16 anos
19h – Django Livre (2012), 145 min, 35mm, 16 anos

20 de julho – sábado
14h30 – Um Drink no Inferno (1995), 108 min, 35mm, 18 anos
17h – Um Drink no Inferno 2 : Texas Sangrento (1999), 96 min, DVD, 18 anos
19h – Sin City – A Cidade do Pecado (2005), 124 min, 35mm, 16 anos

21 de julho – domingo
14h30 – Kill Bill: Vol.1 (2003), 110 min, 35mm, 18 anos
16h30 – Kill Bill: Vol.2 (2004), 136 min, 35mm, 16 anos
19h – Bastardos Inglórios (2009), 153 min, 35mm, 18 anos

22 de julho – segunda-feira
15h – Jackie Brown (1997), 154 min, 35mm, 16 anos
18h30 – Grindhouse – À Prova de Morte + Planeta Terror , 191 min, Bluray, 18 anos

24 de julho – quarta-feira
14h30 – O Albergue (2005), 100 min, DVD, 18 anos
16h30 – Sin City – A Cidade do Pecado (2005), 124 min, 35mm, 16 anos
19h – Bastardos Inglórios (2009), 153 min, 35mm, 18 anos

25 de julho – quinta-feira
16h – O Albergue 2 (2007), 93 min, DVD, 18 anos
18h – Cães de Aluguel (1992), 99 min, 35mm, 18 anos
20h – Kill Bill: Vol.1 (2003), 110 min, 35mm, 18 anos

26 de julho – sexta-feira
15h – Um Drink no Inferno (1995), 108 min, 35mm, 18 anos
17h – Dance me to the End of Love (1995), 6 min, DVD, 14 anos + Amor à Queima-Roupa (1993), 120 min, DVD, 16 anos
19h30 – Kill Bill: Vol.2 (2004), 136 min, 35mm, 16 anos

27 de julho – sábado
15h – Um Drink no Inferno 2 : Texas Sangrento (1999), 96 min, DVD, 18 anos
17h – Pulp Fiction – Tempo de Violência (1994), 154 min, 35mm, 18 anos
20h – À Prova de Morte (2007), 114 min, 35mm, 16 anos

28 de julho – domingo
15h30 - Grande Hotel (1995), 98 min, 35mm, 16 anos
17h30 – Assassinos por Natureza (1994), 118 min, 35mm, 18 anos
20h – Planeta Terror (2007), 92 min, DVD, 18 anos

29 de julho – segunda-feira

14h - Pulp Fiction – Tempo de Violência (1994), 154 min, 35mm, 18 anos
17h – Django Livre (2012), 145 min, 35mm, 16 anos
20h – Tarantino’s Mind (2006), 15 min, DVD, 14 anos + Cães de Aluguel (1992), 99 min, 35mm, 18 anos

23 de novembro de 2012

Documentário: Muito Além do Peso


Muito se fala sobre o aumento da obesidade infantil e as consequências do excesso de peso na vida adulta. 
Mas pouco se fala da responsabilidade dos pais, da baixa qualidade dos alimentos oferecidos em casa e na escola, da falta de informação das crianças e principalmente dos hábitos nada saudáveis que são, despreocupadamente e inconsequentemente, passados para as crianças no dia a dia.


Este documentário discute a alimentação infantil, para além das questões do peso, mostrando que o ponteiro da balança que indica o ganho de peso é apenas a ponta do ice berg de um problema muito maior.
Dirigido pela paulistana Estela Renner, a fita percorre o Brasil do Rio Grande do Sul ao Pará, das metrópoles às áreas rurais com um propósito: mostrar como a garotada se alimenta mal e só quer saber de comida industrializada. Muito elucidativo, o filme traz ainda depoimentos de pediatras e endocrinologistas e declarações inusitadas dos pequenos entrevistados. 

17 de setembro de 2012

Documentário "Um encontro com Lacan" (Rendez Vous Chez Lacan - 2011)

Já está disponível no YouTube o documentário Rendez Vous Chez Lacan, (2011), dirigido por Gérard Miller.
A obra conta com a participação dos psicanalistas Eric Laurent, Jacques-Alain Miller e Judith Miller, entre outros, além de depoimentos de antigos analisandos.

Sinopse: 
"Nascido com o século XX, em uma família católica e de classe média, Jacques Lacan se formou como Psiquiatra. Teve a amizade de Picasso, Levi-Strauss e Sartre. Destacou-se no exercício prático e teórico da psicanálise e gerou polêmica entre os colegas de profissão. 
Com a ajuda de seu irmão Jacques-Alain, um dos maiores pupilos de Lacan, Gérard Miller tenta destrinchar a personalidade deste que até hoje é considerado um dos mais instigantes e controversos pensadores da história da psicanálise."








14 de junho de 2012

Pink Floyd, loucura, Lacan & Rock n' Roll

Texto de Christian Ingo Lenz Dunker (psicanalista, professor do Instituto de Psicologia da USP) sobre a loucura na produção artistica marcada pela ruptura, delírio, descompasso e estranhamento radical. Exatamente o que experimentamos ao escutar Pink Floyd.

Eu queria que você estivesse aqui 

Pink Floyd está para a música como Joyce está para a literatura: suas obras são marcadas por rupturas de pensamento e uma espécie de “loucura produtiva”

Quando se pensa em rock a primeira associação costuma ser com ruptura, rebeldia e contracultura. Desde seu início esse tipo de música tenta pensar o futuro antes que ele chegue. Pink Floyd é uma banda anômala em seu gênero, uma experiência musical sobre a impossibilidade de esquecer e sobre o custo devastador que um coletivo deve pagar para continuar tornando-se o que é. Pink Floyd é uma banda em torno de um personagem ausente e ao mesmo tempo onipresente. Quatro alunos de arquitetura na Londres do final dos anos 1960 são acolhidos por um intelectual de esquerda decidido a dar expressão ao comunitarismo emergente. Dos quatro, foi Syd Barrett quem escreveu todas as letras dos dois primeiros álbuns. Insistindo na importância da equivalência entre força dramatúrgica e dimensão musical, introduzindo máquinas de retorno e ressonância nos shows e valorizando a experiência da luz e da iluminação. Não é uma coincidência que The wall – O filme tenha sido a única produção relevante na passagem do rock para o cinema.



Depois de um ano de estrada Syd Barrett enlouqueceu. Olhar perdido, impossibilidade de reconhecer seus colegas, sentimento de perseguição: o alheamento tão comum em outros astros que permanecem “produzindo rock” no interior de sua loucura deu lugar a notas fora de lugar dedilhadas durante os shows e desafinamentos. Permanecia sentado no palco durante toda a apresentação. Muitas bandas se viram privadas de seu gênio fundador, mas mesmo com a gradual entrada de Dave Gilmour o lugar de Syd jamais pôde ser esquecido. O “verdadeiro” Pink Floyd não está nem na formação original, nem nas sucessivas tentativas de se tornar independente, ora sob liderança de Roger Waters, ora sob domínio de David Gilmour – mas na impossibilidade de escapar do “I wish you were here” (Eu queria que você estivesse aqui).



Para um leitor de Jacques Lacan é fácil perceber que Pink Floyd está para a música como Joyce está para a literatura. Nos dois casos a produção artística é marcada por flutuação narrativa, rupturas de pensamento, descompasso entre música e letra, neologismos, experiências de radical estranhamento em relação ao corpo, com à linguagem e o outro. Aparecem epifanias, sentimentos de irrealidade, divergência entre saber e crença, sem falar nas alucinações e nos delírios. A psicose é “reapropriada” por uma forma de loucura produtiva.



Quando Barrett trouxe sua última composição Have you got it yet? (Já pegou?), cada vez que o grupo tentava executá-la Syd alterava a progressão de acordes e o ritmo, de tal forma que a própria performance definia-se por esta exclusão, deixando Roger Waters, Nick Mason e Richard Wright com a impressão de que não tinham “pego” a música. Have you got it yet? é uma dessas interpelações alusivas, tão frequentemente presentes na psicose, que nos fazem perguntar: “Mas pegar o que mesmo?”. E diante de nossa estúpida pergunta verificar que “ainda não pegamos”. É assim que Barrett está fora do discurso – mas não fora da linguagem. É assim que ele pode fazer parte de Pink Floyd como experiência de inclusão social da psicose, registro vivo de que há diferenças que não valem a pena serem esquecidas.



E aqui não se trata apenas da perda, da culpa e do luto pela incapacidade de mantê-lo como membro funcional de um grupo de rock, mas da pergunta radical que diz respeito ao que devemos fazer com as questões colocadas pelo que se inscreve em uma época, em uma cultura, em uma história, em uma banda. Pink Floyd mostra, tal como o caso de Antígona e das tragédias em geral, que há algo de universal nesta experiência particular de loucura. Algo que nossas leis e nossa forma de vida ainda não conseguem reconhecer, mas que acima de tudo precisa ser posto em toda extensão de sua contraditoriedade, criando o limite da liberdade, sem a qual ficamos mais pobres.

Texto publicado na Mente&Cérebro