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25 de outubro de 2011

Congresso da AMP: El orden Simbólico en el siglo XXI

Com a proposta de pensar a ordem simbólica no século XXI, o Congresso da AMP, que acontecerá de 23 a 27 de abril de 2012, é o evento imperdível do início do próximo ano.
Acompanhe as novidades no site: http://congresoamp.com/pt/template.php

E mais eventos!

 O segundo semestre vem com vários eventos de primeira qualidade para os interessados na psicanálise!
Segue abaixo a divulgação da XIII Jornadas de Formações Clínica do Campo Lacaniano, que acontecerá no Rio de Janeiro, do dia 25 ao 27 de novembro.




A CLÍNICA DO ATO
 

            “O ato psicanalítico é evidentemente, o que dá suporte e autoriza a realização da tarefa psicanalítica” (Lacan 29/11/1967). Definido como a intervenção do analista em uma análise, o ato analítico leva o sujeito a romper a repetição sintomática atingindo a estrutura que rege seu inconsciente. Diferentemente da ação, da motricidade, o ato é o que inscreve um saber e Lacan define o verdadeiro ato como uma transgressão (Lacan, 15/11/1967). Toda motricidade só tem valor de ato na medida em que promove uma mudança, como a ultrapassagem de um limiar para além da lei, um atravessamento da lei, mas é necessário “o ato analítico para iluminar o conceito de ato como tal” (idem). É também o analista com seu ato de corte que ilumina a face de “verdadeiro ato” contida no “ato sintomático” e revelada pelo “ato falho” da palavra.  Lacan situa o ato analítico como pivô do fazer do analista, e Freud nos ensina que no princípio era o ato, e o ato contém a palavra mágica que toca o real do sintoma.

       Há uma mudança no sujeito depois do ato, ele não é mais o mesmo de antes. A cada verdadeiro ato o sujeito morre e renasce de outra forma, o que faz Lacan afirmar que o verdadeiro ato, único bem sucedido é o suicídio. O ato poético é força sublimatória para criar a partir do registro da pura pulsão de morte, onde a abolição do sujeito se faz presente. O ato aponta para o âmago do ser, logo toca o gozo. O ato homicida, os assassinatos se dirigem ao gozo do Outro em uma manifestação de racismo, de impossibilidade de suportar a singularidade do gozar do outro, tanto quanto os atos genocidas. O ato político é a base da democracia e por fim como todo ato é sexual na medida em que é movido pela libido é  ele que aponta para o sujeito as raízes de seu gozo. O ato perverso tenta atingir a divisão do Outro e assim gozar com a possibilidade de driblar a castração. O ato sexual é a tentativa de fazer a relação sexual existir, e, de ato em ato, o sujeito escreve sua história.

        A ética da psicanálise concerne não ao pensamento ou às boas intenções, mas aos atos, e a clínica do ato revela a maneira neurótica sob a qual se apresenta a ética em um sujeito. De tal maneira que o sujeito vai da inibição, da postergação até uma precipitação em atuar, do ato de fazer ao de não fazer, da eterna avaliação dos fundamentos de seus atos com conseqüente paralisia à atuação no puro registro da pulsão, ou ainda situa-se na vacilação entre a inibição com a procrastinação do ato e a urgência, como demonstra, por exemplo, a clínica da neurose obsessiva.

       Na passagem ao ato, o sujeito se subtrai da cadeia significante e anula qualquer dialetização possível dos equívocos significantes, sua essência é a certeza. No acting-out o sujeito põe em jogo o real, trazendo para a cena algo que não pode ser dito, como no caso intitulado por Freud “a jovem homossexual”. Independente de qualquer interpretação e diferentemente do sintoma, o acting-out diz respeito a um resto que aponta a causa do sujeito.

      Se no âmago da análise está o ato analítico, cabe-nos perguntar como a psicanálise lida com o que justamente se faz presente fora da cadeia significante? São questões que Lacan nos propõe e que nos coloca a trabalhar o tema das nossas XIII jornadas de Formações Clínicas do Campo Lacaniano-Rio. Convidamos a todos para virem debater sobre os atos que implicam o sujeito entrelaçando o que nele é singular com o que o insere no socius.

Elisabeth da Rocha Miranda

Seminário no Corpo Freudiano: AMOR DE TRANSFERÊNCIA E PROCESSO DE SUBLIMAÇÃO


CORPO FREUDIANO ESCOLA DE PSICANÁLISE - SEÇÃO RIO CONVIDA PARA O SEMINÁRIO DE PSICANÁLISE:
POR UMA LEITURA POÉTICA DO AMOR DE TRANSFERÊNCIA E DO PROCESSO DE SUBLIMAÇÃO

Com o Psicanalista francês Jean-Michel Vivès, Professor de Psicopatologia Clínica e Psicanálise na Université de Nice-Sophia Antipolis, Membro da Association Insistance (Paris/Bruxelas) e autor de artigos publicados no Brasil.
O evento acontecerá no dia 1º de novembro de 2011, às 19:00h., no Auditório A do Hospital Phillipe Pinel, Rua Venceslau Brás, nº 65, Botafogo, Rio de Janeiro. (Haverá tradução consecutiva) 

 “O amor cortês, isto é, o amor no qual o objeto se ausenta como provedor de gozo, pode ser localizado como a interseção entre o amor e o desejo. A partir daí, faço a hipótese de que ele pode nos esclarecer sobre a condução do tratamento analítico e nos permitir compreender essa misteriosa passagem do amor, na qual se marca a insistência do gozo numa demanda, para o desejo que cava o lugar do sujeito e autoriza o aparecimento da sublimação”. J-M. Vivès

 Para se inscrever envie uma mensagem com o nome completo e o comprovante do pagamento da inscrição que é de R$ 35,00 para Profissionais e não associados e R$ 25,00 para Estudantes de Graduação e Associados do Corpo Freudiano para contato@corpofreudiano.com.br .
O depósito deverá ser efetuado na conta bancária da Escola: Banco Itaú, Agência 8163, conta 07578-4.

II Colóquio EBP-Rio: Sem pé nem cabeça: Como ler o sintoma no século XXI



 
SÁBADO, 5 DE NOVEMBRO DE 2011
CONVIDADO INTERNACIONAL: SERGE COTTET


Coordenadores: Paula Borsói e Marcus André Vieira.
Comissão Cientifica: Cláudia Henschel, Glória Maron e Maria Angela Maia.  
Comissão de Apoio: Ana Cláudia Jordão, Ana Luiza Rajo, Dinah Kleve, Juliana Prado e Rodrigo Nocchi.


Hotel Novo Mundo - Praia do Flamengo, 20 - Flamengo
Valor da inscrição: R$ 180,00
Alunos do ICP-RJ, estudantes de graduação, e profissionais da rede pública: R$ 100,00 (com comprovação).
Vagas limitadas

Informações e inscrições:
 EBP-RJ: Rua Capistrano de Abreu, 14 – Botafogo – Rio de Janeiro
(21) 2539-0960 ebprio@ebprio.com.br
(21) 2539-0960 ebprio@ebprio.com.br

26 de setembro de 2011

Dica de leitura: Anorexia mental e feminilidade

Anorexia mental e feminilidade é um texto de Simone Pencak e Angélica Bastos que eu recomendo para os que se interessam pelo tema. Como definido no seu resumo: "Pretende-se discutir a anorexia e sua incidência preponderante em jovens mulheres, extraindo da teorização da experiência indicações para a direção do tratamento psicanalítico. Discute-se a anorexia como sintoma contemporâneo e examina-se a hipótese de uma estratégia de paridade entre os sexos. A resposta anoréxica é articulada à problemática da sexuação no ensino de Jacques Lacan, sendo tal resposta circunscrita ao impasse relativo à inexistência do universal das mulheres."
O artigo foi publicado na Revista Ágora (vol. 12, nº2, Rio de Janeiro, 2009) e é uma grande dica de leitura!


Introdução
"A anorexia mental constitui um sintoma que interroga o psicanalista em sua prática, para além de qualquer afirmação de que estejamos assistindo na atualidade a um aumento no número de pacientes anoréxicas, tanto nos consultórios quanto nas instituições de atenção à saúde.
As descrições clínicas da anorexia remontam a 1689, apesar de os termos 'anorexia nervosa' ou 'anorexia histérica' só terem aparecido na literatura especializada por volta do ano de 1870, com os trabalhos de William Gull e Charles Lasègue (BIDAUD, 1998, p.15-16). Cabe apontar que as descrições deste último são bastante precisas, não só do ponto de vista dos fenômenos, mas também quanto à apreensão de uma dinâmica psíquica particular em jogo na condição desses doentes. Daí, Lasègue referir-se a um "otimismo inexpugnável", a um "consentimento patológico" e ao surpreendente fato de que a paciente "não suspira pela cura, mas se compraz na sua condição, apesar de todas as restrições que esta lhe suscita" (LASÈGUE apud BIDAUD, 1998, p.17).
Mais recentemente, observa-se que à descrição psiquiátrica clássica do quadro patológico - incluindo em geral a recusa alimentar derivada de fatores mentais ou "nervosos", emagrecimento importante e amenorreia -, acrescentou-se o dado fenomênico de um transtorno da imagem corporal, sendo este último promovido ao estatuto de fator patognomônico, quando não etiológico, da doença. A partir daí, tem se tentado inferir que a anorexia mental seria um sintoma contemporâneo vinculado ao ideal de corpo magro vigente na sociedade atual. Veremos mais adiante os limites e contradições dessa concepção. 


Quanto ao campo psicanalítico, notamos que as indicações freudianas são raras e esparsas. Encontra-se o sintoma anoréxico das jovens meninas ora como "uma forma de melancolia nos sujeitos de sexualidade não inteiramente desenvolvida" (FREUD, 1895/1986, p.240) - sendo a perda de apetite relacionada à perda de libido -, ora como neurose que ocorre "nas meninas na época da puberdade ou pouco depois, e que exprime a aversão à sexualidade por meio da anorexia", devendo "ser vinculada com a fase oral da vida sexual" (FREUD, 1918 [1914]/1986, p.97). Perda de libido de um lado, aversão à sexualidade do outro, a perspectiva freudiana oscila entre uma aproximação da anorexia com a melancolia e sua inclusão no campo da histeria.
Não deve passar despercebido que o sintoma anoréxico, tanto nas descrições da psiquiatria clássica quanto na obra freudiana, aparece como um sintoma feminino por excelência, um sintoma que atinge particularmente mulheres, e em especial mulheres jovens, fato comprovado por diversas pesquisas médicas. Cabe nesse momento a pergunta que nos parece fundamental: qual será a razão dessa esmagadora incidência em mulheres jovens?
As contribuições lacanianas ao tema dizem respeito à dialética da demanda e do desejo. Seguindo esta orientação, adotamos a designação 'anorexia mental', que põe em relevo a dimensão da recusa ao objeto da necessidade e ao Outro da demanda. Se "é a criança alimentada com mais amor que recusa o alimento e usa sua recusa como um desejo (anorexia mental)" (LACAN, 1958/1998, p.634), é porque a recusa do alimento visa fazer surgir o que está para além da demanda alimentar, ou seja, o desejo do Outro. E também, como escreve Lacan em forma de pergunta, "a criança, ao se recusar a satisfazer a demanda da mãe, não exige que a mãe tenha um desejo fora dela, porquanto essa é a via que lhe falta rumo ao desejo"? (LACAN, 1958/1998, p.634)
Além disso, verifica-se um empenho no ensino lacaniano em vincular a anorexia mental a um "comer nada", diferenciado radicalmente de "uma negação da atividade", de um "não comer". "Graças a este nada, ela (a criança) faz a mãe depender dela" (LACAN, 1956-1957/1995, p.189), em uma manobra que inverte a relação inicial de dependência do sujeito em relação ao Outro materno, a recusa alimentar coloca em jogo o "nada" como objeto separador.
Recalcati propõe situar "uma clínica diferencial da anorexia" por meio da distinção de dois estatutos do "nada" e, assim, "esboçar uma clínica diferencial do nada". Um primeiro comer "nada" estaria ligado à histeria, portanto à neurose, em que a recusa alimentar vale como suporte e escudo do desejo, em oposição à demanda sufocante do Outro, visando fazer surgir o signo do amor no Outro. Trata-se, nesse primeiro caso, de uma operação de "separação contra alienação", ou seja, a anoréxica buscaria desvincular-se da operação subjetiva estrutural da alienação ao campo da linguagem, ao campo do Outro, através de uma "pseudo-separação" (RECALCATI, 2001, p.28, 29; e também: SILVA & BASTOS, 2006, p.105).
O segundo "nada", associado por Recalcati ao princípio de nirvana freudiano, à pulsão de morte, seria mais uma anulação do desejo, uma "redução do desejo a nada", e estaria então ligado às "formas graves de anorexia", "estruturalmente psicóticas" (RECALCATI, 2001, p.26-36).
Nesse ponto, caberia introduzir algumas perguntas relativas, de início, às próprias formulações de Lacan sobre a anorexia. As proposições lacanianas mencionadas referem-se à anorexia da criança em sua relação com a demanda materna. Haveria uma continuidade lógica entre a anorexia infantil e a anorexia que aparece na puberdade, especialmente em meninas? Seria a anorexia da puberdade uma reatualização da anorexia infantil? A experiência clínica parece contradizer de certo modo essa hipótese, no sentido em que, em grande parte dos casos nos quais o sintoma aparece na puberdade, observamos que não há a contrapartida de um período significativo de anorexia infantil na história do sujeito.
Por outro lado, quanto às contribuições de Recalcati, poderíamos avançar as seguintes interrogações: em primeiro lugar, não será uma "pseudo-separação" o que se opera no sintoma neurótico como tal, e não apenas no sintoma anoréxico? Parece-nos que é exatamente sobre essa "pseudo-separação" promovida pelo neurótico que irá incidir a intervenção analítica. Em segundo, o que diferencia "a nirvanização do sujeito", correlativa ao segundo "nada" referido pelo autor - "pura expressão da pulsão de morte" (RECALCATI, 2001, p.34) -, do negativismo do sujeito melancólico?
A expressão "meninas jovens" que encontramos tanto nas descrições psiquiátricas clássicas da anorexia quanto na obra freudiana nos encaminha para um exame do sintoma anoréxico em sua articulação com a questão da feminilidade.
Nossa proposta, neste trabalho, é abordar a anorexia mental como uma resposta particular de alguns sujeitos aos problemas colocados pelo desejo e pelo gozo femininos. Partimos da experiência clínica em que se verifica a incidência do sintoma em mulheres, sobretudo na fase da puberdade. Pretendemos também avançar uma discussão a respeito da contemporaneidade do sintoma anoréxico, e sobre as particularidades da direção do tratamento. (...)"


Confira o artigo na íntegra aqui!

8 de setembro de 2011

A Dangerous Method, de Cronenberg

A Dangerous Method, de David Cronenberg, é aplaudido como favorito ao Leão de Ouro. Em artigo num site sobre cinema é descrito como: "um intenso drama, com pitadas de ambição, orgulho e até perversão sexual, em torno de um trio de personagens verídicos."
Estamos aguardando!

Curso: TRANSTORNOS ALIMENTARES E OBESIDADE em SP

O Proata - programa do serviço universitário do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM,) que oferece assistência especializada a adolescentes e adultos com anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno da compulsão alimentar periódica - oferece, mais uma vez, o Curso Introdutório sobre Transtornos Alimentares.
Veja a programação!