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7 de agosto de 2013

Novo site no ar!

Site reformulado!

Fique por dentro dos eventos sobre Psicanálise, vídeos, textos e artigos! Acompanhe a programação de estudos, seminários e atividades!

http://fernandapimentel.com.br




11 de julho de 2013

Mostra Quentin Tarantino no CCBB


Na semana que vem, vai chegar ao Rio a Mostra Quentin Tarantino, no CCBB. Serão exibidos todos os filmes do cineasta, incluindo suas participações como ator e produtor, totalizando 19 títulos. 
E outra boa notícia é que o Cinepasse sai por R$6 ou 3 (meia) e vale pra TODOS os filmes da mostra! 

De 17 a 29 de Julho
*O CCBB agora não abre às TERÇAS
R$ 6 e R$ 3 (meia) – Você só paga uma vez para ir a todas as sessões!*
*CINEPASSE : Válido por 30 dias, para acesso às mostras de cinema, por meio de senhas. As senhas deverão ser retiradas 1 hora antes decada sessão (eu nunca tive problemas pra retirar mais perto da sessão começar, desde que hajam lugares livres, claro).

Programação Completa

17 de julho – quarta-feira
14h30 – Amor à Queima-Roupa (1993), 120 min, DVD, 16 anos
17h – Cães de Aluguel (1992), 99 min, 35mm, 18 anos
19h - Tarantino’s Mind (2006), 15 min, DVD, 14 anos + Pulp Fiction – Tempo de Violência (1994), 154 min, 35mm, 18 anos

18 de julho – quinta-feira
15h30 – Assassinos por Natureza (1994), 118 min, 35mm, 18 anos
18h – O Albergue (2005), 100 min, DVD, 18 anos
20h – O Albergue 2 (2007), 93 min, DVD, 18 anos

19 de julho – sexta-feira
14h – Dance me to the End of Love (1995), 6 min, DVD, 14 anos + Grande Hotel (1995), 98 min, 35mm, 16 anos
16h – Jackie Brown (1997), 154 min, 35mm, 16 anos
19h – Django Livre (2012), 145 min, 35mm, 16 anos

20 de julho – sábado
14h30 – Um Drink no Inferno (1995), 108 min, 35mm, 18 anos
17h – Um Drink no Inferno 2 : Texas Sangrento (1999), 96 min, DVD, 18 anos
19h – Sin City – A Cidade do Pecado (2005), 124 min, 35mm, 16 anos

21 de julho – domingo
14h30 – Kill Bill: Vol.1 (2003), 110 min, 35mm, 18 anos
16h30 – Kill Bill: Vol.2 (2004), 136 min, 35mm, 16 anos
19h – Bastardos Inglórios (2009), 153 min, 35mm, 18 anos

22 de julho – segunda-feira
15h – Jackie Brown (1997), 154 min, 35mm, 16 anos
18h30 – Grindhouse – À Prova de Morte + Planeta Terror , 191 min, Bluray, 18 anos

24 de julho – quarta-feira
14h30 – O Albergue (2005), 100 min, DVD, 18 anos
16h30 – Sin City – A Cidade do Pecado (2005), 124 min, 35mm, 16 anos
19h – Bastardos Inglórios (2009), 153 min, 35mm, 18 anos

25 de julho – quinta-feira
16h – O Albergue 2 (2007), 93 min, DVD, 18 anos
18h – Cães de Aluguel (1992), 99 min, 35mm, 18 anos
20h – Kill Bill: Vol.1 (2003), 110 min, 35mm, 18 anos

26 de julho – sexta-feira
15h – Um Drink no Inferno (1995), 108 min, 35mm, 18 anos
17h – Dance me to the End of Love (1995), 6 min, DVD, 14 anos + Amor à Queima-Roupa (1993), 120 min, DVD, 16 anos
19h30 – Kill Bill: Vol.2 (2004), 136 min, 35mm, 16 anos

27 de julho – sábado
15h – Um Drink no Inferno 2 : Texas Sangrento (1999), 96 min, DVD, 18 anos
17h – Pulp Fiction – Tempo de Violência (1994), 154 min, 35mm, 18 anos
20h – À Prova de Morte (2007), 114 min, 35mm, 16 anos

28 de julho – domingo
15h30 - Grande Hotel (1995), 98 min, 35mm, 16 anos
17h30 – Assassinos por Natureza (1994), 118 min, 35mm, 18 anos
20h – Planeta Terror (2007), 92 min, DVD, 18 anos

29 de julho – segunda-feira

14h - Pulp Fiction – Tempo de Violência (1994), 154 min, 35mm, 18 anos
17h – Django Livre (2012), 145 min, 35mm, 16 anos
20h – Tarantino’s Mind (2006), 15 min, DVD, 14 anos + Cães de Aluguel (1992), 99 min, 35mm, 18 anos

4 de julho de 2013

XXII Jornadas Clínicas da EBP-Rio - Nós e o corpo: enlaces e desenlaces na psicanálise hoje



Argumento
Ao falarmos do Corpo na Psicanálise uma pergunta se impõe: que corpo é esse que a psicanálise aborda? O corpo tende a ser tomado em nosso campo via oposição entre corpo imaginário (do espelho) e o corpo simbólico (que porta as mensagens histéricas, por exemplo). Todavia, o ultimíssimo ensino de Lacan nos faz pensar no corpo real. Um corpo que porta um gozo repetitivo e insensato. O corpo da iteração do Um, da repetição da letra de gozo. Por aí pensamos que abordar o corpo implica em enodar essas perspectivas. Não poderíamos deixar de considerar como o corpo se apresenta na clínica hoje: 'bombado', tatuado, "sarado", anorexico, compulsivo, medicalizado, mutilado, etc... e especialmente mudo, num mundo pleno de tagarelice. Nossa questão é como abordar esses corpos com nosso instrumento de palavras. Sem cairmos no empuxo ao esvaziamento simbólico da época, como podemos afetar esse corpo de gozo? Outras linguagens como a arte, a filosofia, a ciência e a educação, têm também seus embates e suas formas de expressar as questões postas pelo corpo. Seus respectivos modos de tratar aspectos como a beleza, a potencia, a fragilidade e a finitude, e suas possíveis interseções com a psicanálise são temas que queremos tratar. Para isso convidamos a todos os interessados a participarem das XXII Jornadas Clínicas da EBP-Rio e do ICP-RJ, a se realizarem nos dias 25 e 26 de outubro de 2013 na Casa de Espanha.

Informações Gerais
Data: 25 e 26 de outubro de 2013
Local: Casa de Espanha, Rua Maria Eugênia, 300 - Humaitá.
Envio de trabalhos: até o dia 08 de setembro de 2013. O envio será feito pelo site das XXII Jornadas a partir do mês de agosto. Limite de caracteres (com espaço): 6000.
Inscrições e informações: na secretaria da EBP-Rio e do ICP-RJ, na Rua Capistrano de Abreu, 14 – Botafogo. Tel.: 2539 0960.

X Simpósio do Programa de Pós-Graduação em Psicanálise da UERJ - "Psicanálise e saúde: entre o Estado e o sujeito"

Veja a convocatória



"Psicanálise e saúde: entre o Estado e o sujeito" 
O tema do simpósio visa um campo que nos convoca, no presente, em razão de embates clínicos e políticos que não cessam de se acentuar. No campo das práticas e políticas públicas de saúde, que historicamente suportou a interlocução com a Psicanálise, deparamo-nos hoje - por uma série de circunstâncias ideológicas, políticas e econômicas - com a ameaça de um crescente alheamento em face de determinados fatores que se apresentam. Destes, destacamos a imposição de protocolos universalizantes que constrangem a atuação de cada um, o recrudescimento de iniciativas normatizadoras, os ideais de prevenção e securitários e a mística da eficácia e da gestão que se sobrepõe à ética e à política. Tais circunstâncias têm por pano de fundo um momento crucial do capitalismo, como se observa com a imposição à sociedade do pagamento do saldo deixado pela implementação de uma lógica financeira que rechaça sua própria impossibilidade. A crise que o capital gestou, no lugar de aventar limites a tal lógica, exige sacrifícios à sociedade no que se refere a conquistas arduamente consolidadas na esfera pública. A interrogação que deve ser permanente quanto às possibilidades de a Psicanálise operar no campo da saúde precisa levar em conta, então, a incidência nos discursos que compõem tal campo destes fatores que elencamos. Isto implica interpelar renovadamente as próprias noções que o fundamentam - saúde? público? - e o lugar do Estado. Como norte para este trabalho, o conceito de sujeito é proposto como divisa da Psicanálise, como ponto de sustentação da inserção de outro discurso no debate. As inflexões que se identificam no campo da saúde não deverão implicar, assim, do lado da Psicanálise, nem resignação nem simples rechaço. A fazermos jus à sua tradição, deverá implicar o despertar de um trabalho consequente.


Maiores informações: http://www.cepuerj.uerj.br/desc_eventos.aspx?evento=26

Já enviei uma proposta de mesa redonda junto com Adriana Lipiani e Claudia Henschel de Lima intitulada Toxicomania e Anorexia: manifestações no corpo dos excessos pulsionais.

2 de julho de 2013

"Diga-me o tamanho de seus seios e a brancura de seus dentes..."

Texto publicado no site do VI ENAPOL - VI Encontro Americano de Psicanálise de Orientação Lacaniana e XVIII Encontro Internacional do Campo Freudiano, que nos convoca a pensar a ralação dos sujeitos com seus corpos na atualidade. 

O Encontro, que tem como tema Falar com o Corpo: A crise das normas e a agitação do Real, acontece em novembro em Buenos Aires 

Cosmos cosmética
Jorge Castillo

"O homem intervém sobre seu corpo de forma similar àquela em que os artistas intervêm sobre os objetos cotidianos: o pintam, o cortam, o perfuram, o atravessam, o queimam, lhe acrescentam outros objetos.
Isto é assim em todas as civilizações, desde que o homem é homem, ou seja, desde que existe a linguagem. Não se trata de um fenômeno isolado, mas de um fato de estrutura. Há uma insuficiência da imagem do corpo em responder à pergunta: "Quem sou?". A cosmética pode, então, funcionar como uma espécie de ortopedia para nos reconhecermos no olhar do Outro. Uma ajudinha para a identificação. Para fazer o amor e a guerra. Como uma velhinha que dizia haver começado a pintar os lábios para que não a confundissem com um velhinho.
A cosmética pode também servir para se fazer passar pelo que não se é ou para escapulir sem ser visto. Para enganar o Outro, para causar seu desejo, sua ira ou seu temor. Trata-se de uma satisfação ligada à imagem do corpo que a cosmética pode ajudar a dialetizar, a entrar no jogo significante fazendo signo das marcas nesse corpo.
Na era da biopolítica, entretanto, assistimos a fenômenos nos quais é difícil encontrar os traços da significação. Os desenvolvimentos da cirurgia, a engenharia genética e a química farmacológica produzem novos tipos de intervenções sobre o corpo que é agora a mercadoria privilegiada. Diga-me o tamanho de seus seios, a brancura de seus dentes ou o comprimento de seu cabelo e lhe direi quem você é e quanto vale. Eu o direi...! Ao menos por um instante! Compram-se e vendem-se identificações descartáveis com corpos que se deformam à vontade. No falso discurso do capitalismo a gama sem fim de objetos postiços se oferece como a sutura mágica para a ferida mais profunda.

Fotografia: Helmut Newton 

Mais além dos ideais plásticos do mercado encontramos, também, um uso desaforado desses objetos. Deformações, em alguns casos, monstruosas, que parecem se incluir em um tratamento do gozo que não conta com o falso furo da castração pela qual o Nome-do-Pai dá consistência ao corpo.Afazeres do corpo sobre o corpo, círculo sem fim na qual uma cirurgia convoca outra.
Não existe a opção: divã ou bisturi, entretanto, no que diz respeito à psicanálise, as manipulações químico-cirúrgicas podem tomar o valor de acontecimento de corpo com a condição de que isso se enlace com a língua de cada um. O espaço analítico com seu artifício de palavra posta em transferência vale dizer, a palavra que pode recortar um objeto, restitui ao sujeito um corpo para gozar. É uma chance para fazer da vida uma experiência um pouco mais suportável com um uso inédito e singular da cosmética."


31 de maio de 2013

Super dica!

Link para downloads de livros!

Tem de tudo: Obra Completa Freud, Seminários de Lacan, Bauman, Beauvoir, 
Aristóteles, Kant, Deleuze, Foucault, Derrida, Guattari, Hegel, Heidegger, Koyré, Lévi-Strauss, Sartre, Nietzsche, Schopenhauer, Bergson, ...




Agora não tem mais desculpa para não ler!
Clique aqui para ver a lista de títulos disponíveis. 

Entrevista


Entrevista que concedi ao site Lacaneando em abril de 2013

"A Psicanalista Fernanda Pimentel fala sobre o Transtorno Dismórfico Corporal (TDC) e os Transtornos Alimentares e quais os tratamentos disponíveis para tratar esses males do mundo moderno.

Lacaneando – O que é imagem corporal e quando a preocupação com um defeito no corpo pode ser chamado de Transtorno Dismórfico Corporal (TDC) ou Dismorfobia?
Fernanda Pimentel – A imagem corporal é a forma como compreendemos nosso corpo, ou seja, como percebemos a nós mesmos. Essa imagem será influenciada pelo meio em que vivemos e pelas situações que enfrentamos. Esse conceito tem demonstrado sua complexidade por se tratar de avaliações perceptivas do esquema corporal, mas atravessadas pelas dimensões afetivas e sociais.
O Transtorno Dismórfico Corporal é um transtorno psicológico caracterizado pela preocupação obsessiva com o corpo, com a imagem como um todo, com o peso ou com algum detalhe, defeito inexistente ou mínimo, sendo esse aspecto obsessivamente imaginado ou acentuado excessiva e desproporcionalmente.
O limite entre uma preocupação excessiva e uma patologia é muito tênue. Numa época onde a preocupação com a aparência se destaca pelos excessos, onde é comum o uso exagerado de cosméticos e intervenções cirúrgicas, dietas inconsequentes e exercícios exagerados, fica difícil identificar onde começa a patologia. Penso que quando estas preocupações começam a afetar outros aspectos da vida, como o convívio social, trabalho e relacionamentos ou alterar drasticamente a rotina de exercícios e alimentação, já sugerem a presença deste transtorno.
Lacaneando – Qual a maior fase de incidência de TDC e por que? Quais comportamentos sugerem que uma pessoa esteja sofrendo de TDC?
Fernanda Pimentel – Os sintomas relativos à imagem corporal são observados com mais frequência nos adolescentes, de ambos os sexos, estando relacionada com as transformações ocorridas na puberdade. Mesmo assim, pode ocorrer também em adultos e, neste caso, é mais comum em mulheres, embora também seja encontrado em homens.
Excessos de tratamentos estéticos, dietas e exercícios exagerados e, como foi mencionado, prejuízo nos relacionamentos pessoais são comportamentos que sugerem o TDC.
É importante lembrar que o Transtorno Dismórfico Corporal não indica, necessariamente, um Transtorno Alimentar, embora um Transtorno Alimentar sempre remeta a uma preocupação excessiva com o corpo ou até mesmo ao Transtorno Dismórfico Corporal.
Lacaneando – O que são os transtornos alimentares (anorexia, bulimia e transtorno da compulsão alimentar periódica) e como detectá-los? Onde as pessoas que sofrem com esses transtornos podem buscar apoio?
Fernanda Pimentel – Os Transtornos Alimentares são alterações do comportamento alimentar e estão descritos nos DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual, IV edition) e CID-10 (Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição) sob a forma de Anorexia Nervosa, Bulimia Nervosa e Transtornos Alimentares Sem Outra Especificação (TASOE), onde se encontra o Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica.


No Rio de Janeiro existem núcleos de atendimento na UFF e na Santa Casa de Misericórdia.

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Lacaneando – Quais os sintomas ou critérios para identificar, por exemplo, uma anorexia nervosa, a bulimia nervosa e TCAP?
Fernanda Pimentel – Os atuais sistemas classificatórios de transtornos mentais ressaltam duas entidades nosológicas principais: a Anorexia Nervosa e a Bulimia Nervosa.
A anorexia é caracterizada pela recusa alimentar e drástica perda de peso, associados ao medo de engordar, distúrbio de imagem corporal e amenorréia.
A Bulimia é caracterizada pelo episódio de compulsão alimentar (ingestão de grande quantidade de alimento em pouco tempo, associado a um sentimento de falta de controle sobre o comportamento alimentar), seguido por métodos compensatórios (ou purgativos) que visam evitar o ganho de peso, como vômitos, uso de laxantes e diuréticos. O medo mórbido de engordar e os distúrbios de imagem também estão presentes.
Embora classificados separadamente, os dois transtornos acham-se intimamente relacionados por apresentarem psicopatologia comum: uma ideia prevalente envolvendo a preocupação excessiva com o peso e a forma corporal, que leva as pacientes a se engajarem em dietas extremamente restritivas ou a utilizarem métodos compensatórios para alcançarem o corpo idealizado.
A Compulsão Alimentar Periódica se enquadra no grupo dos Transtornos Alimentares Sem Outra Especificação (TASOE). Esta é descrita como um transtorno caracterizado pela prevalência destes mesmos episódios de compulsão alimentar (ingestão de grande quantidade de alimento em pouco tempo, associado a um sentimento de falta de controle), contudo, sem a utilização de método compensatórios, como na Bulimia, o que leva ao ganho de peso.
Lacaneando – Podemos pensar nos sintomas que acometem o corpo como uma tentativa de fuga? Ou seja, no corpo recusado da anoréxica e no corpo estranho da bulímica? Afinal, o que o sintoma anoréxico sustenta?
Fernanda Pimentel – Não necessariamente uma fuga. Pode ser uma forma de barrar uma figura materna invasiva, uma forma de convocar o outro ou até mesmo uma forma de sustentar algo que foi impossível de ser feito através das palavras, por exemplo.
O mais importante é investigar, caso a caso, o que aquele sintoma sustenta.
olho2
Lacaneando – O que a paciente anoréxica mostra através do seu sintoma? O que a psicanálise pode dizer da anorexia?
Fernanda Pimentel – A psicanálise prioriza o diagnóstico diferencial entre neurose e psicose a partir de um critério estrutural. Partindo deste ponto, priorizamos a estrutura que sustenta o sintoma, já que um mesmo sintoma – a recusa alimentar anoréxica – se constitui de forma diferente em se tratando de estruturas distintas. Dessa forma, o que é levado em consideração no diagnóstico estrutural em psicanálise é o modo como o sintoma se constitui e sua função, e não o fenômeno evidenciado. Em outras palavras, não é fenômeno sintomático que nos guia, mas a estrutura de funcionamento psíquico.
Alguns autores psicanalistas vêm trabalhando hipóteses que afirmam que o sintoma anoréxico contradiz o conceito de sintoma clássico postulado pela psicanálise clássica freudiana. Se na época de Freud o sintoma foi definido como retorno de uma mensagem e uma função de tratamento da angústia, nos dias atuais, o que se apresenta na clínica são sintomas que apontam a invasão da pulsão de morte e a pregnância de um supereu feroz e avassalador. Diferente do sintoma como mensagem, o que vemos na clínica atual é uma variedade sintomática referida à invasão pulsional no corpo não barrada pela ação do recalque, visto que este desempenha sua função de forma precária.
Lacaneando – No caso dos homens, os sintomas, o quadro clínico e a resposta ao tratamento são os mesmos encontrados nas mulheres? Quais as particularidades de cada sexo?
Fernanda Pimentel – Os homens são minoria quando se fala em Transtornos Alimentares, mas estes números têm aumentado. A incidência em mulheres é estimada em 8 a cada 100 mil indivíduos, enquanto em homens seria de 0,5 a cada 100 mil. Os homens apresentam menos comprometimento em relação a auto imagem e em função disso a reposta ao tratamento pode ser melhor.
Lacaneando – O que dizer sobre os grupos de adolescentes anoréxicas e bulímicas que se reúnem em blogs e comunidades para se apoiar e competir na permanência do sintoma, a exemplo do Pró Ana/Pró Mia?
Fernanda Pimentel – Elas fazem um trabalho na contramão do nosso… Os Blogs e sites pró Anorexia e Bulimia criam um laço social e alimentam a manutenção do sintoma. É inquestionável a nocividade destes conteúdos.
Mas sempre que me pergunto sobre os perigos destes blogs, penso nas revistas femininas, principalmente as sobre moda e corpo, e questiono se estes conteúdos são tão diferentes assim… É claro que as revistas vendidas em banca de jornal não defendem a anorexia como estilo de vida, como os blog pró ana e mia, mas não ficam muito atrás no que diz respeito ao culto da magreza ou estímulo de uma cultura lipofóbica e autoritária, onde as diferenças não tem vez.
Lacaneando – Quais os tratamentos disponíveis para tratar esses males do mundo moderno? Os medicamentos sozinhos dão conta desses distúrbios ou deve-se buscar uma associação que também inclua tratamentos psicoterapêuticos e análise, logicamente, levando-se em conta, a singularidade de cada caso?
Fernanda Pimentel – Com certeza somente o tratamento farmacológico não dá conta de aplacar os mal-estares da contemporaneidade. Na verdade, não há um medicamento específico para anorexia ou bulimia, mas os antidepressivos são usados habitualmente, porque essas pacientes costumam apresentar também sintomas relativos à depressão.
O que se recomenda é um acompanhamento multidisciplinar, com psicólogos, nutricionistas e psiquiatras atuando em conjunto.
olho3
Lacaneando – Você acredita que o mundo moderno, com todos os seus mal-estares, como o culto exagerado ao corpo, o stress, a depressão, tem ajudado a agravar esses transtornos?  Essas novas formas de mal-estar - anorexias, bulimias, síndromes do pânico, toxicomanias, depressões, entre outros – desafiam a prática clínica psicanalítica com uma organização sintomática cheia de especificidades. A agressividade do próprio sintoma que se evidencia na deterioração e mortificação do corpo e uma defasagem simbólica que aparece na clínica como uma extrema dificuldade de dizer sobre o que se sente, apresentam um terreno árido para o analista trabalhar?
Fernanda Pimentel – Com certeza a época atual pode agravar estes sintomas, mas é fundamental não atribuir as causas destes sofrimentos apenas à cultura e ao estilo de vida. O que determina um sintoma é a economia pulsional envolvida.
Estas novas formas de mal-estar aplacam o corpo em atravessar o registro simbólico. O terreno árido é justamente esta defasagem simbólica que fica evidente na clínica como uma dificuldade de articulação simbólica, de um recuo da cadeia associativa, ou dito de outra forma, de falar e questionar sobre o próprio sofrimento. Nestes casos o sujeito só sente.

Fernanda Pimentel é Psicanalista, graduada em Psicologia, com Mestrado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise pela UERJ e Especialização em Psicanálise e Laço Social pela UFF. Atualmente é integrante do LAPSICON – Laboratório de Pesquisa das Psicopatologias Contemporâneas – UFF CNPq. 
Atendimento clínico de crianças, adolescentes e adultos em Niterói (Icaraí) e no Rio de Janeiro (Copacabana), coordenação de grupos de estudos, seminários e supervisão clínica.
Contato: (21)8123-1472