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23 de maio de 2014

Eu, Hilda Hilst: 15 abortos, 150 cães, 15 mil seguidores no Facebook

Que grandes pensadores, escritores e cientistas se tornaram fenômenos pop a partir do Facebook, não é novidade para ninguém. Freud Sagaz, Clarice Lispector, (1.406.571 pessoas curtiram esse tópico!!!) Sagan Irônico, Caio Fernando Abreu, Virginia Woolf... Com Hilda Hilst Não seria diferente!
Veja a matéria em Obvios.

"Hilda Hilst: 15 abortos, 150 cães, 15 mil seguidores no Facebook

Filha de pai esquizofrênico, um dos maiores medos de Hilda Hilst era ficar louca. Se soubesse que, dez anos depois de morta, sua página no Facebook teria mais de 15 mil seguidores, e que sua obra, relançada, venderia mais de 1.500 exemplares em apenas duas semanas, por certo a poetisa pensaria que finalmente enlouqueceu.





Fernando Pessoa previu em um dos seus mapas astrais que ficaria famoso somente após 50 anos de sua morte. Em língua portuguesa ele teve apenas um livro publicado em vida: “Mensagem”, de 1934. Pessoa morreria no ano seguinte e só em 1985, por ocasião dos festejos pelo cinquentenário de sua morte, o poeta alcançaria a glória merecida (graças também à edição de seus poemas em inglês e à publicação do “Livro do desassossego”, diga-se de passagem, um texto em prosa).
Hilda Hilst, embora tenha feito experimentos extra-sensoriais exóticos - como tentativa de contato com o além via ondas de rádio - não previu nada, mas aconteceu. Após 10 anos de sua morte, a escritora brasileira é celebrada (e consumida) como nunca fora em vida - o que não quer dizer que não tenha alcançado reconhecimento enquanto ainda era viva.
Se estivesse entre nós, certamente Hilda se surpreenderia com os números que atualmente são associados ao seu nome: 15 mil seguidores numa página no Facebook, 1.500 livros vendidos através da loja virtual Obscena Lucidez (de Daniel Fuentes, herdeiro de sua obra) em menos de duas semanas e 23 livros relançados pela Globo Livros neste ano.
Há quem diga que sua poesia é mediana, porém, ninguém contesta o seu magnetismo pessoal, ousadia e audácia."

Veja o post completo aqui:  http://lounge.obviousmag.org/monica_montone/2014/05/superlativa-hilda-hilst-15-abortos-150-caes-15-mil-seguidores-no-facebook.html


E também: http://kultme.com.br/kt/2014/02/10/hilda-hilst-e-o-espaco-de-pensar-o-humano/



Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ  e pesquisa sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.
http://fernandapimentel.com.br

11 de abril de 2014

Remédios contra o amor

"Tão bom morrer de amor! e continuar vivendo..." A célebre frase de Mario Quintana que sempre inspirou os mais românticos não faz mais sentido na era da supermedicalização onde qualquer sofrimento merece ser tratado. 

Reduzindo o amor à reações hormonais, equipe de cientistas defende o tratamento farmacológico para curar esse sentimento e evitar sofrimento e desilusões.  Mas o que será que vai acontecer se tomarmos um comprimido a cada vez que as nossas relações não estiverem dando certo?   


O amor pode ter cura

Cientistas propõem o uso de remédios e de outras intervenções para acabar com o sentimento quando ele traz mais sofrimento do que alegria


É difícil encontrar alguém que nunca sofreu por amor. E que no auge de sua dor não tenha imaginado como seria ótimo se existisse uma pílula, algo que pudesse ser comprado logo ali, na farmácia, para acabar com o sofrimento. Na opinião de um respeitado time de cientistas, esses remédios existem. Alguns já estão disponíveis, outros em estudo. Juntos, eles formam um arsenal capaz de curar amor – e devem começar a ser usados sempre que necessário. A proposta está sendo feita por pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, uma das mais renomadas do mundo. Por seu teor polêmico, a proposição iniciou um grande debate entre os cientistas sobre a oportunidade de se recorrer a recursos para encerrar um amor – seria mesmo adequado tratar o sentimento como se lida com uma gripe, uma gastrite? – e as consequências éticas que podem advir do uso do que os estudiosos ingleses estão chamando de biotecnologia antiamor.


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No olhar do grupo de Oxford, porém, trata-se de lidar com o tema sob uma perspectiva diferente da convencional. Existe o amor de Platão, de Shakespeare. Fala-se aqui do ideal, do sentimento arrebatador, que nasce sem muita explicação e gera histórias inesquecíveis. E existe o amor entendido pela ciência. Nesse caso, não há espaço para romantismo. A emoção seria produto de respostas fisiológicas desencadeadas no cérebro a partir de um estímulo. Sua geração faria parte do arcabouço de emoções que a espécie humana desenvolveu ao longo de sua evolução com o objetivo de garantir sua sobrevivência. O medo, por exemplo, nos ajudou a ter reações de fuga diante de predadores. O amor, por sua vez, foi o sentimento que garantiu a continuidade da reprodução da espécie. E hoje, defendem os cientistas, é possível interferir nas etapas desse processo com a finalidade de interrompê-lo. “A neurociência está nos apresentando um entendimento novo do amor”, disse à ISTOÉ o pesquisador Brian Earp, de Oxford, coordenador do grupo que estuda os tratamentos para o sentimento. “Portanto, se pensarmos que ele é algo que emerge da química cerebral, começa a fazer sentido falar em cura.”

Veja a matéria na íntegra aqui 

Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ  e pesquisa sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.
http://fernandapimentel.com.br

9 de abril de 2014

Evento gratuito no Espaço Revista Cult, em São Paulo

O Legado de Lacan

 

  • Jacques Lacan nasceu em 13 de Abril de 1901. Depois de 113 anos o legado de seu ensino permanece vivo na cultura. Os efeitos da renovação clínica e teórica que ele introduziu na psicanálise e na crítica social ultrapassaram em muito o cenário francês e europeu. Hoje temos um Lacan no Brasil. Seria ele mais um caso de ideias e práticas fora de lugar? Mais um capítulo de nosso desejo de província? Ou já podemos falar de um Lacan à brasileira.
    Para marcar a data e avaliar o impacto de Lacan em São Paulo convidamos psicanalistas a trazer um breve testemunho de como seu estilo marcou o percurso formativo de cada um e "em que pé estamos" com Lacan.
    Dia 16/4
    Às 20h
    Entrada Gratuita, inscrições pelo email atendimento@espacorevistacult.com.br
    As senhas serão distribuídas uma hora antes do início do evento
    Com Christian Dunker (Psicanalista, Professor Livre Docente Instituto de Psicologia da USP), Ricardo Goldenberg (psicanalista), Maria Lívia Tourinho Moretto(professora doutora do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da USP, Orientadora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica do IPUSP, psicanalista, membro do Fórum do Campo Lacaniano de São Paulo), Nina Virginia de Araujo Leite (membro da Association de Psychanalyse Encore, professora do Instituto de Estudos da Linguagem /UNICAMP), Miriam Debieux Rosa (professora doutora do IP - USP onde coordena o Laboratório Psicanálise e Sociedade e o projeto de Extensão Migração e Cultura. Professora Titular da PUC- SP, Pós-graduação de Psicologia Social onde coordena o Núcleo de estudos Psicanálise e política) e Dominique Fingermann
    Espaço Revista CULT
    Rua Inácio Pereira da Rocha, 400 - Vila Madalena/SP
    Tel. 11 30322800
  • fonte: http://espacorevistacult.com.br/evento-descricao.php?evento=93

Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ  e pesquisa sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.

18 de março de 2014

Sobre as crianças loucas

Texto da jornalista Eliane Brum, publicado em El País, sobre a realidade das crianças internadas em instituições psiquiátricas no Brasil. 


Como se fabricam crianças loucas

Os manicômios não são passado, são presente. Uma pesquisa realizada no hospital psiquiátrico Pinel, em São Paulo, mostra que, mesmo depois das novas diretrizes da política de saúde mental no Brasil, crianças e adolescentes continuaram a ser trancados por longos períodos, muitas vezes sem diagnóstico que justificasse a internação, a mando da Justiça. Conheça a história de Raquel: 1807 dias de confinamento. E de José: 1271 dias de segregação. Ambos tiveram sua loucura fabricada na primeira década deste século

"Em uma noite de novembro de 2007, a psicóloga Flávia Blikstein escutou de uma menina duas perguntas. E descobriu que não tinha respostas. Flávia trabalhava num Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) infantil, em São Paulo, e encontrava-se na ambulância para levar a garota para sua primeira internação psiquiátrica. Maria, como aqui será chamada, tinha 14 anos. Era negra, alta e magra. Falava pouco, frases curtas. Gostava de brincar de boneca e de desenhar. Às vezes pintava as unhas, arrumava o cabelo, anunciando a adolescência. Maria se molhava o tempo todo, em pequenos rituais. Abria a torneira, fazia uma conchinha com as mãos e molhava os pés, as pernas, os braços. Fazia isso em qualquer lugar, causando vergonha à mãe. Talvez Maria estivesse esculpindo com a água os limites do próprio corpo. Quando fez a primeira pergunta à Flávia, ela ainda tinha as pontas dos dedos úmidas, e o seu olhar também era molhado:
- Por que eu vou ficar aqui?
Flávia descobriu que não tinha resposta.
Maria fez então a segunda pergunta:
- Quem tá aí? Quem vai dormir no quarto comigo?
(...)
“Medievais”, “desumanos” e “criminosos”. Essas são algumas das palavras usadas para definir os hospícios desde que a luta antimanicomial se intensificou a partir do final dos anos 1970 e conquistou avanços significativos nesse século. A pesquisa mostra, porém, que mesmo instituições e profissionais que tentam fazer diferente são seguidamente vencidos pelas engrenagens e pela escassez de serviços públicos de base. Na prática, ainda hoje, é de manicômio e de vida manicomial que se trata em uma parte significativa dos casos, uma realidade só possível pelo descaso quase absoluto da sociedade com o destino dessas crianças, em geral filhas de famílias pobres. Ao fazer o arquivo morto falar, Flávia constrói respostas que precisam ser escutadas se quisermos, de fato, estancar o crime de fabricar crianças loucas – e, muitas vezes, também o de conseguir enlouquecê-las.
Raquel nasceu em 1994. A mãe estava presa por tráfico de drogas, não porque era chefe de uma organização criminosa, mas porque vendia uma pequena quantidade para sustentar seu próprio vício. Esse destino é comum nos presídios do país, é também gerador de órfãos de mães vivas. Pobre demais para dar conta dela, a avó colocou Raquel num abrigo aos cinco anos. A menina é de imediato descrita como “agressiva”. E, por esse motivo, é afastada das outras crianças. Passa a morar com o que se chama de “mãe social”, isolada numa casa nos fundos do abrigo. A escolha, como mostra Flávia, evidencia que, desde sempre, a resposta à agressividade de Raquel é a exclusão. Obviamente, também não deu certo. De abrigo em abrigo, Raquel virou aquela que “não dava certo” em abrigo nenhum.
Talvez valesse a pena perguntar se a agressividade, ao se olhar para o contexto e as circunstâncias, não era o principal traço de sanidade de Raquel. Mas o direito à história é o primeiro a ser arrancado das “crianças loucas”. Ela já tinha quase tantos rótulos quanto anos de vida: filha de presidiária, abandonada, agressiva, não dá certo... Raquel só era vista por estigmas e fragmentos."
Confira o artigo na íntegra aqui
Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ  e pesquisa sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.

26 de fevereiro de 2014

XX Encontro Brasileiro do Campo Freudiano.

O ano sempre começa com a divulgação de grandes eventos...
Já tinha comentado aqui sobre o VI Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental, que acontecerá de 4 a 6 de setembro, em Belo Horizonte, e agora é a vez XX Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, que também será em BH, nos dias 21, 22 e 23 de novembro.




"O Encontro Brasileiro do Campo Freudiano é sempre uma renovação da transferência de trabalho que une os mais diferentes pontos do Brasil em torno da psicanálise de orientação lacaniana. A escolha dos temas é sempre focada na lâmina cortante da psicanálise pura e seus efeitos de transmissão e formação da atual e das futuras gerações de psicanalistas. Trauma nos corpos, violência nas cidades é o tema proposto para essa edição. Belo Horizonte nos acolhe para estabelecer um grande debate sobre o tema, sem perder de vista a especificidade de trazê-lo para a Escola Brasileira de Psicanálise. Em um mundo onde os significantes Trauma e Violência estão tão cotidianamente ligados às notícias da última hora, propomos acrescentar dois significantes muito caros à Lacan: Angústia e Segregação. Assim, trauma e violência são dois modos de abordar a inquietante alteridade que nos assombra - e que não cessa de fazer sua irrupção - tanto em nossa relação com o corpo, no caso da angústia, quanto na relação com o Outro, no caso da segregação. Fica então o desafio: onde localizar o mal?


24 de fevereiro de 2014

VI Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental

O VI Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental, que acontece a cada 2 anos, dessa vez será realizado em Belo Horizonte, MG.
Estive presente em 2010, em Curitiba (clique aqui e aqui.) e em 2012, em Fortaleza (clique aqui.) e achei o evento muito bem organizado e com excelentes trabalhos apresentados. Acho que em 2014 não vai ser diferente! 

Confira o Argumento da Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental (AUPPF), que este ano organiza o evento em torno do eixo "Pathos e Saúde":

"A Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental (AUPPF)  visa, desde seu início, promover a interlocução entre incumbentes de diferentes  posições epistemológicas interessados no conhecimento sobre o pathos psíquico.  Tal promoção deve-se à convicção de que não existe um único saber capaz de  compreender esse complexo fenômeno humano e que só a interlocução pode  ampliar nossa compreensão. 

O VI Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental e XII Congresso  Brasileiro de Psicopatologia Fundamental será encontro interdisciplinar entre o  campo da psicanálise e da psicopatologia, de um lado e, de outro, o campo da  filosofia e das Humanidades. 

1. A questão, que estará no centro do tema do Congresso, é a da relação entre  pathos e saúde, relação que deixa em aberto, indeterminada sintaticamente, a conjunção « e » do título. 

Como determinar essa relação? Tal será uma das questões cardeais. Trata-se de  uma relação de oposição, de conflito, de incompatibilidade? Uma relação de aliança,  de conciliação, de equilíbrio ou eutimia?..."

Continue lendo aqui.

Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ  e pesquisa sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.

6 de fevereiro de 2014

Entrevista com o poeta Ferreira Gullar sobre sua experiência com dois filhos esquizofrênicos

Ferreira Gullar é um dos maiores críticos da redução de leitos de internações psiquiátricas que veio acontecendo desde 2001. Com dois filhos esquizofrênicos, ele não defende o encarceramento dos pacientes, como já aconteceu em outras épocas, mas critica e chama atenção para famílias de poucos recursos que não tem para onde de direcionar seus filhos, que acabam - como ele mesmo fala - como mendigos loucos perambulando pela rua. Ele conta mais de seu posicionamento em entrevista a Época


Ninguém aguenta Uma pessoa delirante dentro de casa

O poeta Ferreira Gullar, 78 anos, teve dois filhos com esquizofrenia. Paulo, 50 anos, vive num sítio em Pernambuco há cinco. Marcos, que tinha um quadro mais leve da doença, morreu em 1992, de cirrose hepática. Recentemente, Gullar escreveu três artigos no jornal Folha de S. Paulo sobre a falta de vagas para internação psiquiátrica. A reação dos leitores chamou atenção para uma das maiores controvérsias da psiquiatria: o que fazer com doentes mentais em estado grave? Gullar concedeu a seguinte entrevista a ÉPOCA em seu apartamento em Copacabana, no Rio de Janeiro (confira ao final desta página um vídeo com trechos da conversa).

ÉPOCA - A lei federal 10.216, aprovada em 2001, não proíbe a internação de pacientes em hospitais psiquiátricos, mas estimulou a redução de leitos. Por que decidiu falar sobre essa lei agora?
Ferreira Gullar -
 Antes da aprovação da lei, soube do que consistia o primeiro projeto. Para internar uma pessoa, a família precisaria pedir autorização de um juiz. Felizmente isso foi retirado do texto final. Imagine o que é ter em casa um garoto em estado delirante - às vezes falando sem parar da noite até o dia seguinte. Os pais tentam dar remédio, tentam conversar e nada funciona. Nessa situação, o único recurso é internar. Você sente que a pessoa está saindo do controle e pode fazer uma loucura qualquer. Imagine ter de aguardar autorização de um juiz para internar um paciente numa situação de emergência. Que juiz? Aquele que nunca encontramos na justiça eficiente que temos? Imagine o desastre que isso seria.

ÉPOCA - Mas por que decidiu escrever neste momento? 
Gullar -
 Li notícias recentes sobre o aumento de doentes mentais na população de rua. Eu já previa que isso ia acontecer diante da restrição do número de hospitais e do período de internação. Como é possível estabelecer um período de internação, determinar que um paciente psiquiátrico esteja curado dentro de determinado tempo? Quem não tem dinheiro para colocar o filho numa clínica particular fica com ele em casa até quando suportar. Muitas vezes o doente foge. Quantas vezes isso aconteceu comigo... Ele foge, vai para rua sem rumo. Ninguém sabe para onde vai.

ÉPOCA - O doente precisa ficar vigiado dentro de casa?
Gullar -
 Ninguém aguenta uma pessoa em estado de delírio dentro de casa. Só se ninguém trabalhar, todo mundo ficar em volta do doente. E se for uma pessoa agressiva? Tem que internar. Nenhum pai e nenhuma mãe internam seus filhos contentes da vida, achando que se livraram. Não estou dizendo que a lei foi feita para perseguir as pessoas. Não vou imaginar uma coisa dessas. Ela foi feita com boa intenção. Mas de boa intenção o inferno está cheio.


Confira a matéria toda aqui

Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ  e pesquisa sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.