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2 de fevereiro de 2015

Dica ViaFreud

Garimpando textos e referencias encontrei o blog Psicoanálisis Inédito que se dedica a divulgar e compartilhar textos inéditos da Psicanálise de orientação Lacaniana, como transcrições de entrevistas e intervenções pouco conhecidas, conferências e seminários não estabelecidos e artigos nunca antes divulgados.



Espaço para acompanharmos o trabalho de autores como Eric Laurent, Marie-Hélène Brousse, Esthela Solano-Suárez, Jaques-Alain Miller, Serge Cottet, François Ansermet e outros

Dos mais lidos, o blog destaca "El retorno de la blasfemia", Jaques-Alain Miller, escrito a partir do atendado a Charlie Hebdo; "Neurosis y Psicosis - donde comienza lo anormal", entrevista onde Lacan fala do disgnóstico diferencial para uma revista médica em 1968 e "Los autistas, sus objetos, sus mundos",  transcrição de uma conferência de Eric Laurent na UBA em 2013.


Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ  e pesquisa sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.
http://fernandapimentel.com.br

28 de janeiro de 2015

Por que as crianças francesas não têm Déficit de Atenção?

Marilyn Wedge, PhD e autora do livro  A Disease Called Childhood: Why ADHD Became an American Epidemic, fala, neste artigo, sobre a epidemia de diagnóstico de TDAH nos EUA, tendo como referência o baixíssimo índice encontrado na França. 
Além das diferenças culturais, a aposta francesa num problema psico-social - diferente da abordagem americana que defende um transtorno bioquímico de origem cerebral - parece colocar os franceses bem a frente no que diz respeito à educação infantil a ao tratamento com as crianças. 


Como é que a epidemia do Déficit de Atenção, que tornou-se firmemente estabelecida em vários países do mundo, foi quase completamente desconsiderada com relação a crianças na França?


Nos Estados Unidos, pelo menos 9% das crianças em idade escolar foram diagnosticadas com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), e estão sendo tratadas com medicamentos. Na França, a percentagem de crianças diagnosticadas e medicadas para o TDAH é inferior a 0,5%. Como é que a epidemia de TDAH, que tornou-se firmemente estabelecida nos Estados Unidos, foi quase completamente desconsiderada com relação a crianças na França?
TDAH é um transtorno biológico-neurológico? Surpreendentemente, a resposta a esta pergunta depende do fato de você morar na França ou nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, os psiquiatras pediátricos consideram o TDAH como um distúrbio biológico, com causas biológicas. O tratamento de escolha também é biológico – medicamentos estimulantes psíquicos, tais como Ritalina e Adderall.
Os psiquiatras infantis franceses, por outro lado, vêem o TDAH como uma condição médica que tem causas psico-sociais e situacionais. Em vez de tratar os problemas de concentração e de comportamento com drogas, os médicos franceses preferem avaliar o problema subjacente que está causando o sofrimento da criança; não o cérebro da criança, mas o contexto social da criança. Eles, então, optam por tratar o problema do contexto social subjacente com psicoterapia ou aconselhamento familiar. Esta é uma maneira muito diferente de ver as coisas, comparada à tendência americana de atribuir todos os sintomas de uma disfunção biológica a um desequilíbrio químico no cérebro da criança.

Os psiquiatras infantis franceses não usam o mesmo sistema de classificação de problemas emocionais infantis utilizado pelos psiquiatras americanos. Eles não usam o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou DSM. De acordo com o sociólogo Manuel Vallee, a Federação Francesa de Psiquiatria desenvolveu um sistema de classificação alternativa, como uma resistência à influência do DSM-3. Esta alternativa foi a CFTMEA (Classification Française des Troubles Mentaux de L’Enfant et de L’Adolescent), lançado pela primeira vez em 1983, e atualizado em 1988 e 2000. O foco do CFTMEA está em identificar e tratar as causas psicossociais subjacentes aos sintomas das crianças, e não em encontrar os melhores bandaids farmacológicos para mascarar os sintomas.

Leia o artigo completo aqui.
Fonte: Psychology Today


Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ  e pesquisa sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.
http://fernandapimentel.com.br

26 de janeiro de 2015

Os Pós Brancos

A semelhança não é só na aparência. Além de serem todos pós brancos, fruto do refino através de processos químicos, os efeitos no organismo também são bem parecidos.

O artigo do colunista Denis Russo Burgierman nos conta como as três substâncias que foram consideradas avanços tecnológicos e soluções de vários problemas se tornaram o grande mal que afeta a humanidade. 


Farinha de trigo, açúcar e cocaína


Se um dia alguém resolver erigir um monumento em praça pública às boas intenções frustradas do pensamento científico, podia ser uma estátua monumental de um prato cheio de pó branco. Assim homenagearíamos de uma só vez três enganos cientificistas: a farinha de trigo refinada, o açúcar branco e a cocaína. Três pós acéticos e quase idênticos, três frutos do pensamento que dominou o último século e meio: o reducionismo científico. Três matadores de gente
Não é por acaso que os três são tão parecidos. Todos eles são o resultado de um processo de “refino” de uma planta – trigo, cana e coca. Refino! Soa quase como ironia usar essa palavra chique para definir um processo que, em termos mais precisos, deveria chamar-se “linchamento vegetal” ou algo assim. Basicamente se submete a planta a todos os tipos de maus-tratos imagináveis: esmagamento entre dois cilindros de aço, fogo, cortes de navalha, ataques com ácido. Até que tenha-se destruído ou separado toda a planta menos a sua “essência”. No caso do trigo e a da cana, o carboidrato puro, pura energia. No caso da coca, algo bem diferente, mas que parece igual. Não a energia que move as coisas do carboidrato, mas a sensação de energia ilimitada, injetada diretamente nas células do cérebro.

Começou-se a refinar trigo, cana e coca mais ou menos na mesma época, na segunda metade do século 19, com mais intensidade por volta de 1870. No livro (que recomendo muitíssimo) “Em Defesa da Comida”, o jornalista Michael Pollan conta como a tal “cultura ocidental” adorou a novidade. Os cientistas ficaram em êxtase, porque acreditavam que o modo de compreender o universo é dividi-lo em pequenos pedacinhos e estudar um pedacinho de cada vez (esse é o tal reducionismo científico). Nada melhor para eles, então, do que estudar apenas o que importa nas plantas, e não aquele lixo inútil – fibras, minerais, vitaminas e outras sujeiras. Os capitalistas industriais também curtiram de montão. Um pó refinado é super lucrativo, muito fácil de produzir em quantidades imensas, praticamente não estraga, pode ser transportado a longuíssimas distâncias. A indústria de junk food floresceu e sua grana financiou as pesquisas dos cientistas, que, animadíssimos, queriam mais.
Sabe por que esses pós refinados não estragam? Porque praticamente não têm nutrientes. As bactérias e insetos não se interessam pelo que não tem nutriente.
Os três tem efeito parecido na gente. Eles nos jogam no céu com uma descarga de energia e, minutos depois, nos deixam despencar. Aí a gente quer mais. Como eles foram separados das partes mais duras das plantas – as fibras – nosso corpo os absorve como um ralo, de uma vez só. Seu efeito eletrificante manda sinais para o organismo inteiro, o metabolismo se acelera.  Aí o efeito vai embora de repente. E o corpo é pego no contrapé...
Veja o artigo completo na coluna o autor.


Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ  e pesquisa sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.
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7 de janeiro de 2015

O rótulo da magreza

A escritora e autora do blog Almada, Bel Fernandes, aluna de Letras - Formação de escritor da PUC, me pediu indicações de material para pesquisa sobre padrão de beleza, auto imagem e a nociva influência da mídia e da moda na vida das mulheres para um artigo sobre o tema.

As questões relativas a imagem do corpo feminino, sua transformação em mercadoria e os estados patológicos envolvidos são foco de minhas pesquisas há muitos anos. E acho muito importante ver o interesse dos jovens autores, suas produções e pontos de vistas!

Olha que bacana que ficou o trabalho dela: 

O rótulo da magreza 
O corpo da jovem mulher ditado pela mídia 
Isabel Fernandes 

Resumo: Este artigo discute a forma como o corpo da jovem mulher torna-se mercadoria através da mídia e a possibilidade da quebra do rótulo da magreza estipulado também pelos estilistas em relação às modelos. Com base em alguns estudos psicológicos e citações, originam-se discussões e análises. 

Palavras-chave: corpo, jovem mulher, mídia, magreza. 

"A grande maioria das mulheres deseja mudar algo em sua aparência, especialmente o peso, pois vivemos em uma cultura que alimenta a insatisfação [...] A mensagem geral é: você não pode estar bem da forma que está, transforme-se." (ALVARENGA; MARLE, 2010) 

Introdução: Este artigo tem como objetivo fazer pensar sobre a questão da magreza nos dias atuais, em específico nas jovens mulheres, que acabam sendo mais influenciadas pela mídia e também pela sociedade ao redor, para isso há algumas pesquisas e discussões psicológicas envoltas com uma análise pessoal, pois também sofri influências da mídia, procurando dietas e emagrecendo mais do que deveria e por isso busco de alguma forma conscientizar essas jovens mulheres que são influenciadas e tentam a todo custo o corpo perfeito. 

A mídia é uma das principais fontes de influência, colocando na maioria das vezes mulheres esguias em propagandas de perfumes ou bebidas alcoólicas, por exemplo. Outra grande influência é o padrão do corpo das modelos, altas e muito magras, como se isso fosse saudável e exemplo para ser seguido, quando na verdade, é isso que não deveria ser seguido. 

A sociedade também contribui para essa busca desenfreada do corpo perfeito, criticando alguém por ser mais acima do peso, excluindo outras pessoas, tudo isso porque ser magra está “na moda”. 

Ser magra e possuir um corpo saudável é o correto tendo a medicina como base, ser magra e ter um organismo sem defesas não é correto tendo essa mesma base. Deve-se equilibrar o: ser magra e ser saudável, para não haver perda de controle e o bem estar também deve entrar em questão, sentir-se bem consigo...

Para ver o artigo completo, clique aqui.



Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ  e pesquisa sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
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2 de novembro de 2014

6 de outubro de 2014

Ex-coordenador do DSM, a 'bíblia' da psiquiatria, admite: "Transformamos problemas cotidianos em transtornos mentais"


Em entrevista para El País, o psiquiatra Allen Frances, ex coordenador do DSM, critica a posição da última edição do manual, a influência da industria farmacêutica e a medicalização do mal estar. 

"Ex-coordenadordo DSM, a 'bíblia' da psiquiatria, admite: "Transformamos problemas cotidianosem transtornos mentais"


Allen Frances (Nova York, 1942) dirigiu durante anos o Manual Diagnóstico e Estatístico (DSM), documento que define e descreve as diferentes doenças mentais. Esse manual, considerado a bíblia dos psiquiatras, é revisado periodicamente para ser adaptado aos avanços do conhecimento científico. Frances dirigiu a equipe que redigiu o DSM IV, ao qual se seguiu uma quinta revisão que ampliou enormemente o número de transtornos patológicos. Em seu livro Saving Normal (inédito no Brasil), ele faz uma autocrítica e questiona o fato de a principal referência acadêmica da psiquiatria contribuir para a crescente medicalização da vida.
Pergunta. No livro, o senhor faz um mea culpa, mas é ainda mais duro com o trabalho de seus colegas do DSM V. Por quê?
Resposta. Fomos muito conservadores e só introduzimos [no DSM IV] dois dos 94 novos transtornos mentais sugeridos. Ao acabar, nos felicitamos, convencidos de que tínhamos feito um bom trabalho. Mas o DSM IV acabou sendo um dique frágil demais para frear o impulso agressivo e diabolicamente ardiloso das empresas farmacêuticas no sentido de introduzir novas entidades patológicas. Não soubemos nos antecipar ao poder dos laboratórios de fazer médicos, pais e pacientes acreditarem que o transtorno psiquiátrico é algo muito comum e de fácil solução. O resultado foi uma inflação diagnóstica que causa muito dano, especialmente na psiquiatria infantil. Agora, a ampliação de síndromes e patologias no DSM V vai transformar a atual inflação diagnóstica em hiperinflação... "







"Os laboratórios estão enganando o público, fazendo acreditar que os problemas se resolvem com comprimidos."











P. Seremos todos considerados doentes mentais?
R. Algo assim. Há seis anos, encontrei amigos e colegas que tinham participado da última revisão e os vi tão entusiasmados que não pude senão recorrer à ironia: vocês ampliaram tanto a lista de patologias, eu disse a eles, que eu mesmo me reconheço em muitos desses transtornos. Com frequência me esqueço das coisas, de modo que certamente tenho uma demência em estágio preliminar; de vez em quando como muito, então provavelmente tenho a síndrome do comedor compulsivo; e, como quando minha mulher morreu a tristeza durou mais de uma semana e ainda me dói, devo ter caído em uma depressão. É absurdo. Criamos um sistema de diagnóstico que transforma problemas cotidianos e normais da vida em transtornos mentais.
P. Com a colaboração da indústria farmacêutica...
R. É óbvio. Graças àqueles que lhes permitiram fazer publicidade de seus produtos, os laboratórios estão enganando o público, fazendo acreditar que os problemas se resolvem com comprimidos. Mas não é assim. Os fármacos são necessários e muito úteis em transtornos mentais severos e persistentes, que provocam uma grande incapacidade. Mas não ajudam nos problemas cotidianos, pelo contrário: o excesso de medicação causa mais danos que benefícios. Não existe tratamento mágico contra o mal-estar.

Confira a entrevista na íntegra aqui!

Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ  e pesquisa sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.
http://fernandapimentel.com.br