.
.

5 de maio de 2010

As mulheres de Freud

As mulheres tiveram um papel fundamental para Freud e o surgimento da psicanálise.

Cada uma a sua maneira - Amalie Nathanson, Martha Freud, Anna Freud, Anna O., Emmy Von N., Elisabeth, Luci R., Catarina, Dora, Ruth Marck Brunswick, Muriel Gardiner, Eva Rosenfeld, Jeanne Lampl Groot, Hilda Doolittle, Sabina Spieelrein, Lou Andreas-Salomé, Helene Deutch, Marie Bonaparte, Joan Riviere, Karen Horney, Melanie Klein ... - teve papel fundamental na vida e obra de Freud.

O livro
As mulheres de Freud, aborda a importância destas mulheres que passaram pela sua vida. As mulheres da sua família, seus clássicos casos clínicos, amigas e analistas.

Veja matéria da Mente&Cérebro




Sobre Freud e suas mulheres

"Obra recém-lançada, As mulheres de Freud propõe uma viagem histórica pelo universo feminino; o criador da psicanálise e sua teoria são apresentados sob novos ângulos

A romancista e escritora Lisa Appignanese e o professor de história e filosofia da ciência da Universidade de Cambridge John Forrester, acadêmico que já publicou várias obras psicanalíticas, uniram-se para investigar e narrar a trajetória das mulheres que participaram da vida de Freud. Em uma obra de fôlego, a dupla revela o impacto feminino no desenvolvimento das ideias relativas à feminilidade e ao legado dessa produção intelectual para a cultura contemporânea. Em virtude das diferentes áreas de especialização, pareceu aos autores que seria lógico dividir o material de modo que Forrester tratasse das personagens que foram “descobertas” pelo olhar de Freud: parentes, figuras de sonhos, pacientes e suas ideias sobre feminilidade. Já Appignanese trataria das primeiras analistas, tradutoras e escritoras próximas ao pensador.

Os escritores reconhecem que o desafio era potencialmente infinito, uma vez que tantas mulheres tiveram importância na história da psicanálise e o debate sobre feminilidade nessa área vem se desenrolando até hoje. “Decidimos limitar nossa narrativa às personagens que tiveram contato direto e continuado com Freud. Em consequência disso, não tratamos particularmente de Karen Horney ou Melanie Klein, para citar apenas duas, embora elas figurem nas páginas do livro.”Infelizmente, a decisão de não incluir uma pensadora do porte de Klein, por exemplo, traz problemas estruturais, que implicam a sensível perda do entendimento de toda uma vertente do debate sobre a mulher. É inegável, porém, que As mulheres de Freud tem muitos pontos positivos.

Entre eles, está o fato de que ajuda o leitor a rever as acusações de que o criador da psicanálise teria sido “um misógino, um patriarca conservador que via como principal função das mulheres servir à reprodução da espécie”. Os autores creem que uma das questões esclarecidas por essa pesquisa foi que “a concentração excessiva nos fracassos de Freud era, em si, uma maneira de negar às mulheres que figuram na história da psicanálise seu lugar de direito. Uma vez restituído este lugar, tanto Freud quanto a psicanálise adquiriram um aspecto sutilmente diverso”. E essa talvez seja uma das mais importantes conclusões desse imenso trabalho de pesquisa histórica, que instiga tantas discussões teóricas.

A pesquisa reúne dados anteriormente esparsos e revela de modo histórico-científico que muitas outras além de Salomé e da princesa Bonaparte eram amigas e analistas ativas. Entre elas estão Ruth Marck Brunswick, Muriel Gardiner, Eva Rosenfeld, Jeanne Lampl Groot, Hilda Doolittle e mais todo o círculo de analistas da filha Anna Freud. No início do livro são apresentadas as mulheres-chave da família de Freud: a mãe, a noiva que virou esposa e as filhas. A segunda parte trata da colaboração das pacientes histéricas no desenvolvimento da prática e teorias freudianas. Na etapa seguinte são focalizadas as mulheres que se tornaram as primeiras analistas do círculo de Freud, como Sabina Spieelrein, Lou Andreas-Salomé, Helene Deutch, Marie Bonaparte e Joan Riviere. Num livro de 16 capítulos extensos, com rigoroso levantamento bibliográfico, que revela um sério trabalho de pesquisa, alguns trechos históricos são especialmente significativos e curiosos. É o caso de “Primeiras amigas, primeiros casos, primeiras seguidoras” (cap. 6), no qual o leitor fica sabendo, por exemplo, que o divã foi presente de uma paciente agradecida, por volta de 1900. No capítulo 13, “A amizade das mulheres”, é surpreendente constatar o quanto as mulheres se desenvolveram dentro da psicanálise – o que nos convida a rever a ideia do círculo de amigos formado apenas por homens (como Carl Jung, Wilhelm Fliess, Alfred Adler, Karl Abraham) ao redor de uma mesa para discussão psicanalítica, às quartas-feiras.

O capítulo 15, “O debate sobre a mulher”, com abordagem mais teórica, evoca as figuras de Helene Deutch, Karen Horney e Melanie Klein para tratar da constituição do feminino. Os autores apontam a importância de uma discussão correlata acerca do peso atribuído aos fatores traumáticos (ambientais) ou constitutivos e de disposição (hereditários), temas atuais não somente para a feminilidade, mas também para todos os aspectos de constituição psíquica do sujeito. Para Freud, o campo da psicanálise é o acidental, o traumático por natureza.

Segundo ele, o que fica de fora, “o que permanece inexplicável, o que é temporariamente atribuído à constituição, não é o mais importante, o mais fundamental, mas sim o ponto no qual as explicações fracassam, o ponto em que a ciência emudece”. Por fim, somos surpreendidos pelo último capítulo, “Feminismo e psicanálise”, no qual feministas ultrapassam a hostilidade visceral em relação a Freud, o que torna possível evidenciar uma relação mais complexa que abarque novos desdobramentos. Uma vez que as feministas perceberam “a revolução sexual” do século XX como uma força positiva e libertadora, a associação de Freud com esse movimento garantiu-lhe um lugar de respeito entre os antecessores dos movimentos progressistas contemporâneos."

3 de maio de 2010

ainda sobre mulheres...

Lou Salomé, Paul Rée e Nieztsche por Jules Bonnet, em 1882.

Ouse, ouse... ouse tudo! Não tenha necessidade de nada! Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém. Acredite: a vida lhe dará poucos presentes. Se você quer uma vida, aprenda ... a roubá-la! Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer. Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!

Lou Salomé

29 de abril de 2010

feminices - MULHERES X SER MAGRA

.

Aula

Nas duas próximas sextas-feiras estarei ministrando uma disciplina para os alunos da graduação de psicologia na UERJ sobre sobre Anorexia e seus desdobramentos, priorizando a questão do desejo e as teorias sobre a feminilidade de Freud.

Convido os interessados a participarem como ouvinte.

A aula acontece das 18 às 21 h, no 10° andar, Boloco B.

13 de abril de 2010

Palavras e Corpos

Vi este artigo no Twitter do autor.

Geração mutante: Palavra diz, palavra toca

Artigo de 9 de setembro de 1999.

Dos dois lados do Equador, em Escolas da AMP, Escola Brasileira de Psicanálise e Escola da Causa Freudiana, discute-se, nesse ano de 1999, “Palavras e Corpos”. Esse fato aponta um momento de viragem na clínica psicanalítica, tal como ela é pensada e exercida em nosso meio AMP : mudança de uma primeira clínica centrada na interpretação significante, que se apoia no inconsciente estruturado como uma linguagem, para uma segunda clínica, a da captura do gozo, que escapa à estrutura da linguagem, a clínica do real.

O tema palavras e corpos alude a questão maior dessa segunda clínica de Lacan : como capturar o gozo, o real do corpo, pela palavra ? Temos interesse clínico em fazê-lo, uma vez que postulamos o final da análise como a retificação do sujeito com o seu gozo.

Essa questão vem sendo progressivamente elaborada em nosso meio, sendo exemplos desse caminho o título de um dos recentes Encontros Internacionais : “O poder da palavra”, inspirado no poeta René Daumal, que buscava não o que a palavra pudesse significar, mas o seu caroço, o seu sabor; e o curso “Orientação Lacaniana”, de Jacques-Alain Miller, que tem se dirigido à experiência do Real na psicanálise.

A nova clínica em discussão acompanha os sinais dos tempos : tempo de globalização, de quebra dos ideais, de achatamento do eixo vertical da identificações, enfim, do homem pós-moderno ou pós-industrial.

Escolhi centrar minha reflexão sobre os adolescentes, por um duplo interesse : primeiro, pensando serem eles os que mais espetacularmente exibem os traços da mudança de paradigma, da era industrial para a da informação. E também, a fim de verificar como estes adolescentes estão encontrando soluções inusitadas para viver um mundo onde o Outro não existe. Observá-los pode nos ser de grande valor se conseguirmos transpor para nossos consultórios a essência das experiências desses jovens.

O adolescente de 99 é diferente do adolescente de 68. Em 68 o adolescente era rebelde, empunhava bandeiras, tinha gritos de guerra, planos de reforma da educação e da sociedade, sonhos, utopias. Havia uma forte presença da organização vertical das identificações : pai, professor, pátria, que justificava a rebeldia. Hoje, temos o “fracasso escolar”; no lugar da antiga contestação, apareceu o menosprezo, o desinteresse pelo saber orientado.

Em 99 o mundo é outro. A globalização desregularizou a ordem social : o pai foi relativizado, os países se uniram em comunidades setoriais : Europa, Ásia, América do Norte, América do Sul; a economia não respeita fronteiras, etc, etc. O menino criado por seus pais nos ideais de escolha, realização e ganho da era industrial, encontra-se com os cacos da indústria. Onde tinha chaminé da fábrica apontando o céu, surge a telinha virtual, jogo de múltipla opção, lego de adulto.

O que fazer : desesperar ou inventar ? Como se inventar uma vida a partir dos cacos e não dos ideais ? Vejamos o que se passou em Detroit, cidade industrial por excelência, quando, em 1972, seus habitantes sofreram o baque do fechamento da toda poderosa fábrica da General Motors, pilar da sociedade local. Ocorreu uma revolução : as máquinas que asseguravam o amanhã, partiram. Estava pronto o cenário para o surgimento de uma música representativa de uma nova era – pós-industrial – a techno, a música eletrônica.

Os três pioneiros da música eletrônica foram : Juan Atkins, Derrick May e Kevin Saunderson, que tiveram a idéia de uma nova arte, produto da mistura do que encontravam, dos restos. Declarou May, citado por Guillaume Bara : “Fomos levados a criar esta música inconscientemente. Tiramos a idéia das máquinas e criamos nossos próprios sons. Todos esses sons provinham do universo da mecânica, da indústria, das máquinas, da eletrônica. Do meio que nos criou, de alguma maneira”.

Mix é o nome, cultura mix, de mistura. Nas festas embaladas pela música eletrônica, não é um cantor, ou um grupo musical que atrai a atenção, é o DJ. Esse DJ, antigamente relegado a um papel secundário de escolhedor de músicas, passou à frente do palco. Ele não reproduz, ele toca : na sua frente tem uma mesa com dois, três, às vezes quatro pick-ups de discos em vinil e, com rara maestria, ele mistura os sons. Tanto melhor é o DJ, quanto menos o público percebe que o que está ouvindo é o produto de discos diferentes, tocados simultaneamente. Está aí uma figura tão atual para os analistas, de um homem pronto à circunstância. Para encontrar um ponto de articulação entre as diferentes músicas é fundamental a coincidência do número de batidas por minuto. Aliás, este é um dos principais critérios – o número de bpm – na diferenciação dos estilos da música eletrônica : Garage (+120 bpm), House (+ 130 bpm), Trance (+ 140 bpm), Jungle ou Drum and Bass (+ 180 bpm), etc.

É importante ressaltar que a música eletrônica não tem letra e, quando há voz, esta funciona como nota musical e não significando algo. É uma música que não necessita tradução, não é feita para ser compreendida; é compatível com a época da Internet : cada um encontra aí seu interesse corporal, sem ter que explicar o porque. Não há uma boa razão universal, nenhum ideal unificador.

O crescimento de participantes em eventos de música eletrônica é notável. De alguns poucos duzentos, trezentos, que se reuniam há alguns anos atrás, chegamos aos números milionários de freqüentadores dos carnavais eletrônicos das ruas de Berlim e de Paris, recentemente.

Os adolescentes podem estar sinalizando – é minha hipótese – uma nova forma de apreensão do gozo do corpo, que não passa pelo circuito integral da palavra, pelos métodos habituais do diálogo. Seriam os adolescentes atuais mais mutantes do que rebeldes ? Por que não ? Talvez não seja mais o caso dos pais aguardarem pacientemente que seus filhos finalmente alcancem sua razão e sabedoria – como fizeram os pais do adolescente/68 – mas de perceberem que há uma forte mudança no ar contemporâneo.

Ao fenômeno atual da música eletrônica podemos somar o crescimento espantoso dos esportes radicais. Nunca se praticou tanto alpinismo, asa-delta, canoagem, down-hill em bicicletas, etc. Podemos também aí notar novas tentativas diretas – fora da palavra – de apreensão do real do corpo, da morte, em uma sociedade que se desritualizou, que não oferece mais elocubrações coletivas sobre os limites, sobre a morte. Afinal, não vai assim tão longe o tempo do respeito constrito aos quarenta dias da quaresma. Não importava se a pessoa era ou não católica – ninguém passava indiferente àquelas semanas quando era proibido comer carne, celebrar casamentos, usar roupas coloridas.

A globalização, a queda dos ideais e da ordem masculina, abriu a possibilidade ao curto-circuito da palavra, para o pior e para o melhor. Para o pior notamos o aumento das doenças que chamaria de “doenças do curto-circuito da palavra”: os tóxicos, a delinquência despropositada, o fracasso escolar, as afecções psicossomáticas. Para o melhor, surgem inovadoras soluções como as já citadas música eletrônica e esportes radicais.

A época do Outro que não existe, exige um novo analista. Ele não terá que freqüentar festas raves, nem despencar de montanhas, mas deverá saber se posicionar naquele espaço que Lacan aprendeu no Tao, como sendo o do “vide-médian” (vazio-mediano), espaço entre fazer e desejar, entre corpo e palavra, se quiser servir a que seu paciente possa retificar suas relações com o gozo desbussolado desses dias.

Volto à minha esperança do início : talvez conseguiremos transpor para nossos consultórios a essência da experiência desses jovens, no curto-circuito da palavra, tal como Freud um dia conseguiu reproduzir, em sua sala, a invenção da histérica de cura, no circuito da palavra. A palavra que antes dizia, hoje, toca.

Veja outros artigos.

8 de abril de 2010

Exposição sobre a vida de Albert Einstein no Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro


“A curiosidade é mais importante que o conhecimento”
Einstein,


Exposição americana sobre a vida do físico Albert Einstein é inaugurada no Rio

Décadas atrás, o físico alemão Albert Einstein eternizou a teoria da relatividade e a imagem do cientista de cabelos desgrenhados e língua de fora. A partir de hoje, se a chuva permitir, os cariocas ganham uma bela oportunidade para descobrir o que há por trás das fórmulas densas e da aparência exótica. Criada pelo Museu Americano de História Natural, de Nova York, a mostra "Einstein" aporta no Museu Histórico Nacional, no Centro, onde deve atrair 70 mil pessoas até o dia 6 de junho.

Após percorrer mais de dez países, a exposição ganhou traços abrasileirados e atrações interativas inéditas para comemorar os 85 anos da visita de Einstein ao Rio. As duas passagens do físico pela cidade, em março e maio de 1925, duraram pouco mais de uma semana e foram maciçamente comentadas pela imprensa da época, que divulgava inclusive o seu cardápio - Einstein aventurou-se até com um vatapá com pimenta. Apesar da companhia de nomes como Oswaldo Cruz, o físico, que ganhara o Prêmio Nobel quatro anos antes, também se entediava com a falta de colegas.

Sobretudo porque, seis anos antes, a Teoria da Relatividade Geral, proposta por Einstein em 1915, foi confirmada em solo nacional, mais precisamente na cidade de Sobral, no Ceará, durante um eclipse. A expedição de cientistas britânicos ao remoto local também está em destaque na exposição.

A mostra contraria a declaração do físico, segundo a qual sua vida "não interessava a ninguém". Dos manuscritos às fotos, passando por flashes de sua atribulada vida amorosa, a devassa sobre a biografia do alemão é completa e revela uma existência das mais interessantes.

- É difícil acreditar que uma teoria hermética, como a da relatividade, tenha assumido um ar tão pop - admite Tolmasquim. - A verdade é que ideias como luzes fazendo curvas e o tempo relativo dão boas manchetes de jornal. Além disse, Einstein não ficou restrito ao seu gabinete de trabalho. Ele foi às ruas e expôs suas opiniões, defendendo inclusive o pacifismo.

A oposição à Primeira Guerra Mundial custou hostilidades ao físico em sua passagem pela Argentina, onde ficou por um mês. Imigrantes alemães recusaram-se a recebê-lo. Em seu próprio país, não faltou quem o acusasse de traição. Parceiro do museu americano no Brasil, o Instituto Sangari enriqueceu a exposição com interações criadas por artistas convidados. O desafio é explicar didaticamente as ideias do cientista.

- O público brasileiro é mais ligado à interatividade - assinala Juliana Estefano, gerente de relacionamento do Sangari. - Chamamos artistas renomados para explicar, por exemplo, os buracos negros. Isso é feito por um jogo, em uma mesa multitoque, em que demonstramos como se comportam estas estruturas.

Outro destaque é a máquina do tempo, que exibe como seria a variação da passagem temporal, dependendo da velocidade do visitante, caso ele entrasse em uma nave ultrarrápida ao nascer.

O Museu Histórico Nacional fica na Praça Marechal Âncora, no Centro.

De terça a sexta, das 9h às 18h; sábado, domingo e feriados: 14h às 18h.

Preços: R$ 14 (aos domingos) e R$ 20.

Mais informações pelo telefone 2550-9220 ou pelo site www.einsteinbrasil.com.br.

Fonte: O Globo