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3 de março de 2011

Anorexia também é coisa de homem!




.....Os casos de Anorexia em homens têm chamado cada vez mais atenção dos estudiosos no assunto. É verdade que sua existência foi questionada por H. Bruch em 1971, que atribuía à esses transtornos uma especificidade feminina e portanto, exclusivo das mulheres. Mas hoje, o grande número de casos de anorexia e bulimia entre os homens já não nos permite pensar assim.
.....Na realidade a Anorexia sempre existiu entre os homens. Os primeiros relatos clínicos de Anorexia, feitos por R. Morton em 1689 já incluíam um caso deste transtorno num homem. Em 1873, quando C. Lasegue formula o conceito de Anorexia, ele se baseava em dois casos clínicos: um no sexo feminino e outro no sexo masculino. Mas o número crescente deste transtorno alimentar entre as mulheres e o pensamento que anorexia era coisa de mulher fez os homens ficarem de lado nas estatísticas.
.....Pouco se falou sobre Anorexia entre os homens durante anos. Atualmente as coisas não são bem assim... O aumento da incidência de anorexia em homens vem ocorrendo em paralelo ao aumento do número de casos em mulheres, dessa forma o problema masculino tornou-se mais visível agora.


.....Desde a década de 70 começou-se a perceber um número cada vez maior de anoréxicos homens. Neste mesmo momento começou-se também uma maior valorização da estética masculina, e maior preocupação dos homens com o corpo. O que antes era uma preocupação típica feminina passou a fazer parte do universo masculino. Assim os homens foram incluídos nessa busca frenética pelo corpo perfeito e, como as mulheres, passaram a desenvolver distúrbios de auto-imagem e transtornos alimentares. O conceito de beleza no homem também começou a ser de um corpo mais longelíneo e os modelos de comerciais e passarelas cada vez mais magros, influencando o padrão de beleza masculino.




...............Modelos de desfiles recentes.
Não estão magros demais?

.....Os sintomas, o quadro clínico e a resposta ao tratamento é a mesma da encontrada nas mulheres. (Leia mais sobre Anorexia e Psicanálise aqui e aqui.) A questão da auto-imagem é um ponto de diferença. Os homens se percebem com menos distorções da imagem do próprio corpo que as mulheres. Outro fator importante é a presença de sobrepeso durante o início da adolescência. É comum nos casos de anorexia em homens um histórico de obesidade ou sobrepeso, além de zombarias e brincadeiras de outros meninos em relação ao seu corpo.
.....Alguns autores levantam a questão familiar, ressaltando uma relação “complicada” com o pai. O sintoma anoréxico poderia ser considerado uma maneira de se diferenciar deste pai que, geralmente, apresenta certo sobrepeso.
.....Atualmente estima-se que de 5 a 15% dos casos de Anorexia se apresenta em homens jovens (APA, 2000). Vários fatores contribuem para dificultar o calculo de estatísticas, o número de diagnósticos, e assim, o estudo da Anorexia na população masculina: o fato de ser um transtorno predominantemente feminino, o que leva os pacientes homens a terem uma dificuldade maior em procurar ajuda e até uma falta de preparo de profissionais em diagnosticar as especificidades da Anorexia entre os homens.
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Toda a literatura sobre transtornos alimentares em homens é marcada por controvérsias, dúvidas e buracos. Entretanto, já está claro que, atualmente, Anorexia pode ser coisa de homem sim e que devemos prestar mais atenção à estas condições graves e ainda muito pouco reconhecidas.

22 de fevereiro de 2011

Mal estar

"A Psicanálise é uma prática delirante, mas é o que se tem de melhor atualmente para que se tenha paciência com essa situação incômoda de ser homem. É em todo caso o que Freud encontrou de melhor."
Lacan

21 de fevereiro de 2011

Alimentadas pela culpa

Atividades 2011

As atividades de estudo para 2011 já estão com as datas estabelecidas!
Confira!



Dia 9 de abril de 2011: Anorexia e Bulimia
O Seminário pretende discutir as anorexias e bulimias, que se destacam como sintomas da contemporaneidade e que vemos tão frequentemente em nossa prática clínica.


Dia 21 de maio de 2011: A feminilidade na obra de Freud
Neste Seminário pretende-se refazer o percurso de Freud na sua teorização a respeito da feminilidade, desde os famosos casos clínicos das histéricas, que inauguraram sua prática, até os textos, no final de sua obra, sobre a feminilidade

14 de fevereiro de 2011

Curso sobre Psicose em SP

O Núcleo de Pesquisas de Psicopatologia e Psicanálise (NEPPSI) do Serviço de Psicoterapia da Divisão Médica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (IPq-HC-FMUSP) e o Instituto da Psicanálise Lacaniana (IPLA) promovem o curso A Psicanálise das Psicoses.

Veja a programação.

Curso com Antonio Quinet no POP

A histeria generalizada na psicanálise de Freud a Lacan

A psicanálise se iniciou com as histéricas, que Freud conheceu no serviço de Charcot em Paris e depois em seu divã. Elas lhe ensinaram que o sintoma corporal conta uma cena traumática, que cada parte do corpo pode funcionar como uma zona erógena, pois o inconsciente se inscreve no corpo. Em seguida, Freud descreve a neurose histérica e o desejo insatisfeito em ambos os sexos. Em Lacan a histeria é percebida como uma forma de laço social. A partir disso pensamos também a histeria como obra de arte no teatro e na ópera.

3 de maio
O corpo histérico e o sintoma conversador. Os pacientes histéricos de Freud revelaram que o corpo é um palco — cada parte contém em si uma cena, um encontro, um estupro, uma transgressão, um beijo, uma carícia que mapeiam a anatomia convertida em sintomas que contam corporalmente a história histérica do sujeito do inconsciente.

10 de maio
O desejo insatisfeito e o gozo da insatisfação. O balé histérico: o pas de deux (Dois? Não!), o pas-de-trois (O sexo começa a três) e o pas-de-quatre.

17 de maio
O histérico macho. Quem disse que só as mulheres são histéricas? A questão inconsciente da histeria "sou homem ou mulher?" apreendida por Freud com o conceito de bissexualidade se manifesta de forma distinta nos homens e nas mulheres? Para além dos sintomas, quais as peculiaridades da histeria masculina? O caso de Dom Juan.

24 de maio
O teatro operistérico. Lacan elevou a histeria à dignidade de um laço social (para além do sintoma e da neurose.) mostrando aí um vínculo que se estabelece a partir do desejo e da posição de objeto - de objeto ativo. Esse vínculo tem afetos e estratégias próprias para provocar o desejo e a produção de saber no espectador. Sob os holofotes: a histeria como obra de arte. O teatro e a ópera.



Antonio Quinet é psicanalista, psiquiatra, doutor em filosofia (Université Paris VIII - Vincennes) e dramaturgo. Autor de vários livros de psicanálise como A estranheza da psicanálise - Escola de Lacan e seus analistas (2009) e de peças teatrais como A lição de Charcot - sobre o teatro histérico (peça inédita publicada em 2005) e Variações freudianas 1: o sintoma (2010-2011), em cartaz em abril e maio deste ano na Casa de Cultura Laura Alvim.
Polo de Pensamento Contemporâneo
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