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8 de abril de 2009

"O corpo é o lugar do Outro"

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A psicanálise introduz uma diferença profunda entre o corpo humano e o organismo vivente. Este último está governado por leis biológicas fixadas hereditariamente e inscritas no
patrimonio genético de uma espécie. O instinto é sua expressão mais direta enquanto fornece ao organismo um esquema de respostas às solicitações internas e ambientais determinado naturalmente e sedimentado geneticamente. O mundo humano, ao contrário, não é redutível ao campo biológico-natural do instinto. O mundo humano não tem nada de natural. É, ao contrário, o produto de um trabalho: aquele que o significante promove imprimindo nas coisas humanas o selo - a marca - do Outro.

Afirmar que o corpo humano enquanto tal não tem nada de natural significa dizer que é, já antes de nascer, um corpo habitado, signado, marcado pela linguagem. Dessa forma o nascimento biológico não antecipa simplesmente o nascimento psicológico, porque, na realidade, o nascimento de uma criança é antecipado por Outro: é antecipado na eleição de um nome, no espaço que os familiares preparam na casa, nas expectativas imaginárias criadas já antes de sua própria concepção. Dessa forma, seu corpo será vestido, educado na limpeza, cortado (o cordão umbilical, as unhas, o cabelo) e tatuado segundo a cultura pertencente na qual se inscreverá. neste sentido, os signos que produzem o corpo são de linguagem e não de natureza. Lacan sintetiza esta dependência estrutural do corpo à linguagem, afirmando que o corpo é o lugar do Outro. Onde, o lugar do outro é exatamente aquele onde se efetua o tratamento significante do corpo.

In: La última Cena, de Massimo Recalcati

Mais uma vez a tradução é minha, portanto podem haver pequenos equivocos.
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