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18 de maio de 2020

Psiquiatras alertam para 'tsunami' de problemas de saúde mental em meio à pandemia

Fonte: G1

Os psiquiatras alertam para um "tsunami" de problemas de saúde mental devido à pandemia de coronavírus.
Os médicos estão particularmente preocupados com o fato de crianças e idosos não receberem o apoio de que precisam devido ao fechamento de escolas, ao isolamento social e ao medo de hospitais. Fatores como a solidão, o medo da Covid-19 e incertezas quanto ao futuro agravam doenças mentais pré-existentes e criam novos problemas para pessoas até então saudáveis.
Em uma pesquisa feita no Reino Unido, os psiquiatras relataram aumento no número de atendimentos de emergência relacionados a doenças mentais e uma queda nas consultas de rotina.
Eles afirmam que muitas pessoas deixaram de procurar ajuda mesmo com os serviços de saúde mental ainda abertos, e por isso acabaram chegando ao ponto em que atendimentos de emergência foram mais necessários.

'Os pacientes evaporaram'
"Já estamos vendo o impacto devastador da Covid-19 na saúde mental, com mais pessoas em crise", diz a professora Wendy Burn, presidente do Royal College of Psychiatrists (Colégio Real de Psiquiatras), no Reino Unido.
"E estamos muito preocupados com as pessoas que precisam de ajuda agora, mas não estão conseguindo. Nosso medo é que o 'lockdown' (fechamento total de comércio e serviço) esteja fazendo com que as pessoas guardem problemas que poderiam levar a um 'tsunami' de doenças mentais depois".
A pesquisa da instituição de caridade Rethink Mental Illness, feita com 1.300 médicos de saúde mental de todo o Reino Unido, constatou que 43% haviam visto um aumento em casos urgentes, enquanto 45% relataram uma redução nas consultas de rotina.
"Na psiquiatria da velhice nossos pacientes parecem ter evaporado, acho que as pessoas têm medo demais de procurar ajuda", disse um psiquiatra.
Outro escreveu: "Muitos de nossos pacientes desenvolveram distúrbios mentais como resultado direto da interrupção da rotina gerada pelo coronavírus, do isolamento social, do aumento do estresse e da falta de remédios".

Idosos e jovens estão entre os grupos que geram maior preocupação
"Estamos preocupados que crianças e jovens com doença mental que possam estar com dificuldades não estejam recebendo o apoio de que precisam", diz Bernadka Dubicka, que preside a faculdade de psiquiatria infantil e adolescente do Royal College of Psychiatrists. "Precisamos passar a mensagem e deixar claro que os serviços ainda estão abertos."
Tanto do Reino Unido quanto no Brasil, o atendimento psicológico continua funcionando e pode inclusive ser feito à distância, através de plataformas de videochamada. No entato, o uso da tecnologia para chamar um médico durante o bloqueio é difícil para algumas pessoas mais velhas, explica Amanda Thompsell, especialista em psiquiatria para idosos.
Idosos também costumam ser "relutantes" em procurar ajuda, e sua necessidade de apoio à saúde mental provavelmente é maior do que nunca, diz ela.

'Prioridade clara'
A instituição de saúde mental Rethink Mental Illness disse que as preocupações levantadas pelos especialistas são apoiadas por evidências de que as pessoas estão convivendo com mais doenças mentais.
Em uma outra pesquisa feita no país, a maioria das pessoas disse que sua saúde mental piorou desde o início da pandemia, devido à interrupção de rotinas e estratégias que elas utilizavam para controlar problemas de saúde mental como depressão, ansiedade, pânico, entre outros.
"O NHS (sistema de saúde público do Reino Unido) está fazendo um trabalho incrível nas circunstâncias mais difíceis, mas a saúde mental deve ser uma prioridade clara", diz Danielle Hamm, da instituição de caridade. "É preciso investimentos para garantir que os serviços possam lidar com esse aumento antecipado da demanda."
Segundo ela, sem o atendimento adequado no momento, pode levar anos para que algumas pessoas se recuperem dos problemas mentais gerados pela pandemia.



Fernanda Pimentel é psicanalista, professora e pesquisadora. Doutora em Pesquisa e Clínica em Psicanálise pela UERJ
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.

15 de maio de 2020

"Serviços de saúde mental são parte essencial de todas as respostas governamentais à covid-19. Eles devem ser ampliados e totalmente financiados."

ONU alerta para aumento do sofrimento psicológico durante a pandemia

Fonte: DW

"Secretário-geral pede que governos e autoridades atendam às necessidades de saúde mental em meio à crise. "Mesmo quando a pandemia estiver sob controle, luto, ansiedade e depressão continuarão afetando a população."
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para um aumento de sofrimentos psicológicos atrelados à covid-19 e pediu a governos, sociedade civil e autoridades de saúde que atendam urgentemente às necessidades de saúde mental em meio à pandemia de coronavírus.
Em mensagem de vídeo com instruções políticas, o chefe das Nações Unidas disse que, "após décadas de negligência e subinvestimento em serviços de saúde mental, a pandemia de covid-19 agora está atingindo famílias e comunidades com estresse mental adicional".
Guterres apontou para "tristeza pela perda de entes queridos, choque pela perda de empregos, isolamento e restrições de movimento, dinâmica familiar difícil e incerteza e medo pelo futuro".
Segundo o secretário-geral, as pessoas que mais precisam de ajuda são os profissionais de saúde, idosos, adolescentes, jovens e aqueles com condições de saúde mental preexistentes, além dos envolvidos em conflitos e crises.
"Mesmo quando a pandemia estiver sob controle, luto, ansiedade e depressão continuarão afetando pessoas e comunidades", alertou Guterres. "Serviços de saúde mental são parte essencial de todas as respostas governamentais à covid-19. Eles devem ser ampliados e totalmente financiados."
Em um documento de 17 páginas, as Nações Unidas ainda enfatizaram que "a saúde mental e o bem-estar de sociedades inteiras foram severamente afetados por esta crise e são uma prioridade a ser tratada com urgência".
O texto diz ser "provável um aumento a longo prazo no número e na gravidade dos problemas de saúde mental", e alerta que, caso não sejam tomadas providências, a covid-19 "possui potencial para [se tornar] uma grande crise de saúde mental", assim como "uma crise de saúde física".
O documento menciona o sofrimento psicológico generalizado devido aos aspectos imediatos de saúde relacionados ao vírus, às consequências do isolamento social, ao medo de infecções, à morte e à perda de membros da família, ao distanciamento físico de entes queridos e à turbulência econômica.
"Desinformação e rumores frequentes sobre o vírus e a profunda incerteza sobre o futuro são fontes comuns de angústia", diz o comunicado da ONU. "Em todas as comunidades existem numerosos idosos e pessoas com condições de saúde preexistentes que estão aterrorizadas e solitárias."
"As dificuldades emocionais de crianças e adolescentes são exacerbadas pelo estresse familiar, isolamento social, com alguns enfrentando aumento do abuso, interrupção da educação e incerteza sobre o futuro", prossegue o texto..
Segundo a organização, a maioria das necessidades de saúde mental permanece sem atendimento devido ao tamanho do problema. A ONU apontou para uma falta histórica de investimentos em cuidados de saúde mental e apelou por uma ampla disponibilidade de ajuda emergencial e apoio psicológico durante a pandemia.
Por fim, as Nações Unidas clamaram pelo desenvolvimento de serviços de saúde mental para o futuro, "a fim de apoiar a recuperação da sociedade da covid-19"."
Veja o vídeo no Twitter de Guterres: https://twitter.com/antonioguterres


Fernanda Pimentel é psicanalista, professora e pesquisadora. Doutora em Pesquisa e Clínica em Psicanálise pela UERJ
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.

14 de maio de 2020

Como estão os adolescentes em tempo de pandemia?


Cada fase da vida se afeta de uma forma diferente com os acontecimentos de uma época, da mesma forma que tem seus recursos possíveis para lidar isso. A psicanalista Julieta Jerusalinsky fala do impacto da pandemia e do isolamento para os adolescentes. 






Fernanda Pimentel é psicanalista, professora e pesquisadora. Doutora em Pesquisa e Clínica em Psicanálise pela UERJ
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.

13 de maio de 2020

Pesquisa indica aumento de depressão e ansiedade durante o isolamento


Apesar dos índices que indicam aumento de depressão e ansiedade neste período de isolamento social, quem recorreu a análise online apresenta menos sintomas e lida melhor com algumas dificuldades típicas deste momento.

Pesquisa da Uerj indicaaumento de casos de depressão entre brasileiros durante a quarentena

As incertezas com o novo coronavírus e as mudanças impostas pelo isolamento social vêm provocando sofrimento psíquico. Logo após a decretação da quarentena por causa da pandemia de Covid-19, o professor Alberto Filgueiras, do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), iniciou uma pesquisa sobre o comportamento dos brasileiros durante o isolamento. Os resultados mostram que os casos de depressão praticamente dobraram entre os entrevistados, enquanto as ocorrências de ansiedade e estresse tiveram um aumento de 80%, nesse período.
Filgueiras coordena o estudo por meio do Laboratório de Neuropsicologia Cognitiva e Esportiva (LaNCE), em parceria com o Dr. Matthew Stults-Kolehmainen, do Yale New Haven Hospital, nos EUA.  Para a realização da pesquisa, 1.460 pessoas em 23 estados e todas as regiões do país responderam a um questionário on-line com mais de 200 perguntas, em dois momentos específicos, de 20 a 25 de março e de 15 a 20 de abril.
De acordo com os dados analisados, as mulheres são mais propensas do que os homens a sofrer com estresse e ansiedade durante a quarentena. Outros fatores de risco são: alimentação desregrada, doenças preexistentes, ausência de acompanhamento psicológico, sedentarismo e a necessidade de sair de casa para trabalhar. Já para depressão, as principais causas são idade mais avançada, ausência de crianças em casa, baixo nível de escolaridade e a presença de idosos no ambiente doméstico.
De acordo com o professor Alberto Filgueiras, os resultados sugerem um agravamento preocupante. “A prevalência de pessoas com estresse agudo na primeira coleta de dados foi de 6,9% contra 9,7%, na segunda. Para depressão, os números saltaram de 4,2% para 8,0%. Por último, no caso de crise aguda de ansiedade, vimos sair de 8,7% na primeira coleta para 14,9%, na segunda coleta”, ressalta.



Por outro lado, a pesquisa sinaliza que quem recorreu à psicoterapia pela internet apresentou índices menores de estresse e ansiedade. Da mesma forma, aqueles que puderam praticar exercício aeróbico tiveram melhor desempenho do que os que não fizeram nenhuma atividade física, ou que praticaram apenas atividade de força.Mas Filgueiras faz um alerta, pois a pressão social pode acabar impondo mais estresse às pessoas, em tempos de isolamento. “Esse período da quarentena não é o momento de mudar seus hábitos radicalmente. Isso pode gerar ainda mais angústia. Respeite seu estilo de vida e seus limites”, reforça.
Nos próximos meses, a pesquisa terá continuidade com novos ciclos de aplicação do questionário, enquanto durar a quarentena.

Fernanda Pimentel é psicanalista, professora e pesquisadora. Doutora em Pesquisa e Clínica em Psicanálise pela UERJ
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.

6 de maio de 2020

Feliz aniversário, Dr. Freud!

Hoje Freud completaria 164 anos!

Para celebrar, recomendo a leitura do texto "Sobre a Transitoriedade", de 1916, onde Freud aborda a finitude, a morte e a decadência. Apesar dos termos, não se trata de um teto pessimista, ao contrário, pois o que ele destaca é que é justamente a transitoriedade das coisas, da beleza e da vida, que nos faz dar valor a elas...



“Sobre a Transitoriedade” (1916/1915) 

Não faz muito tempo empreendi, num dia de verão, uma caminhada através de campos sorridentes na companhia de um amigo taciturno e de um poeta jovem mas já famoso. O poeta admirava a beleza do cenário à nossa volta, mas não extraía disso qualquer alegria. Perturbava-o o pensamento de que toda aquela beleza estava fadada à extinção, de que desapareceria quando sobreviesse o inverno, como toda a beleza humana e toda a beleza e esplendor que os homens criaram ou poderão criar. Tudo aquilo que, em outra circunstância, ele teria amado e admirado, pareceu-lhe despojado de seu valor por estar fadado à transitoriedade.

A propensão de tudo que é belo e perfeito à decadência, pode, como sabemos, dar margem a dois impulsos diferentes na mente. Um leva ao penoso desalento sentido pelo jovem poeta, ao passo que o outro conduz à rebelião contra o fato consumado. Não! É impossível que toda essa beleza da Natureza e da Arte, do mundo de nossas sensações e do mundo externo, realmente venha a se desfazer em nada. Seria por demais insensato, por demais pretensioso acreditar nisso. De uma maneira ou de outra essa beleza deve ser capaz de persistir e de escapar a todos os poderes de destruição.


Mas essa exigência de imortalidade, por ser tão obviamente um produto dos nossos desejos, não pode reivindicar seu direito à realidade; o que é penoso pode, não obstante, ser verdadeiro. Não vi como discutir a transitoriedade de todas as coisas, nem pude insistir numa exceção em favor do que é belo e perfeito. Não deixei, porém, de discutir o ponto de vista pessimista do poeta de que a transitoriedade do que é belo implica uma perda de seu valor.

Pelo contrário, implica um aumento! O valor da transitoriedade é o valor da escassez no tempo. A limitação da possibilidade de uma fruição eleva o valor dessa fruição. Era incompreensível, declarei, que o pensamento sobre a transitoriedade da beleza interferisse na alegria que dela derivamos. Quanto à beleza da Natureza, cada vez que é destruída pelo inverno, retorna no ano seguinte, do modo que, em relação à duração de nossas vidas, ela pode de fato ser considerada eterna. A beleza da forma e da face humana desaparece para sempre no decorrer de nossas próprias vidas; sua evanescência, porém, apenas lhes empresta renovado encanto. Um flor que dura apenas uma noite nem por isso nos parece menos bela. Tampouco posso compreender melhor por que a beleza e a perfeição de uma obra de arte ou de uma realização intelectual deveriam perder seu valor devido à sua limitação temporal. Realmente, talvez chegue o dia em que os quadros e estátuas que hoje admiramos venham a ficar reduzidos a pó, ou que nos possa suceder uma raça de homens que venha a não mais compreender as obras de nossos poetas e pensadores, ou talvez até mesmo sobrevenha uma era geológica na qual cesse toda vida animada sobre a Terra; visto, contudo, que o valor de toda essa beleza e perfeição é determinado somente por sua significação para nossa própria vida emocional, não precisa sobreviver a nós, independendo, portanto, da duração absoluta.

Essas considerações me pareceram incontestáveis, mas observei que não causara impressão quer no poeta quer em meu amigo. Meu fracasso levou-me a inferir que algum fator emocional poderoso se achava em ação, perturbando-lhes o discernimento, e acreditei, depois, ter descoberto o que era. O que lhes estragou a fruição da beleza deve ter sido uma revolta em suas mentes contra o luto. A ideia de que toda essa beleza era transitória comunicou a esses dois espíritos sensíveis uma antecipação de luto pela morte dessa mesma beleza; e, como a mente instintivamente recua de algo que é penoso, sentiram que em sua fruição de beleza interferiam pensamentos sobre sua transitoriedade.




O luto pela perda de algo que amamos ou admiramos se afigura tão natural ao leigo, que ele o considera evidente por si mesmo. Para os psicólogos, porém, o luto constitui um grande enigma, um daqueles fenômenos que por si sós não podem ser explicados, mas a partir dos quais podem ser rastreadas outras obscuridades. Possuímos, segundo parece, certa dose de capacidade para o amor – que denominamos de libido – que nas etapas iniciais do desenvolvimento é dirigido no sentido de nosso próprio ego. Depois, embora ainda numa época muito inicial, essa libido é desviada do ego para objetos, que são assim, num certo sentido, levados para nosso ego. Se os objetos forem destruídos ou se ficarem perdidos para nós, nossa capacidade para o amor (nossa libido) será mais uma vez liberada e poderá então ou substituí-los por outros objetos ou retornar temporariamente ao ego. Mas permanece um mistério para nós o motivo pelo qual esse desligamento da libido de seus objetos deve constituir um processo tão penoso, até agora não fomos capazes de formular qualquer hipótese para explicá-lo. Vemos apenas que a libido se apega a seus objetos e não renuncia àqueles que se perderam, mesmo quando um substituto se acha bem à mão. Assim é o luto.

Minha palestra com o poeta ocorreu no verão antes da guerra. Um ano depois, irrompeu o conflito que lhe subtraiu o mundo de suas belezas. Não só destruiu a beleza dos campos que atravessava e as obras de arte que encontrava em seu caminho, como também destroçou nosso orgulho pelas realizações de nossa civilização, nossa admiração por numerosos filósofos e artistas, e nossas esperanças quanto a um triunfo final sobre as divergências entre as nações e as raças. Maculou a elevada imparcialidade da nossa ciência, revelou nossos instintos em toda a sua nudez e soltou de dentro de nós os maus espíritos que julgávamos terem sido domados para sempre, por séculos de ininterrupta educação pelas mais nobres mentes. Amesquinhou mais uma vez nosso país e tornou o resto do mundo bastante remoto. Roubou-nos do muito que amáramos e mostrou-nos quão efêmeras eram inúmeras coisas que consideráramos imutáveis.

Não pode surpreender-nos o fato de que nossa libido, assim privada de tantos dos seus objetos, se tenha apegado com intensidade ainda maior ao que nos sobrou, que o amor pela nossa pátria, nossa afeição pelos que se acham mais próximos de nós e nosso orgulho pelo que nos é comum, subitamente se tenham tornado mais vigorosos. Contudo, será que aqueles outros bens, que agora perdemos, realmente deixaram de ter qualquer valor para nós por se revelarem tão perecíveis e tão sem resistência? Isso parece ser o caso de muitos de nós; só que, na minha opinião, mais uma vez, erradamente. Creio que aqueles que pensam assim, de e parecem prontos a aceitar uma renúncia permanente porque o que era precioso revelou não ser duradouro, encontram-se simplesmente num estado de luto pelo que se perdeu. O luto, como sabemos, por mais doloroso que possa ser, chega a um fim espontâneo. Quando renunciou a tudo que foi perdido, então consumiu-se a si próprio, e nossa libido fica mais uma vez livre (enquanto ainda formos jovens e ativos) para substituir os objetos perdidos por novos igualmente, ou ainda mais, preciosos. É de esperar que isso também seja verdade em relação às perdas causadas pela presente guerra. Quando o luto tiver terminado, verificar-se-á que o alto conceito em que tínhamos as riquezas da civilização nada perdeu com a descoberta de sua fragilidade. Reconstruiremos tudo o que a guerra destruiu, e talvez em terreno mais firme e de forma mais duradoura do que antes.



Fernanda Pimentel é psicanalista, professora e pesquisadora. Doutora em Pesquisa e Clínica em Psicanálise pela UERJ
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.

4 de maio de 2020

Sobre a influência da tecnologia na subjetividade das crianças


No momento em que as crianças estão mais em suas casas é importante retomar a discussão sobre a influência da tecnologia na subjetividade e desenvolvimento da criança. 
A psicanalista Julieta JerusalinskyOrganizadora do livro “Intoxicações Eletrônicas, O Sujeito na Era das Relações Virtuais” ( Agalma, 2017), fala, para a Revista Gama, sobre o impacto da tecnologia na formação da criança e de como ‘é preciso de gente para ser gente’

"A internet é pior babá eletrônica do que foi a televisão em outros tempos. A partir do momento em que a mobilidade permitiu que cada integrante de uma família usasse uma tela para assistir ou jogar o que bem entendesse, houve a individualização de um processo que antes era coletivo. Dar um tablet para uma criança ficar quieta pode ser abrir a porta para um estado de passividade.
“A infância é um momento de estruturação em que o cérebro, o corpo e o psiquismo estão em formação. As experiências de vida são decisivas para quem a criança será no futuro, e por isso é tão importante pensar que lugar se dá para a ela em casa, na escola e na sociedade”, afirma a psicanalista Julieta Jerusalinsky, professora do curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Puc-SP) e especialista em primeira infância e desenvolvimento infantil.
Organizadora do livro “Intoxicações Eletrônicas, O Sujeito na Era das Relações Virtuais” ( Agalma, 2017), em entrevista a Gama ela fala sobre o impacto das telas na criação e no desenvolvimento dos filhos e sobre como a convivência é fundamental para moldar que adultos essas crianças serão amanhã. “A gente precisa de gente para virar gente, pois é pela relação com o outro que uma criança se estrutura.”
G |Da perspectiva de pais esmagados por obrigações profissionais e domésticas, como não cair na armadilha da tela apaziguadora? Como criar filhos nesse mundo de telas? 
A questão seria a tela ou o fato de estarmos todos demasiadamente ocupados trabalhando, em um afastamento de contextos comunitários de família extensa e vizinhança, enquanto as crianças ficam sozinhas? Essa é a pergunta que a gente precisa se fazer. Porque a infância é um tempo da vida crucial para a formação, mas ela termina. Por isso precisamos pensar em como arrumar tempo e lugar para transmitir à criança aquilo que achamos que é decisivo para que ela se torne o adulto de amanhã. Dá muito trabalho, é verdade. Mas ao conviver com uma criança acabamos inventando brincadeiras e evocando passagens da nossa própria infância que, se não fosse pela criança, cairiam no esquecimento. Assim elas acabam por nos fazer um favor aos nos tirar do automatismo da vida adulta e nos convidar a construir uma brincadeira entre gerações. Costuma ser surpreendente o que pode acontecer quando desligamos as telas e abrimos lugar para o convívio.

O que mudou em relação a crianças e telas durante a quarentena? 
A quarentena tem sido um grande desafio de convívio familiar na medida em que as crianças passaram a ficar sob o cuidado dos pais 24 horas por dia, sem poder compartilhá-los com a escola, com outros familiares, com as babás ou as empregadas domésticas. Se produz assim um encontro entre pais que costumam delegar o cuidado dos filhos com crianças que estão muito acostumadas a ter atividades propostas por outros — e que em muitos casos não sabem construir suas próprias brincadeiras. Enquanto os pais estão sobrecarregados pelo home office e os cuidados com os filhos, pululam na internet mil e uma sugestões para entreter as crianças. Em vez de virar recreacionistas dos filhos, é um bom momento para compartilhar ludicamente das atividades da casa: cozinhar, estender a roupa, fazer a cama. Tais atividades estão repletas de sequências que exigem planejamento, motricidade ampla e fina, classificações centrais na construção do pensamento, bem como dotadas de grande valor simbólico capaz de fazer uma criança se orgulhar de poder “fazer sozinha” o que sempre foi feito por outros.

Existe uma dosagem saudável para o uso de TV ou internet? Ela muda com a idade? 
Há 20 anos, se discutia quanto tempo de televisão uma criança poderia assistir. Mas a televisão implicava que todos assistissem juntos, o que permitia comentários. Com uma tela individual, não há mais a conversa. A programação da televisão terminava; a internet não termina. Os pais já não sabem mais o que as crianças estão vendo, a não ser as muito pequenininhas. Outro aspecto é a passividade. Uma criança que brinca está em atividade, construindo uma história. A criança que está na frente da tela é uma espectadora, o que traz diferentes consequências em cada idade. Uma criança de zero a três anos vive um momento decisivo para a apropriação de seu corpo e entrada na linguagem. Que noção do seu corpo ela terá se está passiva e não circula pelo espaço? Que modo de entrada na linguagem terá se está exposta a um tablet que emite sons, mas que não sustenta a lógica de uma conversa? Até os três anos, a utilização das telas deveria ser zero porque nesse momento de vida é fundamental a relação com o outro.

E depois da primeira infância? 
Dos três aos dez anos é o momento da construção do faz de conta, de armar brincadeiras que impliquem em fantasiar. Brincar é algo extremamente complexo porque é preciso construir uma sequência e negociá-la conjuntamente com outro, dizendo para o companheiro de brincadeira o que se imaginou para que, a partir dessas palavras, os demais companheiros possam construir uma imagem e fantasiar junto. Nos jogos virtuais, esse trabalho é poupado. Mesmo nos mais criativos, os contextos aparecem dados, seja o cenário, a missão ou o personagem de cada um. E esse é um trabalho psiquicamente estruturante. Mais adiante isso é necessário para escrever um texto a partir de uma ideia ou interpretar o que lemos. Há tabelas que indicam um limite de tempo de uso de eletrônicos para cada idade, mas a questão crucial a se fazer é: no lugar do que isso está? Quando um adolescente de 13 ou 14 anos fica de duas a três horas por dia na internet, e se esse é o tempo que uma família tem para estar junto ao final do dia, se perde um momento irrecuperável.

Mas existe alguma medida que o uso de telas pode ser positivo? 
Não se trata de demonizar as novas tecnologias, mas de considerar que uso fazemos delas. As intoxicações eletrônicas não começam quando se larga o celular na mão de uma criança. A questão é como nós, adultos, estamos usando esses aparelhos. Com a internet móvel, não temos mais divisão entre o tempo de trabalho e de lazer. Um pai chega em casa e senta para brincar com seu filho, enquanto olha para as mensagens no celular. Ao ficarmos o tempo inteiro disponíveis aos que não estão ali, perdemos a importância da presença dos que estão ali conosco. Para as crianças, que dependem radicalmente do lugar que os pais lhes dão, isso tem consequências muito mais contundentes.

Você organizou um livro sobre as intoxicações eletrônicas. O que é isso exatamente? 
Para elaborar o que acontece na vida, as crianças precisam produzir, ativamente, suas representações no lugar de ficarem como espectadoras passivas de um entretenimento digital. Fazer um desenho, uma escultura de massinha, uma encenação na brincadeira ou produzir narrativas com acontecimentos ficcionais ou biográficos permite a elaboração do que é vivido, transformando acontecimentos em experiências sobre as quais se produziu algum saber. Mas quando todo intervalo passa a ser preenchido por outro e mais outro conteúdo digital suprime-se o tempo necessário para poder até mesmo evocar isso que foi vivido. É aí que um efeito tóxico se instaura, já que essa exigência de estar sempre atualizado e online torna-se um excesso que suprime o lugar e o tempo para a elaboração subjetiva que dá significado à vida.

Como se identifica que uma criança está intoxicada? 
Nos últimos anos, principalmente a partir do advento da internet móvel, começamos a receber pequenas crianças que, em vez de brincar, conversar, fazer perguntas, compartilhar atividades com adultos, explorar o espaço ou simplesmente observar o entorno, ficavam absortas em jogos eletrônicos. Para os bebês de menos de três anos, isso se traduzia em um desinteresse de estar com os outros, apresentando linguagens com repetição de fragmentos de jogos eletrônicos e aplicativos, algumas vezes em língua estrangeira, em lugar de sustentar um diálogo ou compartilhar uma brincadeira. Muitas vezes os tablets ou celulares passaram a ser entregues na mão de pequenas crianças como “chupetas eletrônicas”. Um bebê precisa explorar o espaço para encontrar os perigos reais do mundo e ser advertido simbolicamente das regras de convívio. A partir do momento em que entra essa chupeta eletrônica, ele deixa de fazer um registro do seu próprio corpo no espaço. E isso tem uma consequência.

O que os pais que permitiram o uso de eletrônicos pelas crianças se deram conta de que há problemas e querem restringi-lo podem fazer? 
Dizer “não” não basta. Em primeiro lugar é preciso pensar o que se propõe à criança. Em segundo lugar é preciso considerar o que o próprio adulto faz. Muitas vezes, as crianças convivem com um adulto que está de corpo presente, mas psiquicamente ausente olhando para uma janela virtual. As crianças não aprendem simplesmente pelo que os adultos lhes dizem, mas pelo cruzamento disso com o que eles mesmo fazem. Há bebês que, siderados por eletrônicos, podem acabar caindo em diagnósticos de transtorno do espectro do autismo. Não estou dizendo que o autismo é causado pelos eletrônicos, mas que muitas crianças com intoxicações eletrônicas são colocadas nessa valeta diagnóstica, ou em outra grande valeta diagnóstica da contemporaneidade que é o déficit de atenção e hiperatividade.

Crianças que não têm contato com telas podem ter algum tipo de distância cultural das que as utilizam? 
Não existe uma única maneira de educar — existem várias e os pais não devem se eximir de transmitir aos filhos aquilo em que acreditam, mesmo que isso implique impor limites diferentes dos que estão acostumados a ver nos colegas. É uma ilusão entregar a elas aparelhos achando que vão prepará-las para o futuro. A era digital traz uma possibilidade de acesso à informação sem precedentes, mas as crianças precisam de outros seres humanos, pais, professores, para construir suas perguntas e seus percursos de investigação.
Fonte: Revista Gama

Fernanda Pimentel é psicanalista, professora e pesquisadora. Doutora em Pesquisa e Clínica em Psicanálise pela UERJ
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.

30 de abril de 2020

Psicanálise e escuta do sofrimento


Texto da psicanalista Julieta Jerusalinky sobre o trabalho de escuta dos psicanalistas durante o período do isolamento social e as possibilidades de saída após a pandemia.

Escutadores do sofrimento psíquico durante o confinamento e a construção de saídas coletivas após a pandemia
A pandemia mundial de COVID-19 é uma fatalidade de ordem natural, mas que, ao mesmo tempo, revela as consequências dramáticas de uma organização mundial que, nas últimas décadas, se caracterizou pelo desmonte do estado do bem-estar social.
Não temos como viver em sociedade sem construirmos um projeto coletivo que zele pela saúde, educação, pesquisa, informação, amparando a população vulnerável em uma Rede de Atendimento Psicossocial. Revela-se aí a importância do SUS, da RAPS, das bolsas de pesquisa (duramente sucateadas a partir da Emenda Constitucional 95 que congelou as verbas para saúde e educação por 20 anos). Se em momentos de surtos de doenças infecto contagiosas, como a COVID-19, precisamos contar com médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem na linha de frente, temos também um intenso trabalho ocorrendo na sustentação da vida pela via da manutenção da saúde mental, duramente atingida durante a pandemia.
Nas últimas semanas, psicólogos, psicanalistas e terapeutas implicados no tratamento regular de pacientes - como fonoaudiólogos, psicomotricistas, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, musicoterapeutas, psicopedagogos e assistentes sociais, entre outros – têm trabalhado intensamente.
À medida em que a pandemia avança, avança também uma fragilização psíquica. Temos escutado as pessoas falarem do medo. Medo direto da perda da própria vida ou da de seres queridos, em particular dos mais velhos, mas também medo pela geração seguinte, nos casos em que se trata de crianças com dificuldades, pelas quais é preciso zelar ainda mais. Medo da perda do trabalho e dos lugares que tão duramente se conquistaram ao longo dos anos por um imenso investimento de esforço vital. Medo da perda do sustento para o mais mínimo da dignidade humana: alimento, medicações, moradia.
Somos escutadores da angústia - sentimento mais difuso que o medo, já que este, pelo menos, é um temor de algo específico. A angústia é mais avassaladora, invade, tira o sono, causa palpitações, toma o corpo de aflição, uma aflição da qual não se vê a saída... traduzida na frase, muito repetida nesses dias, “senti um aperto quando percebi que não se sabe quando isso vai acabar”.
Quando as coordenadas simbólicas que sustentam a vida de alguém se fragilizam, torna-se difícil imaginar o futuro. Ainda que nunca saibamos do futuro, imaginar um, é imprescindível para sustentar o presente, senão o presente é vivido em um continuum sem relevo, sem perspectiva. Por isso é tão importante considerar que, ainda que não saibamos quando, isso vai acabar.
A angústia se apresenta pela descontinuidade que se vive, já que sabemos que não sairemos dessa para o mesmo mundo que deixamos, e essa incerteza comparece nos pesadelos, tão narrados nesses dias, em que as pessoas se vêem atingidas por acontecimentos imprevisíveis que as tomam de surpresa, que as pegam despreparadas, ficando paralisadas ao se tentirem invadidas pelo terror.
Somos escutadores da tristeza e quadros depressivos daqueles para os quais estar no mundo já não era fácil, e agora, ao ter que ficar reclusos, esquecem até de abrir a janela, entrando em estados crepusculares em que tudo parece se apagar, ficar distante e difuso.
Somos escutadores daqueles que se sentem absolutamente indefesos, expostos e invadidos pelo risco da doença que passa a assumir um caráter persecutório, na medida em que percebem que não há garantias absolutas de risco zero, por mais que haja isolamento ou por mais que se lave as mãos.
Somos escutadores da raiva e das explosões emocionais que, se não escutadas, viram atos contra si e contra os outros -como todos têm testemunhado pelas estatísticas que evidenciam um acréscimo exponencial de violência doméstica durante essa pandemia.
Somos escutadores dos efeitos psíquicos produzidos pela privação do ir e vir, pela privação do gesto do beijo e do abraço. É uma dor para as crianças não poderem ver os avós, é uma dor para os jovens não poderem encontrar seus namorados e para os adolescentes não poderem conviver com seus amigos. São dores que precisam ser escutadas para que seja possível às pessoas atravessar esse momento sem se porem em risco.




Nesse momento, para cuidar dos demais, é preciso se afastar fisicamente. Para exercer a cidadania é preciso ficar em casa. Mas, para não adoecer, é preciso sentir que estamos com os outros simbolicamente, se sentir amparado, considerado, escutado. Refazer o sentido de viver diante do imprevisível, como uma pandemia, é imprescindível para não adoecer psiquicamente, e esse sentido precisa ser sustentado com os outros: amigos, familiares, colegas e também terapeutas.
Por isso é um trabalho de escutadores esse que fazemos. Um trabalho que não aparece nas estatísticas nem é visível. Como as tarefas domésticas, o sofrimento mental só aparece quando o trabalho de elaboração que era para acontecer não aconteceu. Assim como os cidadãos só costumam lembrar dos lixeiros quando eles não passam, e aí se percebe quão fundamental esse trabalho é, os trabalhadores da saúde mental somos recicladores do lixo psíquico, dos resíduos que produzem adoecimento.
Tratamos escutando a dor que dilacera e, a partir dela, procuramos, na fineza e delicadeza íntima de cada subjetividade, sustentar os fios que tornam possível seguir adiante com a vida, encontrar esperança, cuidar de si e cuidar dos outros, sustentando os fios soltos e tecendo com eles uma borda para a dor.
Somos escutadores e depois bordadores do rombo da dor. Isso não é fácil em um momento em que o tecido social que dá lugar para cada um se esgarça, e menos ainda para aqueles que já estavam frágeis: crianças que lutam por se desenvolver diante de um organismo que lhe impõe limites ou que lutam por estar em inclusão escolar diante de dificuldades de aprendizagem, pais que zelam por seus filhos acompanhados por terapeutas e que, no momento atual, não têm como compartilhar com outros seus cuidados, casais que estão em crise e que agora precisam conviver confinados.
Somos escutadores e, junto com nossos pacientes, bordadores, ao fazer a borda ao que dilacera. O mais surpreendente e animador nisso é que, ao fazermos as bordas para uma dor, também construímos o que se deixa de dentro e o que se deixa de fora, construímos limites ao que não deve nem pode ser tolerado, e desse modo, somos transformadores para que, diante da dor, seja possível construir e reconstruir novos caminhos possíveis para viver. Por isso é preciso considerar que a humanidade já atravessou outras longas e dolorosas dificuldades e algo podemos aprender com elas: jamais se volta ao mundo que deixamos. Por isso, em lugar de idealizar o que perdemos, podemos interrogar se aquele mundo de antes estava mesmo tão bom assim e interrogar em que direção desejamos prosseguir. Nisso contam os projetos pessoais, mas também o pacto social que nos une como sociedade.
Isso vai acabar. Uma hora vai acabar. Mas o mundo para o qual voltaremos dependerá dos atos que realizemos desde agora. Se para o cuidado de todos agora é preciso que cada um fique em casa, a questão que se coloca é que projeto coletivo de humanidade nos unirá a partir dessa pandemia. A que projeto social daremos lugar?
O que isso tem a ver com escutar a dor de cada um durante o confinamento? Bem, não dá na mesma sofrer só ou saber que há um coletivo social que traz amparo. A desesperança, a vulnerabilidade social e a extrema falta de possibilidades aos quais muitos estão expostos, não foram causadas pelo vírus.
Nesses momentos o coro diz: esperemos que haja respiradores para todos! Mas a questão maior que está em jogo é que haja serviços de saúde e de saúde mental para todos. Educação para todos, alimentação, moradia e informação para todos. Para isso é preciso que a lógica social do “salve-se quem puder”, que empurra cada um individualmente ao risco de morte em prol das margens de lucro, essa sim, seja sufocada por um projeto coletivo maior.
Julieta Jerusalinsky - é mestre e doutora em psicologia clínica, professora dos cursos de especialização em Teoria Psicanalítica (COGEAE PUC SP) e Estimulação Precoce (Clínica Transdisciplinar de bebês (Instituto Travessias da Infância – Centro de Estudos Lydia Coriat -SP)



Fernanda Pimentel é psicanalista, professora e pesquisadora. Doutora em Pesquisa e Clínica em Psicanálise pela UERJ
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.