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9 de maio de 2017

Livros para download gratuito

210 livro sobre psicanálise para baixar gratuitamente!




Tem Eric Laurent, tem Lacan, tem Alain Didier Weill, tem Miller, tem Coette Soler, tem Antonio Quinet, tem Contardo Calligaris, tem Joel Birman e Joel Dor, tem Garcia-Rosa, Denise Maurano, Elisabeth Roudinesco e mais um monte de outras referências importantes para a psicanálise!

Para ver a lista clique aqui.


Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.



15 de março de 2017

Pós-graduação em Psicanalise Clínica e Cultura na Celso Lisboa


O Centro Universitário Celso Lisboa está oferecendo o curso de Pós-graduação em Psicanálise Clínica e Cultura com uma proposta de discutir Psicanálise a partir da discussão de casos clínicos e da prática em diversos campos. 
Confira as infirmações da instituição: 






Detalhes do curso: 
Desenvolva e aprimore competências, especializando-se com professores altamente capacitados, através de casos e situações reais, e supere as expectativas do mercado de trabalho. Na Celso Lisboa você faz sua Pós-Graduação baseada em casos e situações reais. O ambiente é de interação constante e o formato é como acontece no mercado de trabalho: criando projetos, resolvendo problemas, desenvolvendo habilidades e aprimorando competências. 

Objetivos do Curso: 
Atender a demanda crescente pelo conhecimento da psicanálise tanto no meio “psi”, quanto pelos diversos campos do saber que integram as atividades culturais e sociais. Sobretudo, o curso é destinado para as atividades onde a práxis psicanalítica poderá oferecer algum suporte, como: clínicas, ONGs, centros de atendimento psicossociais e outros. 

Público-Alvo:
 Psicólogos, Médicos e áreas afins. Mercado de Trabalho Em expansão e com poucas ofertas especializações na área. 





Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.



24 de janeiro de 2017

Novos rumos da psiquiatria e sua influência na clínica e na pesquisa

Entender os rumos da psiquiatria americana é fundamental para entender a tendência que afeta a pratica clínica no mundo todo. O texto do psicanalista Marcelo Veras, publicado no blog da Subversos, explica bem as consequências que as políticas de saúde trazem para a clínica.  
Submundos
O que podemos esperar da troca do mais alto posto da psiquiatria americana, a direção do National Institut of Mental Health (NIMH)? Por treze anos a entidade foi comandada pelo notório Dr. Thomas Insel. Insel ganhou repercussão mundial quando a esperada quinta edição do DSM, que vinha sendo organizada pela Associação de Psiquiatria Americana, não foi referendada pelo NIMH no exato momento de seu lançamento. O DSM5 foi elaborado em meio a grandes polêmicas e resistências, principalmente quando o mundo descobriu o alto grau de comprometimento dos psiquiatras responsáveis com a indústria farmacêutica. Quando o NIMH desautorizou o DSM5 muitos comemoraram, pois a expectativa era de um manual ainda mais repleto de transtornos, aumentando enormemente o que poderia ser considerado uma patologia mental. Contudo, como chamou atenção Eric Laurent, em um artigo escrito logo após o anúncio do NIMH, não haveria muito o que comemorar, já que a crítica de Insel era precisamente que o DSM5 não era suficientemente “científico”, deixando entrever que o futuro da psiquiatria seria seu desaparecimento no oceano das pesquisas em neurociências[1].
As pesquisas translacionais
Efetivamente, a gestão Insel priorizou a neurociência e estrangulou progressivamente o orçamento para a pesquisa clínica. Afinal, com toda a crítica feita ao DSM, este era ainda um instrumento conectado à experiência clínica de profissionais que recebiam pacientes todos os dias. A partir de 2010, o NIMH instalou um novo critério para aprovação de pesquisas , chamado de RDC (Research Domain Criteria), que atrelava qualquer solicitação de financiamento à pesquisa translacional. O que é a Pesquisa Translacional? Trata-se de uma tendência mundial, crescente na pesquisa de doenças de todos os tipos, que visa agilizar a transferência de resultados da pesquisa básica à pesquisa clínica, afim de produzir benefícios para a comunidade como um todo. Em princípio a ideia é muito boa, pois visa reduzir o hiato entre a ciência pura e a prática clínica. As pesquisas translacionais no caso da psiquiatria envolvem sempre, em uma mesma pesquisa, tanto os genes, moléculas produzidas, células, e circuitos cerebrais, quanto o comportamento e os resultados clínicos obtidos.
Contudo, a crença de que o futuro da psiquiatria está no cérebro é tão consolidada, que solicitações de financiamento de pesquisas puramente clínicas passaram a ser sistematicamente negadas a partir dos novos RDC. A alegação do NIMH é sempre de que faltam nas propostas simplesmente clínicas uma “neurosignature”, espécie de selo de qualidade que implica a presença no projeto encaminhado de procedimentos atrelados aos pilares das neurociências. Em uma recente carta ao Times, o psiquiatra John Markowitz relata como ficou difícil propor uma pesquisa puramente clínica auspiciada pelo NIMH, já que, progressivamente, os fundos foram todos dedicados às pesquisas que incluem as neurociências. Atualmente apenas dez por cento do bilionária verba do NIMH é dedicada à trabalhos puramente clínicos[2]. 
Remédios para todos
Quem então se interessa pelos ensaios clínicos? Percebe-se que o espaço deixado vago foi fartamente ocupado pela indústria farmacêutica. Enquanto os neurocientistas se dedicam às pesquisas translacionais, a clínica psiquiátrica, na ponta, passa a ser orientada de modo cada vez mais explícito por protocolos duvidosos que levaram o consumo de medicamentos à patamares sem precedentes.
Dentre os projetos mais controversos encontra-se o Practice Support Program for Child and Youth Mental Health (PSP-CYMH), coordenado pelo Dr. Stan Kutcher. Trata-se de um programa que visa identificar patologias psiquiátricas entre os jovens em idade escolar. O programa foi largamente impulsionado por alguns crimes e suicídios cometidos por adolescentes em suas escolas, e que ganharam grande repercussão na imprensa. Nele, médicos generalistas recebem 2600 dólares por 10 horas de capacitação, para identificar precocemente possíveis distúrbios psiquiátricos em jovens em idade escolar. Assim, durante as visitas rotineiras para vacinação e demais check-ups anuais, os jovens pacientes passaram a responder a um questionário protocolizado visando identificar possíveis situações de depressão, ansiedade ou outro sintoma psiquiátrico.
A constatação foi que, com o questionário, o número de jovens diagnosticados e tratados com medicamentos aumentou para proporções muito acima da realidade. Um dos mais preocupantes métodos para identificar distúrbios de ansiedade entre os jovens é o SCARED, Screen for Child Anxiety Related Disorders[3]. Enquanto a maioria dos dados conhecidos indicava que não mais que 10 por cento dos jovens apresentam distúrbios de ansiedade, com o SCARED o numero de jovens diagnosticados e tratados foi simplesmente o triplo[4]. O questionário, elaborado pelo Dr. Kutcher, vem sendo questionado por inúmeras entidades. A crítica é que ele induz os generalistas a aumentarem ou persistirem com a prescrição de Fluoxetina em jovens que muito provavelmente não possuem patologia alguma, simplesmente problemas cotidianos do enfrentamento de situações escolares difíceis.
Chama ainda atenção que o programa não faz nenhum incentivo à escuta ou terapias não medicamentosas, simplesmente a prescrição, daí que ele vem sendo ironicamente chamado, ao invés de Educação Médica, de Programa de Promoção de Drogas.
Como então encontrar o sujeito do sofrimento psíquico? O país está dividido. Há os que apostam milhões de dólares na elucidação biológica precisa das doenças psiquiátricas, em pesquisas cuja duvidosa comprovação pode levar décadas até produzir algum sentido prático na clínica, mas há igualmente os que desenvolvem sua prática clínica em um meio completamente distorcido pelo charme da indústria farmacêutica[5].
Os devaneios podem ir mais longe. Um experimento recente[6]] permitindo que adultos pudessem atingir o ouvido absoluto[7], condição que normalmente somente se adquire na infância, levantou a hipótese de que é possível recuperar a neuroplasticidade neuronal da juventude. A partir desses dados alguns pesquisadores já cogitam uma intervenção muito mais ousada, se não seria possível apagar os traumas infantis e permitir ao sujeito um novo ponto zero em sua própria história[8]. Ignora-se completamente que nossos traumas, assim como os sintomas decorrentes, são constitutivos de nossa própria existência.
Uma bilionária foraclusão do sujeito
“Os avanços na genética humana estão remodelando a maneira como entendemos muitas doenças mentais, incluindo a esquizofrenia. Sabemos infinitamente mais sobre as mudanças de DNA… O próximo passo crítico é aprender como eles produzem a doença.”[9] Esse comentário da Dra Pamela Sklar compõe uma matéria com as expectativas de seis grandes pesquisadores no domínio das doenças psiquiátricas publicado recentemente na Revista Cell, uma das mais prestigiosas revistas científicas do mundo. Os comentadores estão todos muito otimistas e pedem ainda mais fundos para continuar a desenvolver suas pesquisas: “Precisamos declarar guerra à doença mental, que afeta a vida de uma em cada quatro pessoas, e priorizar o financiamento de pesquisas neurobiológicas inovadoras para uma melhor prevenção, diagnóstico, intervenção precoce e tratamento.”, alega no mesmo artigo Jeffrey Borenstein, daBrain & Behavior Research Foundation.[10]


Não é provável que o orçamento anual de 1,5 bilhões de dólares do NIMH tenha destino muito diferente nas mãos de seu novo diretor. Joshua Gordon assume o novo posto após uma larga experiência como professor no Columbia University Medical Center, onde é o responsável pelo currículo de neurociências[11]. Suas pesquisas, focadas na atividade neural de camundongos portadores de mutações com relevância em doenças psiquiátricas, deixam entrever que não é para breve uma reconciliação entre a Associação de Psiquiatria Americana e o Instituto Nacional de Saúde Mental. São dois gigantes de peso. Se o orçamento do NIMH é gigantesco, o aumento no consumo de medicamentos psiquiátricos no Estados Unidos tem as mesmas proporções. Enquanto em 1987, quando o Prozac foi lançado, os americanos consumiam 800 milhões de dólares em medicamentos psiquiátricos, em 2010 essa cifra subiu para 40 bilhões de dólares/ano. E assim a máquina anda muito bem. O NIMH, preocupado com suas pesquisas em neurociências, parece não ter nenhum papel regulador sobre o consumo em proporções abissais de medicamentos prescritos no cotidiano da clínica. Há cifras bilionárias para ambos na terra de Trump. Somente a clínica do sujeito continua proletária
***
Em um ambiente tão inóspito, de que modo a psicanálise pode ser ouvida? Como mostrar uma face muito pouco conhecida da psicanálise em território americano, a psicanálise aplicada? Entre genes e ratos de laboratório por um lado, e uma venda crescente de medicamento por outro, poucas vozes se levantam contra essa bipolaridade obcecada em isolar o sofrimento psíquico no corpo cadaverizado da ciência ou rentabilizado pela indústria farmacêutica. Dentre as resistências mais ativas, podemos destacar o papel atual da organização não governamental MAD IN AMERICA[12]. Capitaneada pelo jornalista americano Robert Withaker, autor do best seller Anatomy of an Epidemic, a MAD se tornou uma das mais importantes associações contra os abusos e distorções da Saúde Mental americana. Sem dúvidas é necessário conhecer e interagir com essas resistências. Nas últimas décadas, a psicanálise acumulou uma enorme experiência em hospitais, serviços substitutivos e demais projetos sociais. Essa prática mostra que o mal-estar contemporâneo pode ter outro destino que não seja o entorpecimento. O sonho americano tem demonstrado seu amargo despertar, trata-se de um mal-estar que não será tratado por nenhuma droga, tampouco por promessas genéticas que podem beirar a eugenia. A psicanálise com certeza tem algo a dizer sobre os restos que nenhum muro consegue segregar.
Fonte: http://subversos.com.br/category/coluna-submundos-por-marcelo-veras/


Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.



Canal Quem Somos Nós?

Nos últimos anos presenciamos grandes professores e autores, como Leandro Karnal, Clóvis de Barros Filho, Christian Dunker e outros, compartilharem seus cursos e palestras através de vídeos no YouTube, nos oferecendo um material de estudo maravilhoso (Já comentei aqui e aqui.) e bem fácil de acessar. Fácil acesso não apenas no sentido tecnológico, mas principalmente no sentido de promoverem uma discussão para todos, levando questionamentos e cultura para quem quiser ouvir.

A dica de hoje é o canal Quem Somos Nós?

O Quem Somos Nós? Foi criado inicialmente como uma parceria da casa do Saber SP e a Rádio Eldorado. É um programa conduzido por Celso Loducca, cujo objetivo é fazer um bate-papo com diferentes olhares sobre as questões humanas, numa conversa intimista e leve para discutir assuntos profundos, fazendo com que o espectador saboreie o conhecimento. É uma oportunidade de resgatar o prazer pelo saber. 

No vídeo abaixo, Luís Mauro Sá Martino fala de Zygmunt Bauman, antropólogo polonês que nos deixou recentemente. (Mais um motivo para não perder a entrevista!)





Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.


4 de novembro de 2016

Canal da Casa do Saber


A Casa do Saber é um centro de debates e disseminação de cultura e conhecimento, que organiza eventos com temas muito atuais e com a participação das maiores autoridades nos temas escolhidos. Cinema, filosofia, arte, ciência, psicanálise, história... Tem sempre uma discussão legal acontecendo na Casa do Saber!
Os cursos, palestras e debates acontecem nas sedes localizadas no Rio e em São Paulo e são super concorridos. Uma alternativa para quem não consegue participar é o canal da Casa no YouTube. Toda terças e quinta são lançados vídeos novos, alguns bem rápidos, de 3 minutos, e outros mais longos, com mais de 1 hora. 
Eu recomendo os vídeos de Clóvis de Barros Filho O que é moral e Felicidade não tem fórmula e a discussão sobre O politicamente correto e Comportamento e sexualidade segundo Freud de Pedro de Santi.










Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.

28 de outubro de 2016

Simpósio do Programa de Pós Graduação em Pesquisa e Clínica em Psicanálise da UERJ - 50 anos dos Escritos de Jacques Lacan

Este ano a publicação dos Escritos, de Lacan, comemora seus 50 anos!
Para festejar a data o Programa de Pós Graduação em Pesquisa e Clínica em Psicanálise da UERJ está organizando um Simpósio, com plenárias, mesas-redondas e conferências, que visam discutir a grandiosidade (são 938 páginas!) e a importância deste livro.

Para mais informações sobre inscrição e envio de propostas de trabalho, consulte o site do evento.

O texto da comissão organizadora explica a escolha do tema e a atualidade deste material que, apesar de publicado em 1966, continua nos orientando na prática clínica até hoje.


CONVOCATÓRIA

O ensino de Lacan é um empreendimento monumental que restituiu Freud a Freud. Compõe-se fundamentalmente de 27 Seminários "oficiais" - 1953-1980 - um por ano, e Escritos (os Escritos, assim nominalmente conhecidos, de 1966 [1], e os Outros Escritos, de 2001 [2], além de vários outros pequenos Escritos que foram publicados em diversos veículos, de modo pontual. A publicação da coletânea dos Écrits na França pela editora Seuil em novembro de 1966 produziu um efeito retumbante, levando o ensino de Lacan a um rápido reconhecimento mundial: os cinco mil exemplares vendidos em apenas quinze dias, antes mesmo de qualquer resenha ser publixada – poubellication, palavra-valise que associa a publicação (publication) ao lixo (poubelle), era o termo com que Lacan gostava de se referir às publicações –, não significaram nada se comparados aos quase duzentos mil da edição de bolso. Encontrando Derrida num colóquio em Baltimore um mês antes, Lacan manifestou a ele sua preocupação com a encadernação do livro de quase novecentas páginas: “Isso vai acabar se rompendo”.
A publicação do livro foi tornada possível pelo total empenho do filósofo e editor François Wahl, que reuniu os textos e se dedicou a corrigir e organizar o conjunto a partir de artigos publicados em revistas, cópias corrigidas por Lacan e manuscritos datilografados. A conferência de 1958 “A significação do falo” foi descoberta pouco antes do volume ir para impressão, num papel gasto e endurecido, com inúmeras correções a tinta feitas por Lacan. Wahl trabalhou junto a Lacan durante meses para estabelecer, frase por frase, o texto definitivo de todo o volume. [3]
A dualidade seminário/escrito reproduz a dualidade fala/escrita, que sabemos ser estrutural, axial no ensino lacaniano. Jean-Claude Milner, na sua belíssima Obra Clara [4], cuidou de tratar com o rigor que o caracteriza desse aspecto, distinguindo o "exotérico" - dirigido "para fora", o que é marcado pelo prefixo latino "ex", ensino através da fala em
seminário ao qual ele associa o caráter "protréptico" da transmissão oral, do "esotérico", com "s", que se dirige para o interior de um campo de experiência compartilhada, e que é dotado do rigor do saber, nos Escritos.

Há "pontes", ruas de ligação entre esses dois cursus - seminários e escritos. Uma delas, contudo, merece ser aqui evocada porquanto seja aquela que mais concerne a este Simpósio: Se comemoramos os 50 anos dos Escritos em 2016 é porque, em 1966, quando Lacan decide publicá-los (o que reúne o que de mais importante ele escrevera desde o início de sua atividade de transmissão da Psicanálise, em 1936, até a data da publicação, incluindo os famosos "De nossos antecedentes"), seu seminário era sobre "A lógica da fantasia", título que contém, como ele mesmo comenta no seminário, uma surpresa: discernir uma lógica ali onde se espera o mais ilógico, o mais subjetivamente vago e impreciso, o devaneio livre" - a atividade fantasística! É justamente neste seminário XIV(1966/67) que a escrita começa a ganhar em Lacan o lugar de primazia que ela passará a ter, cada vez mais, em seu ensino,  ou seja, na própria experiência psicanalítica, que dele é indissociável. A ponte, no caso, não é com um dos escritos, mas com o ato mesmo de publicar os Escritos.

Há também a periodização do ensino, marca diacrônica que introduz o real da exigência da temporalidade na elaboração que Lacan vai fazendo da experiência psicanalítica. Essa imposição do real também incidiu sobre Freud, que precisou a ele se curvar em suas duas "tópicas": a primeira e a segunda, que marcam diferenças e descontinuidades radicais e decisivas sem contudo envolver a refutação da primeira pela segunda, pois não é esta a "lógica da investigação psicanalítica", para parafrasear o título da obra de Karl Popper [5], que introduziu a refutabilidade como exigência metodológica na investigação científica. Em Lacan, Milner nomeia, de modo em todos os pontos homólogo às tópicas freudianas, o "primeiro e o segundo classicismos". Tudo muda após o Seminário XVII - O avesso da Psicanálise, e as diferentes assonâncias que este título pode assumir no plano semântico já o indica bem, mas esse inflexão não foi sem a longa preparação que se inicia com o Seminário XI e a "excomunhão" da IPA, a chamada relève logicienne [1][6] que se produz entre os seminários XII e XVI - após a excomunhão e elaborando a virada do Seminário XVII.
Mas os Escritos, cujo primeiro cinquentenário este Programa comemora neste seu simpósio de 2016 [6], pertencem inteiramente ao primeiro classicismo: publicam-se em 1966, embora o ato de sua publicação prenuncie a passagem ao segundo. Para esta momentosa comemoração, convocamos muitos colegas brasileiros e latino-americanos. Quanto a estes, lembramos o que declarou o próprio Lacan em Paris quando, pouco mais de um ano antes de sua morte, preparava-se para vir pela primeira vez à América Latina (Venezuela, Seminário de Caracas, julho de 1980): "Esses latino-americanos, como se diz, que nunca me viram, diferentemente daqueles que estão aqui, nem me ouviram de viva voz, pois bem, isso não os impede de serem lacano. Parece que isso antes os ajuda. Eu me transmiti por lá pelo escrito, e parece que criei raiz. [...] É certo o futuro está lá, e é nisso que me interessa ir lá conferir. Interessa-me ver o que acontece quando a minha pessoa não oblitera o que eu ensino. Pode bem ocorrer que meu matema ganhe com isso, ... e que a isso eu tenha convocado meus lacano-americanos...." [7] (grifos nossos). Nós, que sustentamos a presença do ensino de Lacan na Universidade, e somos assim latino-lacano-americanos, não podemos nos esquivar da responsabilidade política que isso implica no cenário do movimento psicanalítico internacional de orientação lacaniana. Na citação, Lacan afirma justamente ter-se "transmitido [aqui] pelo escrito", já que não o ouvíamos de voz viva na transmissão oral de seus seminários.
Temos, assim, todas as razões para comemorar da forma mais vibrante que esses Escritos de Lacan cheguem aos cinquenta anos, à sua plena maturidade editorial [8]. Eles não só criaram raízes, fizeram um enorme reboliço por aqui e pelo mundo, mas é aqui que, além da Europa e em certo contraponto a ela, ele mais viceja no mundo.



As imagens que escolhemos para dar sua identidade visual ao evento seguem uma ideia que veio à fértil cabeça de uma colega do nosso Programa [9]: transliterar "Écrits" em "É cri !" - É grito, tranlinguisticamente. Gritos de comemoração, que condensam os de medo, pavor, guerra, angústia, horror e amor. Com efeito, os afetos gritantes se escrevem melhor. Seja nas Plenárias, que encarnam seis eixos temáticos extraídos dos Escritos de 1966 e conta com um elenco de primeiríssima linha entre os psicanalistas que tomam a si a tarefa de presentificar a Psicanálise no mundo, seja nas Mesas Simultâneas, em que esse trabalho encontra seus desdobramentos mais específicos, estaremos todos, por três dias, trabalhando sobre os Escritos de Lacan, falando nosso próprio escrito a respeito deles, ouvindo o dos colegas, intervindo em todos os casos. O que será, indiscutivelmente, um grande prazer. 

Au travail, donc!
Comissão Organizadora:


Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.

7 de setembro de 2016

Propaganda e imagem feminina

Não é de hoje que os imperativos da publicidade massacram os ideais femininos. 
Seja para vender produtos para as próprias mulheres ou usados para vender artigos para os homens, os corpos femininos desfilam pela a publicidade e dominam o cenário atual, veiculando a ideias que para ser feliz é necessário ser linda, magra e usar as marcas it do momento. Mas até que ponto os imperativos de consumo afetam o corpo e a subjetividade das mulheres? Como as imagens surrealmente retocadas afetam a auto-imagem das mulheres reais que se comparam diariamente com estes ideias inatingíveis?

Uma das maiores autoridades no tema é Jean Kilbourne, que pesquisa o assunto desde 1960, entes de qualquer outra pessoa prestar atenção no problema.
Jean Kilbourne é autora, palestrante e diretora de diversos documentários sobre a forma como a imagem das mulheres é retratada na publicidade e os danos que causam à subjetividade feminina. Em seus trabalhos, Kilbourne relaciona o poder da imagem com a saúde, e associa a publicidade à objetificação do corpo, aos transtornos alimentares - anorexia e bulimia - e à violência contra as mulheres.

A autora afirma que, em seus 40 anos de pesquisa, a imagem da mulher na publicidade nunca foi tão agressiva no que diz respeito a pressão para ser eternamente jovem, magra e bonita e que nunca se estimulou tanto a busca de um ideal impossível como a propaganda faz atualmente. 

O vídeo abaixo é uma palestra de 15 min., realizada na Lafayette College, onde Jean Kilbourne fala sobre sua pesquisa alertando sobre os perigos na forma como a publicidade representa a mulher atualmente.


The dangerous ways ads see women




Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
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