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Mostrando postagens com marcador J. Lacan. Mostrar todas as postagens
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22 de abril de 2019

A conceito de gozo para Lacan


O conceito de gozo para Lacan é fonte de diversos equívocos. Não só pela dificuldade teórica, mas também pelas metamorfoses que o conceito sofre ao longo do ensino de Lacan.
Para começar a pensar a noção de gozo, recomento o vídeo do Christian Dunker, que traz algumas colocações básicas. 








Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.


13 de abril de 2019

Documentário Randez Vous Chez Lacan (Um encontro com Lacan)

Hoje seria o 118º aniversário de Jaques Lacan. 
A dica para celebrar o dia é o documentário Rendez Vous Chez Lacan, "Um encontro com Lacan", de 2011, dirigido por Gérard Miller.

O filme conta com a participação dos psicanalistas que conviveram com Lacan, como Eric Laurent, Jacques-Alain Miller e sua filha Judith Miller, entre outros amigos e colegas. Também apresenta o testemunho de antigos analisandos, o que nos permite ver a forma como ele conduzia sua prática clínica.
Sinopse: "Nascido com o século XX, em uma família católica e de classe média, Jacques Lacan se formou como Psiquiatra. Teve a amizade de Picasso, Levi-Strauss e Sartre. Destacou-se no exercício prático e teórico da psicanálise e gerou polêmica entre os colegas de profissão.
Com a ajuda de seu irmão Jacques-Alain, um dos maiores pupilos de Lacan, Gérard Miller tenta destrinchar a personalidade deste que até hoje é considerado um dos mais instigantes e controversos pensadores da história da psicanálise."





Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.


13 de abril de 2018

Jacques Lacan completaria hoje 117 anos ...



"O neurótico é um doente que se trata com a palavra, e acima de tudo, com a dele. Ele deve falar, contar, explicar-se a si próprio. Freud define a psicanálise como a assunção da parte do sujeito de sua própria história, na medida em que ela é constituída pela palavra endereçada a um outro. 
A psicanálise é a rainha da palavra, não há outro remédio." 
(Entrevista para revista Panorama, Itália, 1974) 




Sorbonne junho/1974 - Conferência sobre Joyce




Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.

13 de março de 2018

Pos graduação em Psicanálise da Celso Lisboa

Quando o projeto é bom, a gente faz questão de divulgar! Faço parte do corpo docente da Pós graduação em Psicanálise e assino embaixo quanto à seriedade, comprometimento com a psicanálise e com os alunos. 

A próxima turma começa em abril e as aulas acontecem de quinze em quinze dias, aos sábados.  
As inscrições devem ser feitas diretamente com o Prof. Leonardo Miranda, coordenador do curso, no telefone (21) 99389-0932.
Os alunos indicados pelos professores têm 50% de desconto na mensalidade!




1 de julho de 2015

'Sempre que a gente fala de dinheiro a gente fala de sexo! '




Por que a nossa vida financeira é segredo?
O GNT convidou o psicanalista Jorge Forbes para nos ajudar a entender por que 'travamos' na hora de falar de dinheiro. No 'Papo de Segunda', o especialista logo diz: "Sempre que a gente fala de dinheiro a gente fala de sexo". Por que será? O programa discute se é mais difícil falar de dinheiro do que de sexo.
Entenda no trecho da entrevista abaixo.
http://gnt.globo.com/…/sempre-que-gente-fala-de-dinheiro-ge…


Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ  e pesquisa sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.

 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.
http://fernandapimentel.com.br

13 de abril de 2015

2 de fevereiro de 2015

Dica ViaFreud

Garimpando textos e referencias encontrei o blog Psicoanálisis Inédito que se dedica a divulgar e compartilhar textos inéditos da Psicanálise de orientação Lacaniana, como transcrições de entrevistas e intervenções pouco conhecidas, conferências e seminários não estabelecidos e artigos nunca antes divulgados.



Espaço para acompanharmos o trabalho de autores como Eric Laurent, Marie-Hélène Brousse, Esthela Solano-Suárez, Jaques-Alain Miller, Serge Cottet, François Ansermet e outros

Dos mais lidos, o blog destaca "El retorno de la blasfemia", Jaques-Alain Miller, escrito a partir do atendado a Charlie Hebdo; "Neurosis y Psicosis - donde comienza lo anormal", entrevista onde Lacan fala do disgnóstico diferencial para uma revista médica em 1968 e "Los autistas, sus objetos, sus mundos",  transcrição de uma conferência de Eric Laurent na UBA em 2013.


Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ  e pesquisa sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.
http://fernandapimentel.com.br

2 de outubro de 2014

Roudinesco lança nova biografia de Freud

Nova biografia de Freud, escrita pela historiadora Elisabeth Roudinesco, é lançada no Brasil e a autora vem ao Rio para conferência na UERJ!O encontro acontece no dia 6 de outubro, as 17 ha, no Instituto de Psicologia.

Veja a entrevista de Roudinesco para o jornal O Globo


"PARIS - A vida e a obra de Sigmund Freud (1856-1939), o criador da psicanálise, foram objetos de uma enormidade de estudos. Mais uma biografia, hoje, do célebre autor de “Interpretação dos sonhos” e “Totem e tabu”? Para a historiadora da psicanálise Elisabeth Roudinesco, a escrita de seu “Sigmund Freud — dans son temps et dans le nôtre” (Sigmund Freud — em seu tempo e no nosso) foi uma “imposição”. Com acesso aos novos arquivos abertos pela Biblioteca do Congresso de Washington, nos Estados Unidos, a autora francesa mergulhou na vida e obra do biografado com a intenção de mostrar que Freud é um produto de seu tempo e, ao mesmo tempo, revelar verdades sobre as “lendas negras e douradas” edificadas sobre o personagem. O livro foi lançado este mês na França, pela editora Seuil, e tem publicação prevista no Brasil para 2015, pela Zahar.
Crítica severa de uma psicanálise a-histórica, Roudinesco condena a percepção da obra de Freud isolada do contexto de sua época, estudada como um corpus clínico à parte do mundo em que foi elaborada. Somado a isso os repetidos ataques protagonizados nos últimos 30 anos pelos “antifreudianos radicais”, hoje não se sabe mais quem é Freud, sustenta a autora em entrevista ao GLOBO em sua casa, em Paris.
Desde a primeira biografia de Freud, de autoria de Fritz Wittels, em 1924, passando pelos três volumes de “Vida e obra de Sigmund Freud”, de Ernest Jones, publicados entre 1953 e 1957 (lançados no Brasil pela Zahar), uma miríade de teses e ensaios foi produzida nos mais variados idiomas, entre os quais o título de referência “Freud: uma vida para o nosso tempo”, de Peter Gay, de 1988 (Companhia das Letras). O minucioso trabalho de 592 páginas de Roudinesco é reivindicado como a primeira biografia francesa do personagem, com uma nova abordagem e distanciamento de um Freud definido como um “conservador rebelde” e criador de uma “revolução simbólica” em um movimento que se perpetua.
Elisabeth Roudinesco será a principal convidada da “IX Jornada Bianual do Contemporâneo”, promovida pelo Instituto de Psicanálise e Transdisciplinaridade, nos próximos dias 3 e 4, em Porto Alegre. No dia 6, estará no Rio para falar sobre “A psicanálise na situação contemporânea”, às 9h, no Instituto de Psicologia da Uerj. O Brasil, para ela, é hoje o “país mais freudiano do mundo”.

Por que Freud e este livro hoje?
A necessidade se fazia sentir ao longo de um certo tempo de renovar a abordagem de Freud. Sou o primeiro autor francês a fazê-lo, e o último de um longa série. E o primeiro a ir aos arquivos e utilizá-los de uma outra forma. É verdade também que o fim de um ciclo de ondas sucessivas de ódio a Freud, de lendas negativas, de livros negros, já faz 25 anos. Se foi muito longe no antifreudianismo, e se chegou a um ponto em que a opinião pública já estava farta de que se tratasse Freud de nazista, de incestuoso, de canalha. Era preciso restabelecer um pouco de verdade. Eu me dediquei a isto. Os psicanalistas nadam no anacronismo, na interpretação abusiva, porque para eles o contexto histórico não existe. Quis mostrar bem que Freud nasceu num mundo no qual não havia eletricidade, em que a promiscuidade de membros de uma mesma não era a mesma de hoje. Quando ele conta sua vida cotidiana, seja na “Interpretação dos sonhos” ou em outros escritos, é um dia a dia diferente de hoje. Freud foi criado numa família grande, com muitos empregados, sem água corrente. Ele vive nesta promiscuidade em que pode realmente elaborar a teoria dos substitutos. Quando ele vê suas cinco irmãs, vê sua mãe ou seu pai. Há modelos familiares que estão acabando no momento em que teoriza isto. Tive sempre a preocupação de o imergi-lo em seu contexto histórico, e de mostrar que ele e sua obra são um produto de seu tempo."

Read more: http://oglobo.globo.com/cultura/livros/nova-biografia-de-freud-escrita-pela-historiadora-elisabeth-roudinesco-lancada-na-franca-14057290#ixzz3EzK4g8dJ


Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ  e pesquisa sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.
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26 de junho de 2014

Entrevista com Jorge Forbes

“AS EMPRESAS PRECISAM IR PARA O DIVÔ

Em entrevista para a Época Negócios, o PSIQUIATRA E PSICANALISTA Jorge Forbes fala sobre AS PECULIARIDADES DE UMA ÉPOCA, NA QUAL AS HIERARQUIAS RÍGIDAS FAZEM POUCO SENTIDO, sobre violência e sobre novas formas de laço social.

Imperdível! 

"Como gerir equipes, reter talentos ou se comunicar com os consumidores em um mundo sem bússolas, em constante mutação? Lidar com dilemas desse quilate, óbvio, não é uma tarefa simples. Mas algumas pistas para a solução de problemas desse tipo podem ser encontradas em um lugar insólito: em um divã, por exemplo. O psiquiatra e psicanalista Jorge Forbes, um dos introdutores das teorias de Jacques Lacan no Brasil, está convicto de que as empresas precisam fazer análise. Isso para que entendam as peculiaridades de uma época, na qual as hierarquias rígidas e verticalizadas fazem pouco — ou nenhum — sentido. “As relações humanas, sob o ponto de vista psicanalítico, não são mais intermediadas por um padrão estável”, diz Forbes. “E isso torna todos mais frágeis. Por isso, as pessoas estão cada vez mais sujeitas a passar por verdadeiros curtos-circuitos”. Daí, observa o médico, a explicação para a ocorrência de tumultos variados, o que inclui desde manifestações populares ao aumento de crimes provocados por reações intempestivas.
O senhor tem observado a ocorrência frequente de crimes hediondos, envolvendo pessoas comuns. O que está acontecendo em nossa sociedade?
Temos de constatar algo óbvio. Um tipo específico de crime, até recentemente raro, está se tornando cada vez mais comum, quase habitual. Presenciamos uma verdadeira epidemia desse gênero de crimes, marcado por linchamentos, pessoas picadas (zeladores e maridos), além de pais, mães e filhos assassinados uns pelos outros. Não estou dizendo que vivemos em uma época em que acontecem mais crimes. Não é isso. Mas é inegável que há um aumento de um problema específico. Casos que antes eram raros, hoje se tornaram mais comuns.

O que distingue esses crimes?
Todos são hediondos e foram praticados por pessoas comuns, sem antecedentes criminais, sem ficha corrida.

Por isso, surpreendem?
Exato. São inusitados, no sentido específico da palavra — ou seja, parecem fora de lugar. As pessoas que os cometeram são muito semelhantes àquelas que nunca fizeram nada parecido. Esse tipo de situação coloca todos em alerta. Deixa as pessoas angustiadas. Elas dizem: “Me explique qual a diferença entre mim e esses criminosos, porque eu quero ter certeza de que nunca faria algo parecido”. O ser humano está se defrontando com um aspecto assustador da sua condição: somos bichos perigosos. E a nossa época favorece essa percepção."

Confira toda a entrevista aqui.


Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ  e pesquisa sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.
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26 de fevereiro de 2014

XX Encontro Brasileiro do Campo Freudiano.

O ano sempre começa com a divulgação de grandes eventos...
Já tinha comentado aqui sobre o VI Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental, que acontecerá de 4 a 6 de setembro, em Belo Horizonte, e agora é a vez XX Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, que também será em BH, nos dias 21, 22 e 23 de novembro.




"O Encontro Brasileiro do Campo Freudiano é sempre uma renovação da transferência de trabalho que une os mais diferentes pontos do Brasil em torno da psicanálise de orientação lacaniana. A escolha dos temas é sempre focada na lâmina cortante da psicanálise pura e seus efeitos de transmissão e formação da atual e das futuras gerações de psicanalistas. Trauma nos corpos, violência nas cidades é o tema proposto para essa edição. Belo Horizonte nos acolhe para estabelecer um grande debate sobre o tema, sem perder de vista a especificidade de trazê-lo para a Escola Brasileira de Psicanálise. Em um mundo onde os significantes Trauma e Violência estão tão cotidianamente ligados às notícias da última hora, propomos acrescentar dois significantes muito caros à Lacan: Angústia e Segregação. Assim, trauma e violência são dois modos de abordar a inquietante alteridade que nos assombra - e que não cessa de fazer sua irrupção - tanto em nossa relação com o corpo, no caso da angústia, quanto na relação com o Outro, no caso da segregação. Fica então o desafio: onde localizar o mal?


8 de janeiro de 2014

Entrevista com Elizabeth Roudinesco: 'Psicanálise é a medicina da alma do nosso século'

Com a clareza que lhe é peculiar, Elizabeth Roudinesco fala sobre a psicanálise na atualidade e no Brasil, sobre psiquiatria e psicofarmacologia e, é claro, sobre seu livro "Em Defesa da Psicanálise", que tem lançamento previsto para outubro no Brasil.
A entrevista foi publicada no Estadão. 


'Psicanálise é a medicina da alma do nosso século'


PARIS - Poucos intelectuais traduziram tão bem sua época como Sigmund Freud fez com o século 20. Em sua obra, estão expressas as bases de conceitos tão poderosos e, ao mesmo tempo, tão legíveis, que se tornaram parte do cotidiano com a velocidade característica de sua época. É o caso do inconsciente - um conceito já elaborado nos séculos 18e 19 por autores como Leibniz e Edward von Hartmann. Reinterpretada por Freud, a ideia de que o que falamos pode ter significados ocultos que fogem à esfera da consciência e, portanto, ao nosso domínio, é hoje reconhecível por todos.  

     
Resumir seu pensamento a esse conceito, porém, é limitar uma obra enérgica e influente, alerta Elisabeth Roudinesco. Psicanalista, historiadora, docente, escritora, discípula de Jacques Lacan, amiga de Jacques Derrida, Elisabeth é, aos 64 anos recém-feitos, um dos pensadores vivos mais importantes de sua área, a psicanálise - um dos legados de Freud à humanidade. Segundo a intelectual marxista, o médico neurologista convertido em gênio está por trás, de uma forma ou de outra, de todas as formas de emancipações vividas pela sociedade do século 20, das quais o feminismo e a liberação sexual são só dois exemplos evidentes.
Estamos a 70 anos da morte de Freud. O que ainda é tão representativo em sua obra? Por que ele é uma referência para a própria humanidade?
Ele é o único a ter teorizado, assim como seus herdeiros, o que chamamos de inconsciente. Não falo do subconsciente nem do inconsciente dos psicólogos. Eu me refiro ao inconsciente, que pode ser traduzido pela noção de que, quando alguém fala, não sabe o que diz. Há milhões de exemplos concretos, como o ministro do Interior da França (Brice Hortefeux), que fez declarações racistas na semana passada. Conscientemente, ele não é racista. Inconscientemente, sim. Mas julgamos alguém por seu inconsciente? Sim, se ele é ministro. Mas, via de regra, não podemos enviar alguém aos tribunais por seu inconsciente. Podemos dizer: "Comporte-se!" Muitas pessoas são inconscientemente racistas e antissemitas. Quando não há lei, esses sentimentos se exprimem.

Leia Mais:http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,psicanalise-e-a-medicina-da-alma-do-nosso-seculo,437434
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Leia a entrevista completa aqui. 



Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.

17 de setembro de 2012

Documentário "Um encontro com Lacan" (Rendez Vous Chez Lacan - 2011)

Já está disponível no YouTube o documentário Rendez Vous Chez Lacan, (2011), dirigido por Gérard Miller.
A obra conta com a participação dos psicanalistas Eric Laurent, Jacques-Alain Miller e Judith Miller, entre outros, além de depoimentos de antigos analisandos.

Sinopse: 
"Nascido com o século XX, em uma família católica e de classe média, Jacques Lacan se formou como Psiquiatra. Teve a amizade de Picasso, Levi-Strauss e Sartre. Destacou-se no exercício prático e teórico da psicanálise e gerou polêmica entre os colegas de profissão. 
Com a ajuda de seu irmão Jacques-Alain, um dos maiores pupilos de Lacan, Gérard Miller tenta destrinchar a personalidade deste que até hoje é considerado um dos mais instigantes e controversos pensadores da história da psicanálise."








26 de junho de 2012

A arte e o mal estar na contemporaneidade

A Jornada de Psicanálise e Arte da UFRJ - A arte e o mal estar na contemporaneidade - já me conquistou simplesmente pela divulgação subversiva... rs!
O evento gratuito conta com a presença de grande psicanalistas que prometem um debate ótimo!
Fica a dica!




14 de junho de 2012

Pink Floyd, loucura, Lacan & Rock n' Roll

Texto de Christian Ingo Lenz Dunker (psicanalista, professor do Instituto de Psicologia da USP) sobre a loucura na produção artistica marcada pela ruptura, delírio, descompasso e estranhamento radical. Exatamente o que experimentamos ao escutar Pink Floyd.

Eu queria que você estivesse aqui 

Pink Floyd está para a música como Joyce está para a literatura: suas obras são marcadas por rupturas de pensamento e uma espécie de “loucura produtiva”

Quando se pensa em rock a primeira associação costuma ser com ruptura, rebeldia e contracultura. Desde seu início esse tipo de música tenta pensar o futuro antes que ele chegue. Pink Floyd é uma banda anômala em seu gênero, uma experiência musical sobre a impossibilidade de esquecer e sobre o custo devastador que um coletivo deve pagar para continuar tornando-se o que é. Pink Floyd é uma banda em torno de um personagem ausente e ao mesmo tempo onipresente. Quatro alunos de arquitetura na Londres do final dos anos 1960 são acolhidos por um intelectual de esquerda decidido a dar expressão ao comunitarismo emergente. Dos quatro, foi Syd Barrett quem escreveu todas as letras dos dois primeiros álbuns. Insistindo na importância da equivalência entre força dramatúrgica e dimensão musical, introduzindo máquinas de retorno e ressonância nos shows e valorizando a experiência da luz e da iluminação. Não é uma coincidência que The wall – O filme tenha sido a única produção relevante na passagem do rock para o cinema.



Depois de um ano de estrada Syd Barrett enlouqueceu. Olhar perdido, impossibilidade de reconhecer seus colegas, sentimento de perseguição: o alheamento tão comum em outros astros que permanecem “produzindo rock” no interior de sua loucura deu lugar a notas fora de lugar dedilhadas durante os shows e desafinamentos. Permanecia sentado no palco durante toda a apresentação. Muitas bandas se viram privadas de seu gênio fundador, mas mesmo com a gradual entrada de Dave Gilmour o lugar de Syd jamais pôde ser esquecido. O “verdadeiro” Pink Floyd não está nem na formação original, nem nas sucessivas tentativas de se tornar independente, ora sob liderança de Roger Waters, ora sob domínio de David Gilmour – mas na impossibilidade de escapar do “I wish you were here” (Eu queria que você estivesse aqui).



Para um leitor de Jacques Lacan é fácil perceber que Pink Floyd está para a música como Joyce está para a literatura. Nos dois casos a produção artística é marcada por flutuação narrativa, rupturas de pensamento, descompasso entre música e letra, neologismos, experiências de radical estranhamento em relação ao corpo, com à linguagem e o outro. Aparecem epifanias, sentimentos de irrealidade, divergência entre saber e crença, sem falar nas alucinações e nos delírios. A psicose é “reapropriada” por uma forma de loucura produtiva.



Quando Barrett trouxe sua última composição Have you got it yet? (Já pegou?), cada vez que o grupo tentava executá-la Syd alterava a progressão de acordes e o ritmo, de tal forma que a própria performance definia-se por esta exclusão, deixando Roger Waters, Nick Mason e Richard Wright com a impressão de que não tinham “pego” a música. Have you got it yet? é uma dessas interpelações alusivas, tão frequentemente presentes na psicose, que nos fazem perguntar: “Mas pegar o que mesmo?”. E diante de nossa estúpida pergunta verificar que “ainda não pegamos”. É assim que Barrett está fora do discurso – mas não fora da linguagem. É assim que ele pode fazer parte de Pink Floyd como experiência de inclusão social da psicose, registro vivo de que há diferenças que não valem a pena serem esquecidas.



E aqui não se trata apenas da perda, da culpa e do luto pela incapacidade de mantê-lo como membro funcional de um grupo de rock, mas da pergunta radical que diz respeito ao que devemos fazer com as questões colocadas pelo que se inscreve em uma época, em uma cultura, em uma história, em uma banda. Pink Floyd mostra, tal como o caso de Antígona e das tragédias em geral, que há algo de universal nesta experiência particular de loucura. Algo que nossas leis e nossa forma de vida ainda não conseguem reconhecer, mas que acima de tudo precisa ser posto em toda extensão de sua contraditoriedade, criando o limite da liberdade, sem a qual ficamos mais pobres.

Texto publicado na Mente&Cérebro