.
.

18 de outubro de 2017

Dica de leitura

Texto de Marie-Hélène Brousse sobre identidade e gênero, publicado no blog da XXI Jornada da Escola Brasileira de Psicanálise - MG.



Por Marie-Hélène Brousse

O século XX viu crescer um movimento de reivindicação que tinha suas raízes no que chamarei a revolução universalista: o feminismo. O século XXI vê o desdobramento de um novo movimento de reivindicação que mobiliza outro significante, um significante novo: o gênero. O termo não é novo. Pertence à língua desde a antiguidade e designa a classificação de conjuntos relacionados por algumas similitudes. Quase universalmente presente na gramática das línguas – masculino, feminino ou neutro – associado ao nome, inscreve a marca da diferença sexuada no funcionamento das línguas chamadas naturais. Se o termo, polissêmico, é antigo, o uso que se faz atualmente do mesmo e os estudos que o promovem não os são.

Conseguiu impor-se e reorganizar o conjunto dos discursos. Este potencial obriga, com efeito, levá-lo em conta de maneiras muito diferentes e inclusive antagonistas. Está ligado a outros dois significantes de crescente importância no discurso: identidade e minoria.

Identidade e gênero: algumas referências

Sou psicanalista e, portanto, abordarei o gênero e a identidade a partir desta disciplina. Algumas referências são necessárias. A primeira concerne à linguagem. Nossa matéria, essa com a qual operamos, é a linguagem, - e Lacan a põe em evidência de maneira retroativa em sua leitura de Freud - a língua falada de todos os dias, a linguagem corrente em sua materialidade, o som. Porém, essa linguagem está moldada por um discurso que Lacan formalizou, o discurso do mestre. O inconsciente, tal como se manifesta na análise, é seu oposto. A psicanálise não é uma ciência das profundezas da psique, é uma disciplina do que retorna. A cadeia da palavra do analisante, tomada na estrutura do discurso do mestre, segundo uma topologia de banda de Moebius, dá a volta. Como as línguas naturais, os discursos se transformam e os significantes-mestres que orientam os efeitos de sentido, de sentido comum, surgem e declinam. O gênero substituiu o sexo como significante mestre (Sexe/Gender). Esta substituição tem, evidentemente, implicações e consequências.

Os discursos de gênero têm sido introduzidos majoritariamente pela língua inglesa e têm conhecido primeiro um êxito crescente nos USA. Os assuntos da vida sexual sempre tiveram nos USA, assim como no Reino Unido, uma incidência política mais forte que na França. Sem dúvida as raízes puritanas e protestantes presentes no discurso em língua inglesa têm efeitos diferentes dos engendrados pelo catolicismo. A dificuldade para traduzir nesta língua, de maneira adequada, o termo lacaniano de Gozo, é prova disso. O termo gênero evita o equívoco sempre presente no sexo que, masculino ou feminino, assegura uma função classificatória e, indissociável de Eros, tem sempre um valor erótico na língua. Além disso, o termo gênero sai do binário construído com a reprodução para introduzir um terceiro termo, o neutro. Poderia sustentar cada uma dessas afirmações em elementos da psicopatologia da vida cotidiana: utilização de banheiros públicos, reivindicação de neutralidade sexual escutada há três anos ao vivo em um evento paralelo sobre The Empowerment of Women na ONU, na entrevista com o professor Jack Habelstram do departamento da American Studies and Ethnicity, Gender Studies and Comparative Literature de la Universidade do Sul da Califórnia, especialista em estudos Queer. O enunciado da disciplina, sem dúvida bastante complicado, que acabo de citar por inteiro, mostra que o significante “gênero” está em correlação com o de “etnia” e o de “minorias” e o “Queer”. Esta entrevista está publicada no nº 2 de The Lacanian Review, “Sex all over the palce”, título dado por outra universitária estadunidense, Joan Copjec, muito conhecida por ter introduzido e publicado Lacan nos USA – particularmente Televisão – na revista que ela dirigia então, October. Se o gênero já não determina o sexo na suposta diferença, reduzida à anatomia, entre homem e mulher, surgem então duas perguntas:

O gênero substitui a identidade sexual? Onde se muda a função erótica que os “sexos masculino ou feminino” situavam, ou pretendiam situar, a serviço dos sistemas de parentesco, sob o controle da anatomia? Resposta: ”all over the place”.

Uma modificação histórica do discurso

A psicanalista que sou aborda os debates e enfrentamentos atuais sobre gênero e identidade de uma maneira não polêmica. A psicanálise sabe do poder dos significantes mestres sobre os parlêtres, porém sabe também que este poder se baseia em dois elementos: o poder dos semblantes em geral e as condições para que um significante, sempre vinculado a uma época, possa, mais além de seu surgimento forçosamente minoritário, impor-se majoritariamente como dominante. A partir desse lugar tem, então, função de verdade. Um estudo crítico da identidade e do gênero é a ocasião para a psicanálise, não somente para continuar elaborando a noção do discurso do mestre, mas também para estudar – em tempo real – sua modificação histórica em seu percurso pelas ocorrências da palavra dos analisantes. É um dos modos de desdobrar a psicanálise de orientação lacaniana em suas últimas inovações. Assinalo assim, o estudo que Jacques-Alain Miller fez do ultimíssimo Lacan extraindo uma modificação do discurso e da prática analítica sobrevinda neste último período de seu ensino: o acréscimo ao inconsciente freudiano, obtido por decifrado e transferência, de outro inconsciente nomeado como inconsciente real. É mais acertado dizer que ao inconsciente transferencial se acrescenta o inconsciente real, segundo a topologia posta em evidência do laço entre sexualidade fálica e sexualidade não-toda fálica. O inconsciente real não está fora do valor fálico, porém não está completamente regido pela metáfora. O sujeito do inconsciente não é o único objeto em jogo na análise. O corpo falante também joga a partida.
para ler o texto completo, clique aqui.


Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.


7 de outubro de 2017

Perdidos


Steve Cutts é um ilustrador e animador inglês, conhecido por vídeos com tom crítico, provocador e polêmico, tratando especialmente de questões ligadas aos dispositivos de controle da cultura atual, às consequências do avanço das tecnologias, à preservação do meio ambiente e dos direitos dos animais.

A animação "Are you lost in the world like me?" é um soco no estômago e dispensa qualquer apresentação...

‘ARE YOU LOST IN THE WORLD LIKE ME?’



Vale a pena conhecer mais do trabalho do artista no blog: https://stevecutts.wordpress.com/ e no site: http://www.stevecutts.com/





Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.

6 de outubro de 2017

Fome, beleza e obediência feminina

Mulheres famintas

Fome, beleza e obediência feminina

“Uma cultura focada na magreza feminina não revela uma obsessão com a beleza feminina. É uma obsessão sobre a obediência feminina. Fazer dietas é o sedativo político mais potente na história das mulheres; uma população passivamente insana pode ser controlada”. ‒ Naomi Wolf
Fui à casa de uma amiga no fim de semana e a filha dela de oito anos me perguntou se eu podia abrir o Tarot para ela, eu expliquei que não se abre o Tarot paras as crianças e perguntei o que ela queria saber. Ela disse “pergunta se eu vou conseguir emagrecer um dia”. Vou na Secretaria de Direitos Humanos para uma reunião com a secretária e duas coordenadoras de área e durante meia hora o assunto é a dieta Dukan, quando fico sabendo a quantidade de proteína que cada uma delas ingere por dia e quantos quilos perderam nos últimos meses. Estão todas realizadas com a dieta, mas principalmente com a capacidade de auto controle.
Minha vizinha diz, alternadamente, cada vez que vê a presidenta na televisão, “a Dilma está uma vaca de gorda”, ou “ela emagreceu”. Muitas mulheres que conheço se queixam de que os homens não as olham e que elas estão invisíveis. E quase todas, quando se encontram, antes de perguntar como estão, dizem frases do tipo, “nossa, como você emagreceu! Como você está bem”. O olhar das mulheres para o mundo e para si próprias, constantemente, é um olhar de quem está tomando medidas.

A mãe de uma amiga minha, uma senhora de 78 anos, me disse outro dia, “perdi 7 kgs nos últimos seis meses e sem fazer dieta!”. E foi ali, pela primeira vez, que fiquei atenta para o fenômeno, tentando decifrar o que significava aquele sorriso feliz e realizado. O olhar dela era o de alguém que havia sido ungida por uma espécie de bênção divina, e era também o de uma menina bem comportada ou o de uma boa moça que havia feito bem o dever de casa. Foi então que vi o que sempre esteve diante dos meus olhos, mas que só agora pude nomear e entender: o fenômeno de como as mulheres lidam com a comida e com suas medidas e que podemos chamar, simplesmente, de loucura da braba, como se diz na minha terra.
A filha da minha amiga, a menina de oito anos, sempre foi muito fotografada pela mãe quando era pequena. A mãe é uma excelente fotógrafa e as fotos mostravam a cumplicidade das duas nos rituais das poses, das caras e bocas, ao longo da vida. Ela se sentia segura sob as lentes maternas. Neste verão ela e mãe foram de férias para Salvador e quando pedi para ver as fotos, vi uma menina tímida e retraída, e a cada foto que ela me mostrava dizia, “nesta eu não estou muito bem, estou muito gorda”. Aos oito anos ela já foi acometida pela loucura da braba e está doente. A espontaneidade que ela tinha fazendo poses, caras e bocas ao ser fotografada pela mãe foi completamente comprometida na medida em que ela foi crescendo e compreendendo o triste legado que ensinamos às nossas meninas e que afirma que os nossos corpos não valem nada.
Para as terapeutas americanas Rosalyn Meadow e Lillie Weiss, que escreveram Las chicas buenas no toman postre, a associação da comida com a sexualidade é fundamental na vida das mulheres, não apenas na vida daquelas que são mães, mas na de todas as mulheres.
Para elas os distúrbios alimentares são sintomas de um fenômeno simples: a comida é para as mulheres hoje, o que foi a sexualidade em tempos passados. Ou, por outra, o dilema da comida para as mulheres hoje, é o que foi o dilema da sexualidade para as mulheres em tempos passados. Se antes o controle sobre o corpo feminino exercido pelas normas e regras da sociedade patriarcal dava-se em relação à sexualidade da mulher, agora o mesmo controle sobre o corpo feminino se dá através da comida. Para elas, a antiga equação “dar ou não dar para o namorado”, equivale à equação “comer ou não comer” dos dias atuais. As mesmas fobias relativas às dificuldades de gozar, às dores da penetração, à frigidez, aos medos de engravidar, à vergonha de deixar-se tocar por um parceiro ou de ficarem nuas na frente dos outros são as mesmas fobias que tomam conta da vida das mulheres de forma desesperadora nos dias de hoje. Só que agora a antiga ansiedade se revela através de um verdadeiro terror das mulheres em relação ao seu peso e suas medidas.
As autoras fazem um quadro comparativo entre as medidas e remédios para os pecados da masturbação de outros tempos e o das restrições atuais para o sobrepeso, listando as medidas contra o auto abuso do sexo (cauterização, clitoridectomia, infibulação, aspiração cirúrgica do líquido sexual, cintos de castidade, duchas quentes e frias, camisa de força, medicação, exercício extremo e dieta) em correspondência direta às medidas contra o auto abuso da comida da atualidade (grampeamento do estômago, cirurgia de by-pass, plástica abdominal, lipoaspiração, aprisionamento das mandíbulas, banhos de vapor e água fria, faixas para suar, medicação, exercício extremo e dieta).
A insatisfação das mulheres com suas medidas e com sua imagem é permanente, e um profundo sentimento de inadequação se estabelece em suas vidas fazendo com que se sintam sempre impossibilitadas de sentir-se bem com seus corpos e imaginando que jamais corresponderão a um ideal de beleza que não tem nada a ver com elas. Um tempo e uma energia sem fim são desperdiçados dedicados às dietas, medidas, roupas, dietética e cosmética.
E estas mulheres que não comem, comem o que? Comem a fome. A fome dos seus desejos mais secretos, das suas necessidades afetivas mais básicas, dos seus sonhos mais recônditos. Uma fome impossível de ser saciada e que cria mais fome. As que comem demais e as quem comem de menos negam a fome das suas emoções. As mulheres estão famintas, longe de seus corpos e suas vontades, exiladas de seus corpos, os únicos capazes de propiciar alegria e prazer. Porque as mulheres que nutrem o mundo de diversas maneiras, afetivas, reais ou simbólicas, com suas comidas e afetos, e sua capacidade para a dança, e riso e a farra com seus homens, seus filhos e suas amigas, estão tristes, não se reconhecem mais nos seus corpos e na espontaneidade de seus movimentos. As mulheres desses tempos têm uma imensa fome de si mesmas. Têm fome de tudo aquilo que elas querem poder ser, sentir e realizar.
E mesmo podendo dominar sofisticadas tecnologias e ocupar cargos de poder nunca imaginados por suas mães ou avós, elas continuam presas às medidas de um espartilho mental que negligencia e desqualifica sua auto imagem criando sentimentos de inadequação que as tornam inseguras e infelizes.
Marcela Lagarde em muitos dos seus textos diz que as mulheres de hoje se comportam como criaturas medievais desejosas unicamente de um amor romântico impossível de ser realizado e sem nenhuma reflexão crítica sobre seu amor próprio. E que isto as debilita e enfraquece, já que ninguém com estes sentimentos desenvolve suas potencialidades.
A pergunta permanece, se desdobra: com ensinamentos deste tipo, o que estamos ensinando às nossas meninas? Quem cuida, afinal, das nossas meninas?


Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.

20 de setembro de 2017

Homossexualidade não é doença!

Anos de luta retrocedem com uma canetada de uma pessoa que, claramente, não entende nada do assunto...
1935 - Freud responde uma carta de uma mãe preocupada com a homossexualidade do filho:
"(...) não existem motivos para se envergonhar dela (da homossexualidade) já que isso não supõe vício nem degradação alguma.
Não pode ser qualificada como uma doença e nós a consideramos como uma variante da função sexual (...)"
1973 - Associação Americana de Psiquiatria retira a homossexualidade da lista de transtornos mentais.
1975 - Associação Americana de Psicologia adota a mesma posição, orientando os profissionais a não mais patologizarem a homossexualidade de seus pacientes.
1985 - Conselho Federal de Psicologia brasileiro, antes mesmo da OMS, adotou o entendimento de que homossexualidade não é doença.
1990 - Organização Mundial de Saúde (OMS) retira homossexualidade da lista de doenças.
2017 - um juiz do Distrito Federal contraria a posição oficial​ do Conselho Federal de Psicologia e da Organização Mundial de Saúde autorizando o tratamento de homossexuais como doentes por meio da "terapia de reversão sexual", ignorando anos de pesquisas científicas que afirmam que tal prática não tem resultados.




Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.

17 de setembro de 2017

Semana de Psicologia da Estácio de Sá Niterói

Na semana passada participei da Semana de Psicologia da Estácio de Sá Niterói, com a palestra "Quando o espelho se torna um problema: uma discussão sobra a imagem do corpo, os transtornos alimentares e os excessos de intervenções estéticas", contando um pouco dos achados da minhas pesquisa de doutorado sobre este tema.

O evento, que aconteceu em comemoração do dia do psicólogo, estava com auditório lotado! A participação dos alunos super interessados e a discussão depois da palestra  - que só acabou porque não tínhamos mais tempo - mostrou o quanto a nova geração de futuros psicólogos está antenada com a prática clínica e com os temas mais atuais! 







Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.

4 de setembro de 2017

Dica ViaFreud: Curso de extensão - Gênero, diversidade sexual e direitos humanos


O Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos (Nepp-DH) da UFRJ inicia o processo seletivo para o II Curso de Extensão Gênero, Diversidade Sexual e Direitos Humanos. 
Murilo Mota, sociólogo e coordenador geral do curso, destaca a importância do debate sobre o tema. “Há uma demanda muito grande para refletirmos sobre esta questão na contemporaneidade. Inúmeras perspectivas corporais têm ganhado visibilidade e as pessoas não estão sabendo lidar com isso, tanto na Família, como na Academia, ou em outros espaços. Tivemos uma grande procura na primeira edição e a perspectiva é que, na atual, tenhamos ainda mais”, explica. Ainda de acordo com o coordenador do curso, as dez aulas serão temáticas, mesclando exposições conceituais de professores, exibição de vídeos e debates com integrantes de movimentos sociais. Os nomes dos palestrantes e temas das aulas serão divulgados posteriormente.

O público alvo é composto de alunos e servidores técnico-administrativos da UFRJ, gestores públicos, professores da rede pública, agentes de movimentos sociais, ONGs e sindicatos e demais interessados. As aulas acontecem de 2 de outubro a 17 de novembro, às segundas e sextas, das 9h às 13h, no Auditório do Nepp-DH, que fica no 3º andar do prédio anexo do CFCH, campus universitário da Praia Vermelha. O endereço é Avenida Pasteur, 250, Urca.
Outras informações podem ser obtidas através do telefone (21) 3938-5190 ou pelo e-mail muriloufrj@gmail.com

Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.

13 de junho de 2017

Link para download dos livro do psicanalista Jean-Claude Maleval em pdf. Alguns títulos em português, espanhol e francês.

Confira a lista de livros:

A elaboração de uma suplência por um procedimento de escrita: Raymond Roussel
Autismo, enunciación y alucinaciones
Da Psicose Precocíssima Ao Espectro Do Autismo
Elementos para una aprehensión clínica de la psicosis ordinaria
El autista y su voz
Escuchen a los autistas
L'amour de la langue
La Forclusion del nombre del padre
Locuras histérias y psicosis disociativas
Logica Del Delirio
Más bien verbosos los autistas
O que existe de constante no autismo?
Os objetos autísticos complexos são nocivos?
Por que a hipótese de uma estrutura autistica?

Qual O Tratamento Para O Sujeito Autista?

Clique aqui para download



Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.


6 de junho de 2017

Eventos no Rio - A Mulher Brasileira no Divã, do Isepol

O segundo semestre do ano sempre traz bons eventos pra quem se interessa pela psicanálise!

O Isepol - Instituto Sephora de ensino e pesquisa de orientação lacaniana do programa de Pós graduação em Teoria Psicanalítica da UFRJ oferece o curso A Mulher Brasileira no Divã, organizado pela profª Tania Coelho dos Santos.




Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.


9 de maio de 2017

Livros para download gratuito

210 livro sobre psicanálise para baixar gratuitamente!




Tem Eric Laurent, tem Lacan, tem Alain Didier Weill, tem Miller, tem Coette Soler, tem Antonio Quinet, tem Contardo Calligaris, tem Joel Birman e Joel Dor, tem Garcia-Rosa, Denise Maurano, Elisabeth Roudinesco e mais um monte de outras referências importantes para a psicanálise!

Para ver a lista clique aqui.


Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.



15 de março de 2017

Pós-graduação em Psicanalise Clínica e Cultura na Celso Lisboa


O Centro Universitário Celso Lisboa está oferecendo o curso de Pós-graduação em Psicanálise Clínica e Cultura com uma proposta de discutir Psicanálise a partir da discussão de casos clínicos e da prática em diversos campos. 
Confira as infirmações da instituição: 






Detalhes do curso: 
Desenvolva e aprimore competências, especializando-se com professores altamente capacitados, através de casos e situações reais, e supere as expectativas do mercado de trabalho. Na Celso Lisboa você faz sua Pós-Graduação baseada em casos e situações reais. O ambiente é de interação constante e o formato é como acontece no mercado de trabalho: criando projetos, resolvendo problemas, desenvolvendo habilidades e aprimorando competências. 

Objetivos do Curso: 
Atender a demanda crescente pelo conhecimento da psicanálise tanto no meio “psi”, quanto pelos diversos campos do saber que integram as atividades culturais e sociais. Sobretudo, o curso é destinado para as atividades onde a práxis psicanalítica poderá oferecer algum suporte, como: clínicas, ONGs, centros de atendimento psicossociais e outros. 

Público-Alvo:
 Psicólogos, Médicos e áreas afins. Mercado de Trabalho Em expansão e com poucas ofertas especializações na área. 





Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.



24 de janeiro de 2017

Novos rumos da psiquiatria e sua influência na clínica e na pesquisa

Entender os rumos da psiquiatria americana é fundamental para entender a tendência que afeta a pratica clínica no mundo todo. O texto do psicanalista Marcelo Veras, publicado no blog da Subversos, explica bem as consequências que as políticas de saúde trazem para a clínica.  
Submundos
O que podemos esperar da troca do mais alto posto da psiquiatria americana, a direção do National Institut of Mental Health (NIMH)? Por treze anos a entidade foi comandada pelo notório Dr. Thomas Insel. Insel ganhou repercussão mundial quando a esperada quinta edição do DSM, que vinha sendo organizada pela Associação de Psiquiatria Americana, não foi referendada pelo NIMH no exato momento de seu lançamento. O DSM5 foi elaborado em meio a grandes polêmicas e resistências, principalmente quando o mundo descobriu o alto grau de comprometimento dos psiquiatras responsáveis com a indústria farmacêutica. Quando o NIMH desautorizou o DSM5 muitos comemoraram, pois a expectativa era de um manual ainda mais repleto de transtornos, aumentando enormemente o que poderia ser considerado uma patologia mental. Contudo, como chamou atenção Eric Laurent, em um artigo escrito logo após o anúncio do NIMH, não haveria muito o que comemorar, já que a crítica de Insel era precisamente que o DSM5 não era suficientemente “científico”, deixando entrever que o futuro da psiquiatria seria seu desaparecimento no oceano das pesquisas em neurociências[1].
As pesquisas translacionais
Efetivamente, a gestão Insel priorizou a neurociência e estrangulou progressivamente o orçamento para a pesquisa clínica. Afinal, com toda a crítica feita ao DSM, este era ainda um instrumento conectado à experiência clínica de profissionais que recebiam pacientes todos os dias. A partir de 2010, o NIMH instalou um novo critério para aprovação de pesquisas , chamado de RDC (Research Domain Criteria), que atrelava qualquer solicitação de financiamento à pesquisa translacional. O que é a Pesquisa Translacional? Trata-se de uma tendência mundial, crescente na pesquisa de doenças de todos os tipos, que visa agilizar a transferência de resultados da pesquisa básica à pesquisa clínica, afim de produzir benefícios para a comunidade como um todo. Em princípio a ideia é muito boa, pois visa reduzir o hiato entre a ciência pura e a prática clínica. As pesquisas translacionais no caso da psiquiatria envolvem sempre, em uma mesma pesquisa, tanto os genes, moléculas produzidas, células, e circuitos cerebrais, quanto o comportamento e os resultados clínicos obtidos.
Contudo, a crença de que o futuro da psiquiatria está no cérebro é tão consolidada, que solicitações de financiamento de pesquisas puramente clínicas passaram a ser sistematicamente negadas a partir dos novos RDC. A alegação do NIMH é sempre de que faltam nas propostas simplesmente clínicas uma “neurosignature”, espécie de selo de qualidade que implica a presença no projeto encaminhado de procedimentos atrelados aos pilares das neurociências. Em uma recente carta ao Times, o psiquiatra John Markowitz relata como ficou difícil propor uma pesquisa puramente clínica auspiciada pelo NIMH, já que, progressivamente, os fundos foram todos dedicados às pesquisas que incluem as neurociências. Atualmente apenas dez por cento do bilionária verba do NIMH é dedicada à trabalhos puramente clínicos[2]. 
Remédios para todos
Quem então se interessa pelos ensaios clínicos? Percebe-se que o espaço deixado vago foi fartamente ocupado pela indústria farmacêutica. Enquanto os neurocientistas se dedicam às pesquisas translacionais, a clínica psiquiátrica, na ponta, passa a ser orientada de modo cada vez mais explícito por protocolos duvidosos que levaram o consumo de medicamentos à patamares sem precedentes.
Dentre os projetos mais controversos encontra-se o Practice Support Program for Child and Youth Mental Health (PSP-CYMH), coordenado pelo Dr. Stan Kutcher. Trata-se de um programa que visa identificar patologias psiquiátricas entre os jovens em idade escolar. O programa foi largamente impulsionado por alguns crimes e suicídios cometidos por adolescentes em suas escolas, e que ganharam grande repercussão na imprensa. Nele, médicos generalistas recebem 2600 dólares por 10 horas de capacitação, para identificar precocemente possíveis distúrbios psiquiátricos em jovens em idade escolar. Assim, durante as visitas rotineiras para vacinação e demais check-ups anuais, os jovens pacientes passaram a responder a um questionário protocolizado visando identificar possíveis situações de depressão, ansiedade ou outro sintoma psiquiátrico.
A constatação foi que, com o questionário, o número de jovens diagnosticados e tratados com medicamentos aumentou para proporções muito acima da realidade. Um dos mais preocupantes métodos para identificar distúrbios de ansiedade entre os jovens é o SCARED, Screen for Child Anxiety Related Disorders[3]. Enquanto a maioria dos dados conhecidos indicava que não mais que 10 por cento dos jovens apresentam distúrbios de ansiedade, com o SCARED o numero de jovens diagnosticados e tratados foi simplesmente o triplo[4]. O questionário, elaborado pelo Dr. Kutcher, vem sendo questionado por inúmeras entidades. A crítica é que ele induz os generalistas a aumentarem ou persistirem com a prescrição de Fluoxetina em jovens que muito provavelmente não possuem patologia alguma, simplesmente problemas cotidianos do enfrentamento de situações escolares difíceis.
Chama ainda atenção que o programa não faz nenhum incentivo à escuta ou terapias não medicamentosas, simplesmente a prescrição, daí que ele vem sendo ironicamente chamado, ao invés de Educação Médica, de Programa de Promoção de Drogas.
Como então encontrar o sujeito do sofrimento psíquico? O país está dividido. Há os que apostam milhões de dólares na elucidação biológica precisa das doenças psiquiátricas, em pesquisas cuja duvidosa comprovação pode levar décadas até produzir algum sentido prático na clínica, mas há igualmente os que desenvolvem sua prática clínica em um meio completamente distorcido pelo charme da indústria farmacêutica[5].
Os devaneios podem ir mais longe. Um experimento recente[6]] permitindo que adultos pudessem atingir o ouvido absoluto[7], condição que normalmente somente se adquire na infância, levantou a hipótese de que é possível recuperar a neuroplasticidade neuronal da juventude. A partir desses dados alguns pesquisadores já cogitam uma intervenção muito mais ousada, se não seria possível apagar os traumas infantis e permitir ao sujeito um novo ponto zero em sua própria história[8]. Ignora-se completamente que nossos traumas, assim como os sintomas decorrentes, são constitutivos de nossa própria existência.
Uma bilionária foraclusão do sujeito
“Os avanços na genética humana estão remodelando a maneira como entendemos muitas doenças mentais, incluindo a esquizofrenia. Sabemos infinitamente mais sobre as mudanças de DNA… O próximo passo crítico é aprender como eles produzem a doença.”[9] Esse comentário da Dra Pamela Sklar compõe uma matéria com as expectativas de seis grandes pesquisadores no domínio das doenças psiquiátricas publicado recentemente na Revista Cell, uma das mais prestigiosas revistas científicas do mundo. Os comentadores estão todos muito otimistas e pedem ainda mais fundos para continuar a desenvolver suas pesquisas: “Precisamos declarar guerra à doença mental, que afeta a vida de uma em cada quatro pessoas, e priorizar o financiamento de pesquisas neurobiológicas inovadoras para uma melhor prevenção, diagnóstico, intervenção precoce e tratamento.”, alega no mesmo artigo Jeffrey Borenstein, daBrain & Behavior Research Foundation.[10]


Não é provável que o orçamento anual de 1,5 bilhões de dólares do NIMH tenha destino muito diferente nas mãos de seu novo diretor. Joshua Gordon assume o novo posto após uma larga experiência como professor no Columbia University Medical Center, onde é o responsável pelo currículo de neurociências[11]. Suas pesquisas, focadas na atividade neural de camundongos portadores de mutações com relevância em doenças psiquiátricas, deixam entrever que não é para breve uma reconciliação entre a Associação de Psiquiatria Americana e o Instituto Nacional de Saúde Mental. São dois gigantes de peso. Se o orçamento do NIMH é gigantesco, o aumento no consumo de medicamentos psiquiátricos no Estados Unidos tem as mesmas proporções. Enquanto em 1987, quando o Prozac foi lançado, os americanos consumiam 800 milhões de dólares em medicamentos psiquiátricos, em 2010 essa cifra subiu para 40 bilhões de dólares/ano. E assim a máquina anda muito bem. O NIMH, preocupado com suas pesquisas em neurociências, parece não ter nenhum papel regulador sobre o consumo em proporções abissais de medicamentos prescritos no cotidiano da clínica. Há cifras bilionárias para ambos na terra de Trump. Somente a clínica do sujeito continua proletária
***
Em um ambiente tão inóspito, de que modo a psicanálise pode ser ouvida? Como mostrar uma face muito pouco conhecida da psicanálise em território americano, a psicanálise aplicada? Entre genes e ratos de laboratório por um lado, e uma venda crescente de medicamento por outro, poucas vozes se levantam contra essa bipolaridade obcecada em isolar o sofrimento psíquico no corpo cadaverizado da ciência ou rentabilizado pela indústria farmacêutica. Dentre as resistências mais ativas, podemos destacar o papel atual da organização não governamental MAD IN AMERICA[12]. Capitaneada pelo jornalista americano Robert Withaker, autor do best seller Anatomy of an Epidemic, a MAD se tornou uma das mais importantes associações contra os abusos e distorções da Saúde Mental americana. Sem dúvidas é necessário conhecer e interagir com essas resistências. Nas últimas décadas, a psicanálise acumulou uma enorme experiência em hospitais, serviços substitutivos e demais projetos sociais. Essa prática mostra que o mal-estar contemporâneo pode ter outro destino que não seja o entorpecimento. O sonho americano tem demonstrado seu amargo despertar, trata-se de um mal-estar que não será tratado por nenhuma droga, tampouco por promessas genéticas que podem beirar a eugenia. A psicanálise com certeza tem algo a dizer sobre os restos que nenhum muro consegue segregar.
Fonte: http://subversos.com.br/category/coluna-submundos-por-marcelo-veras/


Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.