27 de agosto de 2010
26 de agosto de 2010
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hibernating
Autora nascida na França, Anaïs Nin tornou-se famosa pela publicação de diários pessoais, que medem um período de quarenta anos, começando quando tinha apenas doze .
Seus romances e narrativas, impregnados de conteúdo erótico foram profundamente influenciados pela obra de James Joyce e a pela psicanálise.

4 de agosto de 2010
O sintoma na clínica do delírio generalizado

Desde Freud, o delírio é apresentado como uma tentativa de cura, ou seja, uma forma de reparação, de reconstrução da realidade através da linguagem, cuja função é suprir a ausência de uma referência simbólica designada por Lacan como Nome-do-Pai. Assim, diante dessa ausência, ao utilizar os significantes para fazer existir o que não existe, o delírio torna evidente o estatuto ficcional da linguagem. É nesse sentido que, tomando a clínica da psicose como paradigma, a tese de Lacan, retomada por Miller, segundo a qual “todo mundo é louco, isto é, delirante” não só generaliza o aspecto de artifício da linguagem no que diz respeito à abordagem da realidade, como também nos convoca a pensar uma clínica ordenada a partir de uma foraclusão que estrutura a vida de todo ser habitado pela linguagem, de uma referência vazia que, em última instância, Lacan denominou com o aforismo: a relação sexual não existe.
A generalização do delírio quer dizer que a normalidade também é delirante — independente da estrutura clínica, há uma foraclusão que se coloca para todo ser falante e em relação à qual todo discurso é defesa contra o real. Isso não quer dizer que a referência à estrutura clínica possa ser descartada, mas que, no que concerne à experiência analítica, existem outros elementos que podem nos orientar para além da pura presença ou ausência do Nome-do-Pai. Nesse contexto, a referência ao sintoma torna-se fundamental: como situar a função do sintoma tendo em vista a generalização do delírio? Se todo mundo é louco, torna-se interessante então, segundo Miller, estabelecer as diferenças.
O sintoma, em seu cerne, é um modo de gozo, uma satisfação que vem substituir aquela concernente à relação sexual, se ela existisse. A inexistência da relação sexual implica, portanto, que toda construção sintomática se baseia em um momento fundador do sujeito, no qual algo fica de fora, expulso, foracluído de qualquer possibilidade de simbolização. Nesse sentido, o sintoma é uma solução substitutiva, que diz respeito à forma contingente que a inexistência da relação sexual toma para cada um, ou seja, o sintoma é uma maneira singular, única, que cada sujeito inventa para abordar o real, é o que faz a diferença. A experiência analítica visa à extração dessa diferença absoluta que, para além de toda articulação simbólica, de toda ficção a ser construída no decorrer de uma análise, permanece como um resto incurável a partir do qual o sujeito poderá fazer de sua singularidade algo inédito.
No XVIII Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, dedicado ao sintoma na clínica do delírio generalizado, esperamos poder recolher, discutir e elaborar as diversas formas de ancoragens diante do real que o sintoma possibilita. Cinco eixos nortearão a abordagem desse tema em nosso Encontro:
1) Delírio e sintoma nas psicoses
2) O delírio generalizado na clínica da neurose
3) Os destinos do sintoma no tratamento analítico
4) Manifestações contemporâneas do delírio generalizado
Rômulo Ferreira da Silva e Simone Souto
27 de julho de 2010
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Miller
26 de julho de 2010
Lacan
"O inseto que passeia na superfície da Banda de Moebius, caso tenha a representação do que é uma superfície, pode acreditar, a todo instante, que existe uma superfície que ele não explorou, e que está sempre no avesso daquela em que ele passeia, embora este não exista, como vocês sabem. Sem que o saiba, ele explora a única face que existe, e, no entanto, a cada momento, há realmente um avesso.
O que lhe falta para perceber que passou para o lado avesso é aquela pecinha faltante (...), uma espécie de curto-circuito, que o levaria pelo caminho mais curto para o avesso do ponto em que ele estava no instante interior.
(...) É o fato de faltar que produz toda realidade do mundo que o inseto passeia . O pequeno oito interior é efetivamente irredutível. Em outras palavras, é uma falta que o símbolo não supre."
Lacan, Seminário 10 - A Angústia
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