Dica de leitura: O parceiro amoroso da mulher atual, de Lêda Guimarães, publicado em Opção Lacaniana online, Ano 2 , Número 5 , Julho 2011
“Um homem quando ama é uma mulher”, assim proferiu
Pierre Naveau durante a jornada do ano 2000 da EBP-MG,
apoiado na formulação de Lacan “amar é dar o que não se
tem”, o que determina que a posição do amante contenha em
si a condição de castrado. Por essa razão, a sustentação de
uma posição masculina implica numa desvalorização da
vertente do amor e na prevalência da vertente erótica na
constituição das parcerias, como um mecanismo defensivo
fundamental para sustentar a identificação viril enquanto
dotado de falo. Mas isso não quer dizer que os homens não
saibam amar, como costumam se queixar as mulheres, pois
ainda que mantenham como linha de frente o traço perverso
da sua fantasia sexual, acabam escolhendo uma mulher,
dentre as demais, como seu objeto de amor privilegiado.
Seria também engano supor que as mulheres são mais
especialmente dotadas da capacidade de amar. Sua incessante
demanda de amor contém toda uma carga sexual que resulta na
erotomania própria ao estado de apaixonamento, no qual o
gozo feminino é experimentado sob o modo de um
arrebatamento, que mantém em primeiro plano uma
justificação em nome do amor: “me ame, mais, mais e mais
ainda”.
Para traçar algumas formulações acerca do parceiro
amoroso da mulher atual, vejamos inicialmente o que Lacan
nos diz, no livro 18 do seu Seminário, acerca do modo como
um homem poderá ser definido:
O importante é o seguinte, a identidade de
gênero é o que acabei de expressar com estes
termos ‘homem’ e ‘mulher’. É claro que a
questão do que surge precocemente só se coloca
a partir de que, na idade adulta, é próprio do
destino dos seres falantes que se distribuam
entre homens e mulheres. Para compreender a
ênfase que se coloca nessas coisas, neste caso,
é necessário nos darmos conta de que o que
define o homem é sua relação com a mulher e
vice-versa.
Tomando essa implicação direta entre homens e mulheres
em sua parceria sintomática, pretendo desenvolver algumas
formulações acerca das mulheres contemporâneas, levantando
a hipótese de que o declínio do viril não poderia ter sido
engendrado na história da civilização sem a contribuição,
ou até mesmo a imposição da sua parceira-sintoma.
Ocorreu na civilização, em um dado momento propício,
um fato radicalmente novo nas parcerias entre homens e
mulheres. A partir do século XII, o sonho do amor eterno
que faz pulsar o coração da feminilidade, alcançou um
estatuto simbólico na configuração da realidade de nossa
sociedade. Através do surgimento do amor cortês o estatuto
simbólico desse sonho emergiu nas palavras de amor do
cavalheiro gentil, dirigidas à sua dama inacessível. Com a
passagem dos ditos do amor cortês para o campo da escrita,
através das cartas de amor e das ficções literárias dos
romances impossíveis, o sonho feminino do amor eterno
ganhou um estatuto simbólico de verdade.
A aposta na crença do sonho de amor produziu nos
últimos séculos a liberdade social para constituir os laços
de casamento. O feminismo aqui se estabeleceu como o motor
fundamental dessas transformações, se instituindo
inicialmente como a luta das mulheres para alcançar uma
independência econômica que lhes permitisse a liberdade de
escolha da sua parceria amorosa. Desse modo, apoiadas na
crença das palavras do amor cortês, as mulheres
empreenderam uma luta contra as tradições da família
patriarcal, que determinava as regras dos laços de
casamento. A gênese do feminismo tomou, assim, como ponto
de mira o desafio à autoridade paterna, àquele que era
concebido como o juiz que ordenava a linha do destino das
mulheres. Podemos supor, dessa maneira, que o grande motor
do feminismo foi impulsionado pela aposta nas promessas do
amor cortês, instituindo com suas ganas o declínio da imago
paterna na civilização.
Oh! Lindo e esplendoroso amor, em que o cavalheiro
servil se curvava extasiado diante de sua deusa: A Mulher
impossível!
Porém, com o advento do feminismo, no qual A Mulher
quis engendrar-se como possível, imediatamente esse lindo
amor começou a desaparecer, pois à medida que as mulheres
passaram a falar em resposta ao apelo apaixonado do seu
amante, a desgraça começou a se abater sobre a virilidade
dos homens, reduzindo suas promessas de amor eterno ao
ridículo de meras falácias, instituindo a derrocada do
viril..."
Veja o artico completo em http://www.opcaolacaniana.com.br/pdf/numero_5/O_parceiro_amoroso_da_mulher_atual.pdf
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26 de outubro de 2011
25 de outubro de 2011
Grupo de Estudos: Anorexias e Bulimias - Sintomas contemporâneos
Depois de algum tempo adiando, darei início ao Grupo de Estudos Anorexias e Bulimias - Sintomas Contemporâneos com a proposta de pesquisar as anorexias e bulimias, quadros frequentemente encontrados em nossa prática clínica atualmente.
Os encontros serão semanais e terão início no dia 8 de novembro, terça feira, às 19 h.
Aguardo vocês!!!
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Congresso da AMP: El orden Simbólico en el siglo XXI
Acompanhe as novidades no site: http://congresoamp.com/pt/template.php
E mais eventos!
O segundo semestre vem com vários eventos de primeira qualidade para os interessados na psicanálise!
Segue abaixo a divulgação da XIII Jornadas de Formações Clínica do Campo Lacaniano, que acontecerá no Rio de Janeiro, do dia 25 ao 27 de novembro.
A CLÍNICA DO ATO
“O ato psicanalítico é evidentemente, o que dá suporte e
autoriza a realização da tarefa psicanalítica” (Lacan 29/11/1967).
Definido como a intervenção do analista em uma análise, o ato analítico
leva o sujeito a romper a repetição sintomática atingindo a estrutura
que rege seu inconsciente. Diferentemente da ação, da motricidade, o ato
é o que inscreve um saber e Lacan define o verdadeiro ato como uma
transgressão (Lacan, 15/11/1967). Toda motricidade só tem valor de ato
na medida em que promove uma mudança, como a ultrapassagem de um limiar
para além da lei, um atravessamento da lei, mas é necessário “o ato
analítico para iluminar o conceito de ato como tal” (idem). É também o
analista com seu ato de corte que ilumina a face de “verdadeiro ato”
contida no “ato sintomático” e revelada pelo “ato falho” da palavra. Lacan
situa o ato analítico como pivô do fazer do analista, e Freud nos
ensina que no princípio era o ato, e o ato contém a palavra mágica que
toca o real do sintoma.
Há uma mudança no sujeito depois do ato, ele não é mais o
mesmo de antes. A cada verdadeiro ato o sujeito morre e renasce de outra
forma, o que faz Lacan afirmar que o verdadeiro ato, único bem sucedido
é o suicídio. O ato poético é força sublimatória para criar a partir do
registro da pura pulsão de morte, onde a abolição do sujeito se faz
presente. O ato aponta para o âmago do ser, logo toca o gozo. O ato
homicida, os assassinatos se dirigem ao gozo do Outro em uma
manifestação de racismo, de impossibilidade de suportar a singularidade
do gozar do outro, tanto quanto os atos genocidas. O ato político é a
base da democracia e por fim como todo ato é sexual na medida em que é
movido pela libido é ele que aponta para o sujeito as raízes de seu
gozo. O ato perverso tenta atingir a divisão do Outro e assim gozar com a
possibilidade de driblar a castração. O ato sexual é a tentativa de
fazer a relação sexual existir, e, de ato em ato, o sujeito escreve sua
história.
A ética da psicanálise concerne não ao pensamento ou às boas
intenções, mas aos atos, e a clínica do ato revela a maneira neurótica
sob a qual se apresenta a ética em um sujeito. De tal maneira que o
sujeito vai da inibição, da postergação até uma precipitação em atuar,
do ato de fazer ao de não fazer, da eterna avaliação dos fundamentos de
seus atos com conseqüente paralisia à atuação no puro registro da
pulsão, ou ainda situa-se na vacilação entre a inibição com a
procrastinação do ato e a urgência, como demonstra, por exemplo, a
clínica da neurose obsessiva.
Na passagem ao ato, o sujeito se subtrai da cadeia
significante e anula qualquer dialetização possível dos equívocos
significantes, sua essência é a certeza. No acting-out o
sujeito põe em jogo o real, trazendo para a cena algo que não pode ser
dito, como no caso intitulado por Freud “a jovem homossexual”.
Independente de qualquer interpretação e diferentemente do sintoma, o acting-out diz respeito a um resto que aponta a causa do sujeito.
Se no âmago da análise está o ato analítico, cabe-nos perguntar
como a psicanálise lida com o que justamente se faz presente fora da
cadeia significante? São questões que Lacan nos propõe e que nos coloca a
trabalhar o tema das nossas XIII jornadas de Formações Clínicas do
Campo Lacaniano-Rio. Convidamos a todos para virem debater sobre os atos
que implicam o sujeito entrelaçando o que nele é singular com o que o
insere no socius.
Elisabeth da Rocha Miranda
Seminário no Corpo Freudiano: AMOR DE TRANSFERÊNCIA E PROCESSO DE SUBLIMAÇÃO
CORPO
FREUDIANO ESCOLA DE PSICANÁLISE - SEÇÃO RIO CONVIDA
PARA O SEMINÁRIO DE PSICANÁLISE:
POR UMA
LEITURA POÉTICA DO AMOR DE TRANSFERÊNCIA E DO PROCESSO DE SUBLIMAÇÃO
Com o Psicanalista francês Jean-Michel
Vivès, Professor de Psicopatologia Clínica e Psicanálise na Université de
Nice-Sophia Antipolis, Membro da Association Insistance (Paris/Bruxelas) e
autor de artigos publicados no Brasil.
O evento acontecerá no dia 1º de novembro de
2011, às 19:00h., no Auditório A do Hospital Phillipe Pinel, Rua Venceslau
Brás, nº 65, Botafogo, Rio de Janeiro. (Haverá tradução consecutiva)
“O amor cortês, isto é, o amor no qual o objeto se
ausenta como provedor de gozo, pode ser localizado como a interseção entre o
amor e o desejo. A partir daí, faço a hipótese de que ele pode nos esclarecer
sobre a condução do tratamento analítico e nos permitir compreender essa
misteriosa passagem do amor, na qual se marca a insistência do gozo numa
demanda, para o desejo que cava o lugar do sujeito e autoriza o aparecimento da
sublimação”. J-M. Vivès
Para se inscrever envie uma mensagem
com o nome completo e o comprovante do pagamento da inscrição que é de R$ 35,00
para Profissionais e não associados e R$ 25,00 para Estudantes de Graduação e
Associados do Corpo Freudiano para contato@corpofreudiano.com.br .
O depósito deverá ser efetuado na conta bancária
da Escola: Banco Itaú, Agência 8163, conta 07578-4.
II Colóquio EBP-Rio: Sem pé nem cabeça: Como ler o sintoma no século XXI
Hotel Novo
Mundo - Praia do Flamengo, 20 - Flamengo
Valor da
inscrição: R$ 180,00
Alunos do
ICP-RJ, estudantes de graduação, e profissionais da rede pública: R$ 100,00
(com comprovação).
Vagas
limitadas
Informações
e inscrições:
EBP-RJ: Rua Capistrano de Abreu, 14 – Botafogo – Rio
de Janeiro
(21) 2539-0960 ebprio@ebprio.com.br
(21) 2539-0960 ebprio@ebprio.com.br
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